O SENHOR TE CHAMA


"Gostaria de dizer àqueles e àquelas que se sentem longe de Deus e da Igreja, aos que têm medo ou aos indiferentes:
O Senhor também te chama para seres parte do seu povo, e o faz com grande respeito e amor!" EG, n.113.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

REFLEXÃO SOBRE O CREDO - SÍMBOLO DA FÉ CATÓLICA

Para reflexão em grupo:

Pesquisar sobre o "Credo". Cada grupo lê os textos do Evangelho e reflete sobre os doze artigos. Tente identificar a qual artigo pertence o texto bíblico. Lembrando que são doze artigos.

Grupo 1: Gn 1,1; 1Jo 1,3; Hb 1,2).

Grupo 2: Jo 3,16; Mt 1,18-24.

Grupo 3: Lc 1,26-38.2,6-12; Mt 1,21-23.

Grupo 4: Lc 23,1-7.13-25.33-34.44-46.50.56.

Grupo 5: Lc 24,1-8.

Grupo 6: Mc 6,19; Hb 1,3c.10,12.12,2; 1Pd 3,22; At 7,56; Cl 3,1.

Grupo 7: Mt 16,27; Mt 25,31-46.

Grupo 8: Cl 1,8; 1Ts 4,8; 1Pd 3,15; 1Tes 4,8.

Grupo 9: Col 1,22-26.

Grupo 10: Cl 1,13-14; 1Jo 1,9.

Grupo 11: Lc 24,1-8; 1Ts 4,15-17.

Grupo 12: Mt 25,31-46; 1Jo 1,1-4; 1Tes 4,14-18.

11º e 12º ARTIGOS DO CREDO

11º Artigo do Credo: Na ressurreição da carne.

Quando ocorre a morte, há a separação entre a alma e o corpo, a alma vai para o juízo particular e o corpo para a corrupção. Na Parusia, que é a segunda vinda de Cristo, todos ressuscitarão, ou seja, a alma se unirá novamente, e para sempre, ao corpo que não mais conhecerá a corrupção. Cada um receberá neste dia a sua recompensa segundo sua vida na terra (cf. Ef 3,10-11).

Morrer e Cristo significa morrer na graça de Deus, sem pecado mortal. "Em certo sentido, a morte corporal é natural; mas para a fé ela é na realidade 'salário do pecado' (Rm 6,23). E para os que morrem na graça de Cristo, é uma participação na morte do Senhor, a fim de poder participar também de sua Ressurreição." (CIC § 1006). Com isso, podemos dizer como São Paulo Apóstolo: "Se morrermos com ele, com ele viveremos." (2Tm 2,11).

12º Artigo do Credo: Na Vida Eterna.(Amém)

Por Vida Eterna se entende a vida que terá início logo após a morte e não terá mais fim. Essa vida será eternamente feliz para os bons e eternamente desgraçada para os maus, vivendo os primeiros por toda a eternidade no céu e os demais no inferno por todo o sempre.

No céu goza-se da visão de Deus e da posse de todos os males sem mistura de bem, conforme podemos conferir na passagem bíblica sobre o homem rico e o mendigo Lázaro: "Além de tudo, há entre vós um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá." (Lc 16,26).

O Credo, como também o último livro da Sagrada Escritura, termina com a apalavra hebraica "amen". Em hebraico a palavra "amém" está ligada à mesma raiz da palavra "crer". Esta raiz exprime solidez, confiabilidade e fidelidade. Sendo assim, o "amém" final do Credo retoma e confirma as suas duas primeiras palavras: "Eu CREIO". Crer é dizer "Amém" às palavras, às promessas, aos Mandamentos de Deus, é confiar totalmente naquele que é o "Amém" de infinito amor e de fidelidade perfeita. (CIC § 1061-1064).

OBS: Próxima postagem: Exercícios para REFLEXÃO em grupo.

9º e 10º Artigos do CREDO

9º Artigo do Credo: Na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos.

Cristo "é a cabeça do corpo da Igreja" (Cl 1,18), e nós somos os membros deste corpo. A Igreja é santa porque o próprio Deus é seu autor. Cristo se entregou por ela para santificá-la e torná-la santificante. Na terra a Igreja está ornada de verdadeira santidade, embora imperfeita, pois em seus membros a santidade perfeita ainda é algo a ser adquirido.

