O SENHOR TE CHAMA


"Gostaria de dizer àqueles e àquelas que se sentem longe de Deus e da Igreja, aos que têm medo ou aos indiferentes:
O Senhor também te chama para seres parte do seu povo, e o faz com grande respeito e amor!" EG, n.113.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

ARCANJO GABRIEL, ARCANJO RAFAEL, ARCANJO MIGUEL

Arcanjo Gabriel portador das boas-novas, das mudanças, da sabedoria e da inteligência;

Arcanjo da Anunciação trazei a Palavra de Deus e que Ela permaneça em meu pensar e 
agir. Fazei com que eu também seja um mensageiro dos preceitos do Senhor por palavras de bondade solidariedade. Arcanjo da Anunciação, vinde em meu auxílio.


Arcanjo Rafael guardião da saúde e da cura, peço que os raios curativos desçam sobre mim, dando-me saúde e cura dos males do corpo e da alma.

Guardai meu corpo e minha mente livrando-me de todas as doenças.
Que Vosso raio curativo esteja em meu lar, sobre meus filhos e familiares e no trabalho que executocom aspessoas com quem convivo diariamente.
Arcanjo Rafael transformai a minha alma e o meu ser para que eu possa sempre refletir a Vossa Luz. Arcanjo Rafaelcurai nossas enfermidades.


Arcanjo Miguel príncipe guardião e guerreiro, defendei-me com Vossa espada e protegei-me com Vosso escudo. Não permita que o mal me atinja Protegei-nos contra assaltos, roubos, acidentes e contra quaisquer atos de violência.
Livrai-me de pessoas negativas e invejosas.
Levante o Vosso escudo de proteção em meu lar e sobre minha família, parentes e amigos.
Guardai meu trabalho, meus negócios e meus bens.
Arcanjo Migueltrazei a paz e a libertação.
Arcanjo Migueldefendei-me no combate.

Arcanjos de Deus, venham em meu auxílio.
Arcanjos do Senhor, venham em meu socorro.
Fonte: http://www.padrereginaldomanzotti.org.br/capela_virtual/novenas_virtuais/arcanjos/oracao-1.html

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Reflexão do Evangelho de São Marcos Mc 6,17-29 à Mc 9,30-37

Mc 6,17-29: “GOSTAVA DE OUVI-LO, MAS FICAVA DESCONCERTADO.” 

Fui ordenado padre no dia em que se celebrava o martírio de São João Batista, 29 de agosto. Deus me pede uma vida com transparência na presença dEle, que eu não use minha fraqueza como desculpa para não ser santo. Distinguir o que Deus quer daquilo que LHE desagrada; e estar disposto ao “ódio do mundo” contra Jesus e contra quem quiser ser Seu discípulo. S. João Batista viveu para mostrar Jesus presente no mundo, mesmo quando isso lhe custou a liberdade e a vida. Senhor, peço, para mim e para meus amigos, a força interior que nos faça indicar Jesus sem esmorecermos, nem por causa da nossa fragilidade, nem por qualquer perseguição. Amém! (Pe. José Otácio O. Guedes)

Mc 7,1-8.14-15.21-23: “ESTE POVO ME HONRA COM OS LÁBIOS, MAS SEU CORAÇÃO ESTÁ LONGE DE MIM.” 

Essa Palavra é dita hoje a todos nós. Seu foco é a busca por um centro, do qual não podemos abrir mão. Qual é a essência da Religião? Não é o cumprimento dos preceitos, os quais nossa fraqueza ou maldade pode ajustar à nossa conveniência, ou até observá-los com o intuito de obtermos direitos perante Deus, mas a radicalização da obediência a Deus. O coração é a sede das decisões: ter o coração longe é ter a obediência condicionada aos gostos. Religião é relação da pessoa inteira com Deus: inteligência, vontade, sentimentos. Senhor, não permita que o vinho novo do Cristianismo se perca. Dá-nos medir nossa vida com a regra do Evangelho, que é o Teu Filho Jesus. No Cristianismo, jogam papel preponderante as intenções do coração: porque o que está em jogo não é um cardápio de tarefas a fazer, mas a intenção interior movida pelo bem e pela verdade. Ninguém está dispensado da busca da verdade, mas, sem a pureza de intenção, as ações não edificam quem as pratica. O Cristianismo nunca aceitou vincular sua pureza ao aumento de regras externas. Disso a história tem muitos exemplos (os cátaros; os observantes). Mas essa é uma tentação muito recorrente. Paulo teve que falar a mais de uma de suas comunidades sobre a liberdade de comer e beber. As disciplinas externas são importantes, mas não nos iludamos, não está aí o ponto fundamental para a robustez de uma vida cristã. Ou estamos vinculados de dentro e as regras são manifestação do amor, ou entremos a desempenhar mais um papel.

