O SENHOR TE CHAMA


"Gostaria de dizer àqueles e àquelas que se sentem longe de Deus e da Igreja, aos que têm medo ou aos indiferentes:
O Senhor também te chama para seres parte do seu povo, e o faz com grande respeito e amor!" EG, n.113.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

CREIO EM DEUS PAI TODO-PODEROSO, CRIADOR DO CÉU E DA TERRA

Por que a profissão de fé começa com "Creio em Deus"?
Porque a afirmação "Creio em  Deus" é  mais importante, a fonte de todas as outras verdades sobre o homem e sobre o mundo, e de toda a vida de cada um que nele crê.

Por que professamos um só Deus?
Porque ele se revelou ao povo de Israel como o Único, quando disse: "Ouve Israel! O Senhor  nosso Deus é o único Senhor" (Dt 6,4), "eu é que sou Deus e outro não há" (Is 45,22).
O próprio Jesus o confirmou: Deus é "um só" (Mc 12,29).
Professar que Jesus e o Espírito Santo são também Deus e Senhor não introduz nenhuma divisão no Deus Único.

Com que nome Deus se revela?
A Moisés Deus se revela como o Deus vivo, "o Deus de Abraão, o Deus de Isaac, o Deus de Jacó" (Ex 3,6). Ao mesmo Moisés, Deus revela o seu Nome misterioso: "Eu Sou Aquele que Sou (YHWH). O nme inefável de Deus, já nos tempos do Antigo Testamento, foi substituído pela palavra Senhor. Assim, no Novo Testamento, Jesus, chamado Senhor, mostra-se como verdadeiro Deus.

Somente Deus "É" ?
Somente Deus é em si mesmo a plenitude do ser e de toda perfeição, ao passo que as criaturas receberam dele tudo o que são e têm. Ele é "Aquele que É", sem origem e sem fim. Jesus revela que também ele leva o Nome divino: "Eu Sou" (Jo 8,28).

Por que é importante a revelação do nome de Deus?
Ao revelar o seu Nome, Deus dá a conhecer as riquezas contidas no seu mistério inefável: somente ele é, desde sempre e para sempre, aquele que transcende o mundo e a história. É dele que fez o céu e a terra. É o Deus fiel, sempre próximo a seu povo para o salvar. É o Santo por excelência, 'rico em misericórdia' (Ef 2,4), sempre pronto a perdoar. É o Ser espiritual, transcendente, onipotente, eterno, pessoal, perfeito. É verdade e amor.

"Deus é o ser infinitamente perfeito que é a Santíssima Trindade" (São Turíbio de Mongrovejo).

Em que sentido Deus é verdade?
Deus é a própria Verdade e como tal não se engana e não pode enganar. Ele "é luz e nele não há trevas" (1Jo 1,5). O Filho eterno de Deus, Sabedoria encarnada, foi enviado ao mundo "para dar testemunho da verdade" (Jo 18,37).

De que modo Deus revela que ele é amor?
Deus se revela a Israel como aquele que tem um amor mais forte do que o de um pai ou de uma mãe pelos seus filhos, ou de um esposo por sua esposa. Ele, em si mesmo, "é amor" (1Jo 4,8.16), que se doa completa e gratuitamente, "que amou tanto o mundo que deu o seu Filho único para que todo o que nele crer seja salvo por ele" (Jo 3,16-17). Enviando seu Filho e o Espírito Santo, Deus revela que ele próprio é eterna troca de amor.

O que comporta crer num só Deus?
Crer em Deus, o Único, comporta: conhecer sua grandeza e majestade; viver em ação de graças; confiar nele sempre, mesmo nas adversidades; reconhecer a unidade e a verdadeira dignidade de todos os homens, criados à imagem de Deus; usar corretamente as coisas criadas por ele.

Qual é o mistério central da fé e da vida cristã?
O mistério central da fé e da vida cristã é o mistério da Santíssima Trindade. Os cristãos são batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

O mistério da Santíssima Trindade pode ser conhecido pela pura razão humana?
Deus deixou alguns vestígios do seu ser trinitário na criação e no Antigo Testamento, mas a intimidade do seu Ser como Trindade Santa constitui um mistério inacessível à pura razão humana e até mesmo à fé de Israel antes da Encarnação do Filho de Deus e da missão do Espírito Santo. Esse mistério foi revelado por Jesus Cristo e é a fonte de todos os outros mistérios.