A Santa Igreja Católica é uma sociedade visível, vivificada por Cristo, cujos membros perfazem uma comunidade de fé, esperança e caridade. Quem fundou a Igreja foi Jesus Cristo. Todos os homens são chamados a pertencerem à Igreja, porque Jesus o manda, e fora da mesma ninguém pode salvar-se.

Para pertencer à Igreja Católica é necessário ser batizado, professar a doutrina e a lei de Jesus Cristo, participar dos seus Sacramentos, prestar obediência ao Papa e aos Bispos, que são os legítimos pastores da  Igreja. Também tomam parte no ofício de pastores os Presbíteros. O Papa, também chamado de Romano Pontífice, é o vigário de Jesus na terra, é o chefe visível da Igreja.

O Papa é infalível quando, ensinando a toda a Igreja, com autoridade apostólica, define verdades da fé e de costumes. O Papa é infalível, porque tem a promessa de Jesus Cristo, e porque é assistido pelo Espírito Santo.

O Papa é o sucessor de São Pedro, príncipe dos apóstolos. Os Bispos são sucessores dos apóstolos no poder ordinário de governar a Igreja; são pastores fiéis nas dioceses, que lhes são confiadas pelo Papa. O Bispo em sua diocese é o legítimo pastor e superior de todos os fiéis, eclesiásticos e leigos.

Nossas obrigações para com o Papa são: veneração, amor filial, obediência e para com os nossos Bispos são: veneração, amor e honra; devemos prestar-lhe obediência em tudo que se refere à cura das almas e ao governo da diocese.

Jesus Cristo instituiu a Igreja para todos os homens terem nela os meios de salvação. Os principais meios de salvação que temos na Igreja são: a verdadeira fé, a graça dos Sacramentos, a remissão dos pecados e a comunhão dos santos. A comunhão dos santos é a participação dos fiéis nas orações e outras boas obras, que se fazem na Igreja.

10º Artigo do Credo: Na remissão dos pecados.

A Igreja tem a  missão e o poder de perdoar os pecados porque foi o próprio Cristo que lhe conferiu esta autoridade ao dizer: "Recebei o espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, lhes serão perdoados; aqueles a quem retiverdes, lhes serão retidos." (Jo 20,22-23). A Igreja perdoa os pecados, aplicando os merecimentos de Jesus Cristo, por meio dos Sacramentos.

O perdão dos pecados nos é dado por meio dos sacramentos o Batismo e da Penitência ou Reconciliação. "O Batismo é o primeiro e o principal sacramento do perdão dos pecados, porque nos une a Cristo morto por nossos pecados, ressuscitado para nossa justificação..." (CIC §977).

O perdão que recebemos no batismo é tão pleno e completo que não nos resta mais nada a ser apagado, tanto do pecado original, quanto dos cometidos por livre vontade. Entretanto, a graça deste sacramento não nos livra da fraqueza humana, que constantemente se deixa inclinar ao pecado. Para os pecados cometidos após o Batismo, a remissão vem por meio do sacramento da Reconciliação, o qual deve ser acompanhado de um verdadeiro arrependimento e desejo de não mais tornar e a pecar.

OBS: Próxima postagem: 11º e 12º ARTIGOS DO CREDO, e alguns exercícios para reflexão.


7º e 8º Artigos do CREDO

7º Artigo do Credo: Donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.

No fim do mundo, Jesus Cristo descerá visivelmente à terra, para julgar homens de todos os tempos. Neste dia, será revelada a conduta de cada um, e os segredos dos corações, pois "não há nada oculto que não venha descobrir-se, e nada de escondido que não venha ser conhecido" (Lc 12,2). Este julgamento chama-se Juízo Universal ou Final, que será no fim do mundo, e que ninguém sabe quando será. O Senhor manisfestará a todas as criaturas o bem e o mal que fizeram e dará prêmio celeste aos bons e o castigo aos maus.

No dia do juízo final, todos ressuscitarão, ou seja, a alma se unirá novamente ao corpo e irá para o seu destino que será o céu ou inferno. Aqueles que forem para o céu terão um corpo glorioso como o de Jesus após a Sua Ressurreição, conforme afirmação de São Paulo: "Nós, porém, somos cidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo, tornando-se semelhante ao seu corpo glorioso, em virtude do poder que tem de sujeitar a si toda criatura (Ef 3,20-21) e os que orem para o inferno padecerão eternamente com alma e corpo.