Mc 7,31-37: “TROUXERAM UM SURDO QUE GAGUEJAVA.” 

Jesus está numa terra estrangeira. A surdez impede, também, de falar. Quem não escuta limita suas ações. Há uma palavra de autoridade: Effatha (Abre-te!). Ouvidos e coração são alcançados por essa ordem. Aqui nasce a fé. A fé é uma abundância de luz que entra na vida. Não é um pulo no escuro, mas uma clareira nova que se abre na existência. A fé não estreita os limites da vida, mas os alarga. A memória da ação de Deus nos assegura que Ele é confiável. Jesus se envolve com aquele surdo: leva-o à parte, toca-lhe as orelhas e a língua. Isso sinaliza os meios sacramentais deixados por Jesus na Sua Igreja. Mas eles indicam, também, o desdobrar de meios que Deus aplica para nos curar da nossa surdez. Se ouvirmos bem, falaremos bem. Sem a fé, continuaremos gaguejando. Experimentemos a força que tem a palavra da fé na vida de quem a acolhe.

Mc 8,27-35: “QUEM DIZEM OS HOMENS QUE EU SOU?” 

Jesus é o Cristo, o Salvador esperado: essa é a fé da Igreja à qual devemos nos ajustar. Há diversas teorias sobre Jesus, mas a salvação é realidade muito séria para embarcarmos nas ideias de qualquer exaltado que apareça. Jesus é o Messias que, para curar nossas feridas, será chagado. A existência é uma oferta de Deus: quem nela quer colher o que convém, prazerosamente, nunca entenderá a cruz. Pedro parece não aceitá-la. Por que Pedro repreende Jesus? Porque, ao admitir o sofrimento para o Mestre, deveria estar aberto também ele a sofrer. A entrega de Jesus é justamente para que sejamos capazes de nos entregarmos à vontade do Pai, a toda vontade do Pai, sem cortes. O que Deus quer de nós? Não pode também ser uma parcela de experiência de cruz? Ela é um componente da vida e bons e maus a experimentam. O fruto da cruz dependerá de como a carregamos: se de má vontade e revoltosos, ou obedientes e confiantes. Quem não aceita a cruz acaba por experimentar solidão ao carregá-la. Quem a acolhe terá consigo Jesus, pois em toda cruz acolhida está a única cruz redentora de Cristo, caminho para a Páscoa.


Mc 9,30-37: “SE ALGUÉM QUISER SER O PRIMEIRO, SEJA O ÚLTIMO DE TODOS.” 

Esta não é uma mera questão moral, de ser humilde. Aqui está em jogo nossa percepção de Deus e do próximo. De onde esperamos a vida: da nossa competência que alcança os altos patamares ou da Providência de Deus? O que se pretende com o “ser maior”: poder dispor das benesses do posto, ou ter ocasião de servir mais? O poder é inerente às relações. Sempre alguém, por motivo de força, de escolaridade, de função social, disporá de algum poder. A questão é como dispor desse poder. Jesus menciona que só há sentido no poder se ele se tornar serviço. Que esse seja um assunto importante está no fato dos discípulos silenciarem, quando Jesus lhes pergunta sobre o que conversavam; era evidente, para eles, a reprovação do Mestre, pois a vida dEle estava ali a desautorizar discussão em torno de quem seria o maior. Reflitamos sobre o modo como dispomos do espaço de autoridade em que, por algum motivo, nos encontramos na posse dele: geramos vida ou sugados algum benesse egoísta?

Fonte Pe. José Otácio Oliveira Guedes

Reflexão do Evangelho de São Mateus de Mt 9,9-13 à Mt 25,1-13

Mt 9,9-13: “NÃO SÃO AS PESSOAS COM SAÚDE QUE PRECISAM DE MÉDICO, MAS AS DOENTES”. 