O que Jesus Cristo nos revela do mistério do Pai?
Jesus Cristo nos revela que Deus é "Pai", não somente porque é Criador do universo e do homem, mas sobretudo porque gera eternamente em seu seio o Filho, que é o seu Verbo, "resplendor da glória do Pai, expressão de seu ser" (Hb 1,3).

Quem é o Espírito Santo revelado a nós por Jesus Cristo?
É a terceira Pessoa da Santíssima Trindade. É Deus, uno e igual ao Pai e ao Filho. Ele "procede do Pai" (Jo 15,26), o qual, princípio sem princípio, é a origem de toda a vida trinitária. E procede também do Filho (Filioque), pelo dom eterno que o Pai faz ao Filho. Enviado pelo Pai e pelo Filho encarnado, o Espírito Santo conduz a Igreja ao conhecimento "da verdade plena" (Jo 16,13).

Como a Igreja exprime a sua fé trinitária?
A Igreja exprime a sua fé trinitária ao confessar um só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. As três Pessoas divinas são um só Deus porque cada uma delas é idêntica à plenitude da única e indivisível natureza divina. Elas são realmente distintas entre si pelas relações que as põem em referência umas com as outras: o Pai gera o Filho, o Filho é gerado pelo Pai, o Espírito Santo procede do pai e do Filho.

Como operam as três Pessoas divinas?
Inseparáveis na sua única substância, as Pessoas divinas são inseparáveis também em suas operações: a Trindade tem uma só e mesma operação. Mas no único agir divino cada Pessoa está presente segundo o modo que lhe é próprio na Trindade.

" Ó meu Deus, Trindade que adoro... pacifica a minha alma; faz dela o teu céu, a tua morada amada e o lugar do teu repouso. Que eu não te deixe jamais só, mas que eu esteja ali, toda inteira, completamente vigilante na minha fé, toda adorada, toda entregue à tua ação criadora" (Bem-aventurada Elisabete da Trindade).

CREIO EM DEUS PAI - OS SÍMBOLOS DA FÉ


O que são símbolos da fé?
São fórmulas articuladas, chamadas também de "profissões de fé" ou "Credo", com que a Igreja, desde suas origens, expressou de modo sintético e transmitiu a própria fé com uma linguagem normativa e comum a todos os fiéis.

Quais são os mais antigos Símbolos da fé?
São os símbolos batismais. Uma vez que o Batismo é dado "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28,19), as verdades de fé neles professadas são articuladas em referência às três Pessoas da Santíssima Trindade.

Quais são os mais importantes Símbolos da fé?
São o Símbolo dos Apóstolos, que o Antigo Símbolo batismal da Igreja de Roma, e o Símbolo niceno-constantinopolitano, fruto dos primeiros Concílios Ecumênicos de Niceia (325) e de Constantinopla (381) e ainda hoje comum a todas as grandes Igrejas do Oriente e do Ocidente.

NÓS CREMOS

Por que a fé é um ato pessoal e ao mesmo tempo eclesial?

A fé um ato pessoal, como livre resposta do homem a Deus que se revela. Mas é ao mesmo tempo um ato eclesial, que se exprime na confissão: "Nós cremos". Com efeito, é a Igreja que crê. Desse modo, com a graça do Espírito Santo, ela precede, gera e alimenta a fé de cada um. Por isso a Igreja é Mãe e Educadora.

"Não pode ter Deus como Pai quem não tem a Igreja como Mãe" (São Cipriano).

Por que as fórmulas da fé são importantes?

As fórmulas da fé são importantes porque permitem exprimir, assimilar, celebrar e partilhar juntamente com outros as verdades da fé, utilizando uma linguagem comum.

De que modo a fé da Igreja é uma só?

A Igreja, embora formada por pessoas diferentes por língua, cultura e ritos, professa, com voz unânime, a única fé recebida de um só Senhor e transmitida pela única Tradição Apostólica.
Professa um só Deus - Pai, Filho e Espírito Santo - e mostra um só caminho de salvação.
Portanto, nós cremos, com um só coração e com uma só alma, em tudo o que está contido na Palavra de Deus, transmitida ou escrita, e é proposto pela Igreja como divinamente revelado.


A RESPOSTA DO HOMEM A DEUS - EU CREIO

Como responde o homem a Deus que se revela?

O homem, sustentado pela graça divina, responde a Deus com a obediência da fé, que é confiar plenamente em Deus e acolher a sua Verdade, porquanto garantida por ele, que é a própria Verdade.

Quais são na Sagrada Escritura as principais testemunhas de obediência da fé?