Antes do juízo Universal há o juízo particular de cada um, logo depois da morte. Depois deste, o juízo Particular, a alma irá para o Céu, ou para o inferno, ou para o Purgatório.

A alma que vai para o céu, logo depois do juízo particular, é a alma que está livre de todo o pecado e não há pena alguma que descontar.

A alma que vai para o inferno, logo depois do juízo particular, é a alma que está em pecado mortal.

A alma que vai para o purgatório, logo depois do juízo particular, é a alma que tem ainda algum pecado venial ou alguma pena que descontar.

Purgatório é o lugar onde as almas dos justos se purificam, satisfazem com penas temporais o que ficaram devendo por seus pecados. Podemos diminuir o tempo de nossa alma no purgatório com jejum, penitência e oração. Podemos abreviar a duração das penas das almas de nossos irmãos no purgatório com orações, boas obras, indulgências e principalmente com o santo sacrifício da Missa.

8º Artigo do Credo: Creio no Espírito Santo.

Crer no espírito Santo é professar a terceira pessoa da Santíssima Trindade, que procede do Pai e do Filho, e é adorado e glorificado com o Pai e o Filho. O Espírito foi "enviado aos nossos corações". (Gl 4,6). A ele se atribui especialmente a santificação das almas. "Ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor a não ser no Espírito Santo." (1Cor 12,3).

O Espírito Santo sempre esteve presente em toda a história."Ao Espírito Santo cabe, reinar, santificar e animar a criação, pois é Deus consubstancial ao Pai e ao Filho... A Ele cabe o poder sobre a vida, pois sendo Deus, ele conserva a criação no Pai pelo Filho" (CIC § 703). Ele é o Consolador, o Santificador, é Ele que nos santifica e nos dá a graça para cada vez mais estarmos próximos de Jesus.

Costuma-se figurar o Espírito Santo em forma de pomba, porque foi assim que o Espírito Santo se mostrou no Batismo de Jesus Cristo. O Espírito Santo mostrou-se outras vezes de modo visível aos homens principalmente no dia de Pentecostes, em línguas de fogo descendo sobre Nossa Senhora e os apóstolos. O efeito que o Espírito Santo produziu nos apóstolos foi enchê-los de luz, de força e de todos os seus dons, para anunciarem o Evangelho e propagarem a Igreja de Jesus Cristo.

OBS: Próxima postagem: 9º e 10º Artigos do CREDO.


4º, 5º e 6º Artigos do Credo - Crucifixão, Morte, Ressurreição e Ascenção de Jesus

4º Artigo Credo: Padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado morto e sepultado.

Jesus Cristo padeceu, foi crucificado, morto e sepultado para nos salvar. Jesus Cristo padeceu tristeza, dores e suplício da cruz. Ele morreu pregado na cruz e, através de seu sacrifício, reconduziu o homem à comunhão com Deus, reconciliou-nos com Ele pelo "sangue derramado por muitos para remissão dos pecados" (Mt 26,28). Santa Rosa de Lima nos ensina que fora da Cruz não existe outra escada por onde subir ao céu.

Jesus Cristo morreu na Sexta-feira Santa às três horas da tarde e o estado de Cristo morto é o mistério do sepulcro e da descida à mansão dos mortos. "É o mistério do Sábado Santo, em que Cristo depositado no túmulo manifesta o grande descanso sabático de Deus depois da realização da salvação dos homens, que confere paz ao universo inteiro". (CIC §624).

Jesus Cristo padeceu e morreu enquanto homem, porque enquanto Deus não podia padecer nem morrer. O Mistério da Paixão e Morte de Jesus Cristo chama-se REDENÇÃO. Depois da morte de Jesus Cristo, seu corpo foi sepultado.

5º Artigo do Credo: Desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia.

Desceu à mansão dos mortos quer dizer que, depois da morte de Jesus Cristo, sua alma desceu a "morada dos mortos". O limbo ao qual desceu Jesus Cristo, quer dizer o lugar onde estavam todas as almas, tanto dos justos quanto dos injustos.