Jesus veio para os doentes, para os pecadores. Ele veio porque toda a humanidade estava doente, todos "sob o pecado" (Rm 3,9). O problema é que alguns se julgavam justos e sadios, os mesmos que julgam vã a cruz de Cristo, pois ela parece desnecessária aos que se consideram viver conforme as exigências. Como assim doentes? A doença é aquela tentação de nos fecharmos em nós mesmos, de não reconhecermos que só vivemos da vida que vem da fonte que é Deus. Mateus sente que pode e deve deixar tudo, pois Jesus, a Fonte da vida, acaba de convidá-lo a segui-lO. E quando nos curarmos e ficarmos sãos? Atenção! Quando acolhemos Jesus em nossa vida, nós nos tornamos doentes em processo de cura. Seremos sempre convalescentes, até que a páscoa se realize plenamente em nós. Dizer que Deus prefere a misericórdia aos sacrifícios, significa que Deus prefere a ternura eficaz para com os frágeis, aos atos externos de culto; prefere os sentimentos cheios de verdade e arrependimento do publicano, aos atos auto justificantes do fariseu. O Cristianismo se refere sempre ao mais profundo, ao que está na raiz dos comportamentos. Não bastam atitudes conformadas com a lei, se o coração estivesse disposto a fazer diferente, dado que fosse outra a lei, sem a convicção da escolha do bem, do que é verdade. Não esqueçamos: Jesus trouxe algo para revolucionar nosso modo de ver a Deus e de nos relacionarmos com o próximo. Ele é vinho novo para ser colocado em odres novos.

Mt 13,47-53: “O REINO DOS CÉUS É AINDA COMO UMA REDE LANÇADA AO MAR.” 

Muitas vezes Jesus alertou que haverá um juízo, um momento em que estaremos diante da verdade, sem possibilidades de nos tapearmos, nem tapearmos ao próximo. Somos administradores da vida, de quem se requer responsabilidade. Não é responsável fazermos experiências na vida só para termos histórias para contar, mas sim, porque é bom e verdadeiro o que fazemos. Ninguém foi criado para “ser lançado fora”. Deus quer que todas as pessoas vivam intensamente e cheguem à plenitude de vida junto dEle nos Céus. Enquanto estamos nesse tempo, cabe-nos viver de modo a que outros se alegrem, a que sejam minimizadas suas tristezas, que se sintam acolhidos em nosso coração. Deus é especialmente amado, quando amamos os menos amados do mundo. Seremos 'bons peixes', se nossas metas de vida forem além da nossa comodidade e conveniências pessoais. Que nossa vida seja fecunda para a glória de Deus, para nossa salvação e a de nossos irmãos!

Mt 13,54-58: “NÃO É ELE O FILHO DO CARPINTEIRO?” 

Jesus é reconhecido pelo trabalho que fazia. Qual é o lugar do trabalho na vida cristã? O trabalho tem sua dimensão de fadiga, própria da nossa ligação com Adão, a quem foi imposto o fardo de ganhar o pão ‘com o suor do rosto’ (Gn 3,19). Quando o Filho de Deus assume nossa carne, Ele assume também essa dimensão de fadiga. Por isso, também aqui chegou à redenção. Em qualquer trabalho, há um espaço de vida nova a ser vivido. Quem vive o trabalho só na sua dimensão de fadiga, ainda não deixou a salvação em Cristo chegar lá. No trabalho, podemos aperfeiçoar-nos, ou, ao menos, ver a ocasião de conviver com outros a quem podemos amar concretamente; sublimar a motivação em função da finalidade do que fazemos ou do que é feito com o que ganhamos. Enfim, a obra redentora de Jesus não pode ficar excluída de nenhuma dimensão da nossa vida. Daí, a importância de nos dedicarmos à oração antes de começarmos o trabalho. Dar graças quando o concluirmos e sempre oferecermos a fadiga em união com a oferta de Jesus ao Pai. Os jovens não esqueçam: nesse tempo, seu trabalho é o estudo!

Mt 14,1-12: “MANDOU CORTAR A CABEÇA DE JOÃO.” 

Herodes manda matar João, porque o que ele lhe diz fere sua consciência adormecida. O fato mostra a fraqueza de Herodes: a verdade cede lugar a outros compromissos menos nobres. A verdade exige humildade para acolhê-la, sobretudo quando é uma verdade sobre algo errado em nosso proceder. Ninguém gosta de ser desmascarado. Isso gera insegurança, perda do controle. O que fazer? Herodes decide matar João. Diante da queda da máscara, ou se acolhe a verdade ou se procura destruir sua fonte. Diante da atitude corajosa de João, temos a covardia de Herodes. O que fazemos quando alguém nos corrige? Qual nossa atitude diante do conhecimento de alguma zona frágil nossa? É um grande achado na vida encontrar alguém que tenha coragem de sinalizar nossos erros e até vícios que, indevidamente, nos acostumamos a conviver com eles. Se aparecer algum corajoso 'João Batista', vejamos como chance pra experimentar uma páscoa na vida!