Há muitas testemunhas, em particular duas: Abraão, que, posto à prova, "creu em Deus" (Rm 4,3) e sempre obedeceu a seu chamado, tornando-se "pai de todos os crentes" (Rm 4,11.18); e a Virgem Maria, que realizou do modo mais perfeito, durante toda a sua vida, a obediência da fé: "Fiat mihi secundum Verbum tuum - Faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,38).

Na prática, o que significa para o homem crer em Deus?

Significa aderir ao próprio Deus, confiando nele e dando assentimento a todas as verdades por ele reveladas, porque Deus é a Verdade. Significa crer num só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.

Quais são as características da fé?

A fé, dom gratuito de Deus e acessível a todos os que a pedem com humildade, é virtude sobrenatural necessária à salvação.
O ato de fé é um ato humano, ou seja, um ato da inteligência do homem que, sob o impulso da vontade movida por Deus, dá livremente o próprio consenso à verdade divina.
Além disso, a fé é certa porque fundada na Palavra de Deus, é operosa "pelo amor" (Gl 5,6); está em contínuo crescimento graças, em particular, à escuta da Palavra de Deus e à oração. Ela nos faz prelibar desde já a alegria celeste.

Por que não há contradições entre fé e ciência?

Embora a fé supere a razão, jamais poderá haver contradição entre fé e ciência, porque ambas têm origem em Deus. É o mesmo Deus que dá ao homem tanto a luz da razão quanto a luz da fé. (Vale lembrar aqui, que a Ciência é um dom do Espírito Santo).

Crê para compreender, compreende para crer" (Santo Agostinho)

A SAGRADA ESCRITURA

Por que a Sagrada Escritura ensina a verdade?

Porque o próprio Deus é o autor da sagrada Escritura; por isso se diz que ela é inspirada e ensina sem erro as verdades que são necessárias à  nossa salvação.
Com efeito, o Espírito Santo inspirou os autores humanos, que escreveram o que ele quis nos ensinar.
A fé cristã, todavia, não é "uma religião do Livro", mas da Palavra de Deus, que não é "uma palavra escrita e muda", mas o Verbo encarnado e vivo" (São Bernardo de Clavaral).

Como ler a Sagrada Escritura?

A Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada com a ajuda do Espírito Santo e sob a guia do Magistério da Igreja, segundo três critérios:
1- Atenção ao conteúdo e à unidade de toda a Escritura;
2- Leitura da Escritura na Tradição viva da Igreja;
3- Respeito à analogia da fé, ou seja, à coesão das verdades da fé entre si.

O que é o Cânone das Escrituras?

O Cânon das Escrituras é a lista completa dos escritos sagrados que a Tradição Apostólica fez a Igreja discernir. Esse Cânon compreende 46 escritos do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento.

Que importância tem o Antigo Testamento para os cristãos?

Os cristãos veneram o Antigo Testamento como verdadeira Palavra de Deus: todos os seus escritos são divinamente inspirados e conservam um valor permanente.
Eles dão testemunho da divina pedagogia do amor salvífico de Deus. Foram escritos sobretudo para preparar o advento de Cristo Salvador do universo.

Que importância tem o Novo Testamento para os cristãos?

O Novo Testamento, cujo objeto central é Jesus Cristo, confia-nos a verdade definitiva da Revelação divina. Nele, os quatro Evangelhos - Mateus, Marcos, Lucas e João -, por serem o principal testemunho sobre a vida e a doutrina de Jesus, constituem o coração de todas as Escrituras e ocupam um lugar único na Igreja.

Que unidade existe entre o Antigo e o Novo Testamento?

A Escritura é Una, porquanto única é a Palavra de Deus, único é o desígnio salvífico de Deus, única a inspiração divina de ambos os Testamentos.
O Antigo Testamento prepara o Novo e o Novo dá cumprimento ao Antigo: os dois se iluminam mutuamente.

Que função tem a Sagrada Escritura na vida da Igreja?

A Sagrada Escritura dá suporte e vigor à vida da Igreja. É para seus filhos firmeza na fé, alimento e fonte de vida espiritual.
É a alma da teologia e da pregação pastoral. Diz o salmista: ela é "lâmpada para meus passos e luz no meu caminho" (Sl 119,105).
A Igreja exorta por isso à frequente leitura na sagrada Escritura, porque "a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo" (São Jerônimo).


A TRANSMISSÃO DA REVELAÇÃO DIVINA

POR QUE E DE QUE MODO A REVELAÇÃO DIVINA DEVE SER TRANSMITIDA?