Jesus conheceu a morte como todos os seres humanos e com sua alma esteve com eles. Entretanto, foi para lá como Salvador, proclamando a boa notícia aos espíritos que ali estavam aprisionados. Os que lá se encontravam estavam privados da visão de Deus e apesar de todas as almas estarem no mesmo lugar, não significa dizer que teriam o mesmo destino; aos justos erra destinada a redenção. "Jesus não desceu aos infernos para ali libertar os condenados nem para destruir o inferno da condenação, mas para libertar os justos que o haviam precedido". (CIC §633).

Jesus Cristo ressuscitou depois de estar morto três dias incompletos, a saber: parte da sexta-feira, todo o sábado e parte do domingo.

A ressurreição de Jesus não é simplesmente um retornar a vida terrestre, como foi com Lázaro (cf. Jo 11,11-45). A ressurreição de Cristo é essencialmente diferente, em seu corpo ressuscitado, com propriedade de um corpo glorioso, não está mais situado no espaço e no tempo, pois sua humanidade não está mais presa à terra, mas pertence única e exclusivamente ao domínio divino do Pai.

A Ressurreição de Jesus é a verdade culminante de nossa fé em Cristo, pregada juntamente com a cruz, como parte essencial do Mistério Pascal. Jesus Cristo ressuscitou na madrugada do dia da Páscoa. Páscoa quer dizer: passagem da morte para a vida que não acaba mais.

6º Artigo do Credo: Subiu aos Céus, está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso.

O corpo de Jesus foi glorioso desde que ressuscitou. Depois de sua ressurreição, Jesus Cristo esteve na terra quarenta dias, para confirmar seus discípulos na fé, instruindo-os sobre o Reino, estando sua glória velada sobre os traços de uma humanidade comum.

A sua última aparição se deu pela entrada irreversível de sua humanidade na glória divina simbolizada pela nuvem e pelo céu (At 1,9; Lc 24,51). A este "Mistério" damos o nome de ASCENÇÃO, pois Jesus subiu aos céus por si mesmo, pelo seu próprio poder, depois dos quarenta dias.

Jesus está sentado à direita do Pai (cf. Mc 16,19). "Por direita do Pai entendemos a glória e a honra da divindade, onde aquele que existia como Filho de Deus antes de todos os séculos como Deus e consubstancial ao Pai se sentou corporalmente depois de encarnar-se e de sua carne ser glorificada" (CIC §663). Jesus Cristo no céu tem lugar de honra, como Deus, sobre todas as criaturas. Com isso, inaugura-se o Reino do Messias.

OBS: Na próxima postagem os 7º e 8º Artigos do Credo.


sábado, 8 de dezembro de 2012

Com a Imaculada Conceição Nossa Senhora participa na santidade e na graça da Igreja


Um privilégio 
que a torna mais humana

A Imaculada Conceição da Virgem não é mérito, mas «arbítrio» e favor divino, não é exigência e necessidade, mas «fantasia» e liberdade do Espírito Santo. Compreende-se este carisma de Maria na sucessão da criação do homem, que Deus decide idealizar a partir do seu Filho, da humanidade do Verbo feito homem. Por conseguinte, o «privilégio» da Imaculada Conceição, concedido em virtude dos méritos da cruz e já à imagem da Ressurreição, não afasta Maria da humanidade, mas torna-a agora mais próxima e mais ativamente vizinha: da sua existência, e antes de tudo da sua fé, passa o Filho de Deus salvador. Não a graça, mas o pecado torna hostis ao homem. 

Contudo, nos nossos dias, observa Michele Giulio Masciarelli, há uma espécie «de “dogma” laico, de proveniência iluminista, segundo o qual o homem só responde daquilo que faz intencionalmente. Este dogma laico é obedecido universalmente não obstante seja desmentido pelo fato da vida: com efeito, é também verdade que a existência do homem não passa só pela sua atenta previdência, pela sua Projetação precavida e talvez astuta: morte, doença, desgraças, inversões imprevistas, que se apresentam devastadoras e irreparáveis, são disto a confirmação incontestável. O cristianismo, com o mistério da Imaculada, contesta este dogma laico recordando a todos que não começamos por nós, nem como queremos, mas começamos pela vontade de outros, nascemos sem escolher nem de quem nem lugares e outras modalidades da existência. Maria, com este seu mistério, recorda não só aos cristãos, mas a todos que a vida do homem não passa sempre e só pelo seu livre assentimento: não foram pedidos a Maria nem o seu assentimento nem a colaboração para o seu nascimento imaculado».

Portanto, existe uma primazia da ação que não pode ser nem ignorada nem desencrementada, porque brota e remete para o desígnio providencial de Deus que tem a finalidade de libertar cada pessoa dos atilhos duros do individualismo egocêntrico incapaz de fazer seu o bem genuíno e inapto para captar o Outro e n'Ele os outros. O segredo da interioridade imensa de Maria é fazer a vontade de Deus.

Segundo o juízo humano, quem poderia crer que da mais perfeita de todas as criaturas humanas nos fosse contado tão pouco nas Escrituras? «Nenhuma obra por ela empreendida – escreve Antonio Rosmini – uma vida que o mundo cego classificaria de contínua falta de ação, e que Deus demonstrou que é a mais sublime, a mais virtuosa, a mais generosa de todas as vidas». «Assim fez muito mais Maria Santíssima, da qual se conhecem tão poucas ações, do que São Paulo com tantas fadigas e pregações». «Sendo a mais santa das criaturas puras – prossegue Rosmini – ela torna-se como o fim do mundo, depois de Cristo, e o fim da obra é aquilo que primeiro é concebido na mente do artífice». 
L’OSSERVATORE ROMANO
08.12.2012.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Deus é uma realidade da nossa vida, é tão grande que tem tempo também para nós, preocupa-se conosco.


Como falar de Deus?

Queridos irmãos e irmãs,

A interrogação central que hoje levantamos é a seguinte: como falar de Deus no nosso tempo?
Como comunicar o Evangelho, para abrir caminhos à sua verdade salvífica nos corações muitas vezes fechados dos nossos contemporâneos e nas suas mentes por vezes distraídas pelas numerosas luzes da sociedade? 

O próprio Jesus, dizem-nos os evangelistas, ao anunciar o Reino de Deus, interrogou-se acerca disto: «A quem compararemos o Reino de Deus? Ou com que parábola o representaremos?» (Mc 4, 30). 

Como falar de Deus hoje? A primeira resposta é que nós podemos falar de Deus, porque Ele falou conosco. Portanto, a primeira condição para falar de Deus é a escuta daquilo que o próprio Deus disse. Deus falou connosco! Por conseguinte, Deus não é uma hipótese distante sobre a origem do mundo; não é uma inteligência matemática muito distante de nós. Deus interessa-se por nós, ama-nos, entrou pessoalmente na realidade da nossa história e comunicou-se a si mesmo a ponto de se encarnar. 

Portanto, Deus é uma realidade da nossa vida, é tão grande que tem tempo também para nós, preocupa-se conosco. Em Jesus de Nazaré nós encontramos o rosto de Deus, que desceu do seu Céu para se imergir no mundo dos homens, no nosso mundo, e para ensinar a «arte de viver», o caminho da felicidade; para nos libertar do pecado e para nos tornar filhos de Deus (cf. Ef 1, 5; Rm 8, 14). Jesus veio para nos salvar e para nos mostrar a vida boa do Evangelho.

Falar de Deus quer dizer, antes de tudo, ter bem claro o que devemos levar aos homens e às mulheres do nosso tempo: não um Deus abstrato, uma hipótese, mas um Deus concreto, um Deus que existe, que entrou na história e está presente na história; o Deus de Jesus Cristo como resposta à pergunta fundamental do porquê e do como viver. 

Por isso, falar de Deus exige uma familiaridade com Jesus e com o seu Evangelho, supõe um nosso conhecimento pessoal e real de Deus, e uma forte paixão pelo seu desígnio de salvação, sem ceder à tentação do sucesso, mas seguindo o método do próprio Deus. O método de Deus é o da humildade — Deus faz-se um de nós — é o método realizado na Encarnação na simples casa de Nazaré e na gruta de Belém, o da parábola do pequeno grão de mostarda. É preciso não temer a humildade dos pequenos passos e confiar no fermento que se mistura com a massa e que, lentamente, a faz crescer (cf. Mt 13, 33).