Deus "quer que todos [os homens] sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade" (1Tm 2,4), ou seja, de Jesus Cristo.
Por isso, é necessário que Cristo seja anunciado a todos os homens, segundo o seu próprio mandamento:
"Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações" (Mt 28,19). É o que se realiza com a Tradição Apostólica.

O QUE É A TRADIÇÃO APOSTÓLICA?

A Tradição Apostólica é a transmissão da mensagem de Cristo, realizada desde as origens do cristianismo, mediante a pregação, o testemunho, as instituições, o culto, os escritos inspirados.
Os apóstolos transmitiram a seus sucessores, os bispos e, por meio deles, a todas as gerações até o final dos tempos o que receberam de Cristo e aprenderam do Espírito Santo.

COMO SE REALIZA A TRADIÇÃO APOSTÓLICA?

A Tradição Apostólica se realiza de duas maneiras: com a transmissão viva da Palavra de Deus (também chamada simplesmente Tradição) e com a Sagrada Escritura, que é mesmo anúncio da salvação feito por escrito.

QUE RELAÇÃO EXISTE ENTRE A TRADIÇÃO E A SAGRADA ESCRITURA?

A Tradição e a Sagrada Escritura estão em estreita ligação e comunicação entre si.
Ambas, com efeito, tornam presente e fecundo na Igreja o mistério de Cristo e brotam da mesma fonte divina: constituem um só sagrado depósito da fé, de onde a Igreja haure a própria certeza sobre todas as coisas reveladas.

A QUEM É CONFIADO O DEPÓSITO DA FÉ?

O depósito da fé é confiado pelos Apóstolos a toda a Igreja. Todo o povo de Deus, com o sentido sobrenatural da fé, sustentado pelo Espírito Santo e guiado pelo Magistério da Igreja, acolhe a Revelação divina e cada vez mais a corresponde e a aplica à vida.

A QUEM CABE INTERPRETAR AUTENTICAMENTE O DEPÓSITO DA FÉ?

A interpretação autêntica desse depósito compete unicamente ao magistério vivo da Igreja, ou seja, ao sucessor de Pedro, o Bispo de Roma, e aos bispos em comunhão com ele.
Cabe também ao Magistério, que ao servir a Palavra de Deus goza do carisma certo da verdade, definir os dogmas, que são formulações das verdades contidas na Revelação divina; essa autoridade se estende também às verdades necessariamente ligadas à Revelação.

QUE RELAÇÃO EXISTE ENTRE ESCRITURA, TRADIÇÃO E MAGISTÉRIO?

Eles têm uma ligação tão estreita entre si que nenhum deles existe sem os outros.
Juntos, contribuem eficazmente, cada qual segundo seu modo próprio, sob a ação do Espírito Santo, para a salvação dos homens.

QUAIS SÃO AS ETAPAS SEGUINTES DA REVELAÇÃO DE DEUS?

Deus elege Abraão, chamando-o para fora de seu país a fim de fazer dele "o pai de uma multidão das nações" (Gn 17,5) e prometendo-lhe abençoar nele "todas as famílias da terra" (Gn 12,3).

Os descendentes de Abraão serão os depositários das promessas divinas feitas aos patriarcas.

Deus forma Israel como seu povo de eleição, salvando-o da escravidão do Egito, conclui com ele a Aliança do Sinai e lhe dá por meio de Moisés, a sua Lei.

Os profetas anunciam uma radical redenção do povo e uma salvação que incluirá todas as nações numa Aliança nova e eterna.

Do povo de Israel, da estirpe do rei Davi, nascerá o Messias: Jesus.

QUAL É A ETAPA COMPLETA E DEFINITIVA DA REVELAÇÃO DE DEUS?

É a que se realiza no seu Verbo encarnado, Jesus Cristo, mediador e plenitude da Revelação. Ele sendo o único Filho de Deus feito homem, é a Palavra perfeita e definitiva do pai.
Com o envio do Filho e o dom do Espírito, a Revelação está agora plenamente realizada, ainda que a fé da Igreja tenha de captar gradualmente todo seu alcance ao longo dos séculos.

"a partir do momento em que nos deu o seu Filho, que é a sua única e definitiva Palavra, Deus nos disse tudo de uma só vez nessa Sua Palavra e não tem mais nada a dizer" (São joão da Cruz).

Que valor têm as revelações privadas?

Ainda que não pertençam ao depósito da fé, elas podem ajudar a viver a mesma fé, desde que mantenham sua estrita orientação para Cristo. O Magistério da Igreja, a quem cabe o discernimento de tais revelações privadas, não pode, portanto, aceitar as que pretendem superar ou corrigir a Revelação definitiva que é Cristo.