Ao falar de Deus, na obra de evangelização, sob a guia do Espírito Santo, é necessária uma recuperação de simplicidade, um retorno ao essencial do anúncio: a Boa Notícia de um Deus que é real e concreto, um Deus que se interessa por nós, um Deus-Amor que se faz próximo de nós em Jesus Cristo até à Cruz, e que na Ressurreição nos doa a esperança e nos abre para uma vida que não tem fim, a vida eterna, a vida verdadeira. 

Aquele comunicador extraordinário que foi o apóstolo Paulo oferece-nos uma lição que vai precisamente ao cerne da fé, do problema de «como falar de Deus» com grande simplicidade. 

Na Primeira Carta aos Coríntios, ele escreve: «Também eu, quando fui ter convosco, irmãos, não fui com o prestígio da eloquência nem da sabedoria, anunciar-vos o testemunho de Deus. Julguei não dever saber coisa alguma entre vós, senão Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado» (2, 1-2). 

Portanto, a primeira realidade é que Paulo não fala de uma filosofia por ele desenvolvida, não fala de ideias que encontrou alhures ou que inventou, mas fala de uma realidade da sua vida, fala do Deus que entrou na sua vida, fala de um Deus real que vive, falou com Ele e falará connosco, fala do Cristo crucificado e ressuscitado. 

A segunda realidade é que Paulo não se procura a si mesmo, não quer criar para si um grupo de admiradores, não quer entrar na história como chefe de uma escola de grandes conhecimentos, não se procura a si mesmo, mas são Paulo anuncia Cristo e deseja conquistar as pessoas para o Deus verdadeiro e real. Paulo fala só com o desejo de anunciar aquilo que entrou na sua vida, e que é a vida autêntica, que o arrebatou no caminho de Damasco. 

Portanto, falar de Deus quer dizer reservar espaço Àquele que no-lo faz conhecer, que nos revela o seu rosto de amor; quer dizer expropriar o próprio eu, oferecendo-o a Cristo, na consciência de que não somos nós que podemos conquistar os outros para Deus, mas devemos esperá-los do próprio Deus, invocá-los dele. Portanto, falar de Deus nascer da escuta, do nosso conhecimento de Deus que se realiza na familiaridade com Ele, na vida da oração e segundo os Mandamentos.

Comunicar a fé, para são Paulo, não significa anunciar-se a si mesmo, mas dizer aberta e publicamente aquilo que viu e sentiu no encontro com Cristo, quanto experimentou na sua existência já transformada por aquele encontro: é anunciar aquele Jesus que sente presente em si e que se tornou a verdadeira orientação da sua vida, para levar todos a compreender que Ele é necessário para o mundo e é decisivo para a liberdade de cada homem. 

O apóstolo não se contenta com proclamar palavras, mas envolve toda a sua existência na grande obra da fé. Para falar de Deus, é necessário reservar-lhe espaço, na confiança de que é Ele quem age na nossa debilidade: reservar-lhe espaço sem medo, com simplicidade e alegria, na convicção profunda de que quanto mais O pusermos no centro, Ele e não nós, tanto mais a nossa comunicação será frutuosa. E isto é válido também para as comunidades cristãs: elas são chamadas a mostrar a ação transformadora da graça de Deus, superando individualismos, fechamentos, egoísmos, indiferenças e vivendo o amor Deus nos relacionamentos quotidianos. Perguntemo-nos se as nossas comunidades são verdadeiramente assim. Temos que agir, para nos tornarmos sempre e realmente assim, anunciadores de Cristo e não de nós mesmos.

Nesta altura, temos que nos interrogar como o próprio Jesus comunicava. Na sua unicidade, Jesus fala do seu Pai — Abbá — e do Reino de Deus, com o olhar cheio de compaixão pelas necessidades e dificuldades da existência humana. Fala com grande realismo e, diria, o essencial do anúncio de Jesus é que torna transparente o mundo e a nossa vida tem valor para Deus. Jesus demonstra que no mundo e na criação transparece o rosto de Deus e mostra-nos que Deus está presente nas histórias quotidianas da nossa vida. 

Quer nas parábolas da natureza, o grão de mostarda, o campo com diversas sementes, quer na nossa vida, pensamos na parábola do filho pródigo, de Lázaro e noutras parábolas de Jesus. Dos Evangelhos nós vemos como Jesus se interessa por cada situação humana que Ele encontra, se imerge na realidade dos homens e das mulheres do seu tempo, com uma confiança plena na ajuda do Pai. E que realmente nesta história, de modo escondido, Deus está presente e, se prestarmos atenção, podemos encontrá-lo. 

E os discípulos que vivem com Jesus, as multidões que O encontram, vêem a sua reação aos problemas mais diversos, vêem como Ele fala, como se comporta; vêem nele a obra do Espírito Santo, a ação de Deus. Nele anúncio e vida entrelaçam-se: Jesus age e ensina, começando sempre a partir de uma relação íntima com Deus Pai. 

Este estilo torna-se uma indicação essencial para nós, cristãos: o nosso modo de viver na fé e na caridade torna-se um falar de Deus no presente, porque mostra com uma existência vivida em Cristo a credibilidade, o realismo daquilo que dizemos com palavras, que não são apenas palavras, mas demonstram a realidade, a realidade verdadeira. E nisto devemos estar atentos a captar os sinais dos tempos na nossa época, ou seja, a identificar as potencialidades, os desejos, os obstáculos que se encontram na cultura atual, de modo particular o desejo de autenticidade, o anseio pela transcendência, a sensibilidade pela salvaguarda da criação, e comunicar sem temor a resposta oferecida pela fé em Deus. O Ano da fé é ocasião para descobrir, com a fantasia animada pelo Espírito Santo, novos percursos a níveis pessoal e comunitário, a fim de que em cada lugar a força do Evangelho seja sabedoria de vida e orientação da existência.

Também no nosso tempo, um lugar privilegiado para falar de Deus é a família, a primeira escola para comunicar a fé às novas gerações. O Concílio Vaticano II fala dos pais como dos primeiros mensageiros de Deus (cf. Constituição dogmática Lumen gentium, 11; Decreto Apostolicam actuositatem, 11), chamados a redescobrir esta sua missão, assumindo a responsabilidade de educar, de abrir as consciências dos pequeninos ao amor de Deus, como um serviço fundamental à sua vida, de ser os primeiros catequistas e mestres da fé para os seus filhos. 

E nesta tarefa é importante antes de tudo a vigilância, que significa saber aproveitar as ocasiões favoráveis para introduzir na família o discurso de fé e para fazer amadurecer uma reflexão crítica em relação aos numerosos condicionamentos aos quais os filhos estão submetidos. Esta atenção dos pais é também sensibilidade de entender as possíveis interrogações religiosas presentes no espírito dos filhos, às vezes evidentes, outras, escondidas. 

Depois, a alegria: a comunicação da fé deve ter sempre uma tonalidade de alegria. É a alegria pascal, que não se cala, nem oculta a realidade da dor, do sofrimento, do cansaço, da dificuldade, da incompreensão e da própria morte, mas sabe oferecer os critérios para interpretar tudo na perspectiva da esperança cristã. A vida boa do Evangelho é precisamente este novo olhar, esta capacidade de ver cada situação com os olhos do próprio Deus. 

É importante ajudar todos os membros da família a compreender que a fé não é um peso, mas uma fonte de júbilo profundo, é entender a obra de Deus, reconhecer a presença do bem, que não faz ruído; e oferece orientações preciosas para viver bem a própria existência. Enfim, a capacidade de escuta e de diálogo: a família deve ser um ambiente em que as pessoas aprendem a estar juntas, a recompor os contrastes no diálogo recíproco, que é feito de escuta e de palavra, a compreender-se e a amar-se, para ser um sinal mútuo do amor misericordioso de Deus.

Portanto, falar de Deus quer dizer fazer compreender com a palavra e com a vida que Deus não é o concorrente da nossa existência, mas sobretudo o seu verdadeiro garante, o protetor da grandeza da pessoa humana. 

Assim voltamos ao início: falar de Deus é comunicar, com força e simplicidade, com a palavra e a vida, aquilo que é essencial: o Deus de Jesus Cristo, aquele Deus que nos mostrou um amor tão grande, a ponto de se encarnar, morrer e ressuscitar por nós; aquele Deus que pede para O seguir e para se deixar transformar pelo seu amor imenso, para renovar a nossa vida e os nossos relacionamentos; aquele Deus que nos concedeu a Igreja, para caminharmos juntos e, através da Palavra e dos Sacramentos, renovarmos toda a Cidade dos homens, a fim de que ela possa tornar-se Cidade de Deus.



Papa Bento XVI.