Mt 14,13-21: “VÓS MESMOS DAI-LHES DE COMER!” 

Por princípio, ninguém pode saciar a própria fome, pois ninguém se basta. Mas toda pessoa é chamada a ser instrumento da Providência para os outros. Nós vivemos daquele pão sobre o qual Jesus dá graças ao Pai, o Pão da bênção. A desculpa de tempos difíceis não é justificativa adequada para não nos dispormos a alimentar o outro. Quando falamos de alimento, falamos de tudo que permite o outro viver, desde a forma mais elementar do pão material até a partilha de sentido para a vida, passando pelo amor e pela valorização do outro. Quem não se dispõe a alimentar o outro, perde a chance de saciar a própria 'fome'. Cada um, da sua pobreza, deve doar. Isso não é somente um imperativo moral, mas uma consequência de quem sabe que vive de uma fonte inesgotável de vida, que é Deus. No cristianismo, estamos diante de uma cultura da abundância, aquela que nasce do jeito de agir de Deus e deve nos alcançar. Senhor, o pão nosso de cada dia, dá-nos hoje!

Mt 16,24-28: “RETRIBUIRÁ A CADA UM DE ACORDO COM SEU COMPORTAMENTO.” 

Somos livres para escolher, mas pelas suas consequências também somos responsáveis. Jesus nos convida a segui-lO, apresenta as condições e diz o que acontecerá numa e noutra escolha: perder ou ganhar a vida. Este texto se refere ao desfecho da existência. Como está meu comportamento em relação a Deus e ao próximo? Estou sendo justo com Deus dando a ele o primeiro lugar na minha vida? Como tenho tratado o próximo? Nosso modo de tratar o próximo é um bom termômetro da nossa vida cristã. Se o estou tratando mal é porque minha oração não está boa. Jesus aborda hoje "negar a si mesmo", "tomar a cruz" para segui-lO. Isso é exigente, mas está aí o sentido da vida. No fundo, o que temos a fazer é atualizar na nossa, a existência de Jesus. Nega-se a si mesmo quem diz não ao movente de fundo de Adão, acolhendo o limite imposto por Deus. Carrega a cruz quem acolhe a vida com seus componentes atuais em ação de graças. Segue Jesus quem desarma dentro de si a armadilha da prepotência e se decide a acolher as consequências da fidelidade.

Mt 18,1-5.10.12-14: “TERÁ MAIS ALEGRIA POR ESTA DO QUE PELAS NOVENTA E NOVE.” 

Quem não deixaria as noventa e nove ovelhas para buscar uma perdida? A pergunta de Jesus é para nos desconsertar. Ele sabe que gostamos da segurança do nosso “cafofo”, que ir atrás significaria correr o risco do insucesso, e isso exige de nós uma grande reserva de generosidade que talvez não tenhamos à disposição. Nessa Palavra de Jesus, está a opção preferencial pela ovelha perdida, aquela determinação existencial de viver para suscitar vida para os outros, ajudando-os a se encontrarem na vida. Se isso nos parece óbvio e fácil é porque não levamos a sério a proposta de Jesus. Não é fácil lidar com os perdidos da vida, pois eles exigem de nós um gasto extra de energia. Olhemos para nossas famílias e veremos essas ovelhas perdidas. Atenção! Hoje, podemos ser os pastores que vão buscar a ovelha, mas nada impede que, amanhã, precisemos que alguém vá atrás de nós. Como é bom que alguém se importe conosco! Eis a ocasião, então, para fazermos aos outros o que gostaríamos que fosse feito a nós. Só quem foi encontrado pelo Grande Pastor poderá ter a vitalidade necessária para buscar a ovelha perdida!

Mt 18,15-20: “SE TEU IRMÃO PECAR CONTRA TI, VAI CORRIGI-LO, TU E ELE A SÓS!” 

Essa Palavra de hoje é o locus classicus da correção fraterna. O que é a correção fraterna? É a prática da obra de misericórdia espiritual de corrigir os que erram, feita de forma fraterna. Entre o omisso e o “chato de plantão”, está a sentinela do irmão, aquela pessoa que se importa com o outro e sabe o momento de pontuar o que está errado nas atitudes dele. Aqui não cabe a desculpa de que não posso tirar o cisco do olho do irmão porque tenho uma trave no meu. Se amo verdadeiramente o outro, reconheço minha trave, mas sinalizo para meu irmão “o cisco” dele. Sem amor pelo outro não há possibilidade de correção fraterna. Quem ama se importa que o outro esteja no erro. Os amigos omissos não nos ajudam. Como princípio, é melhor “avermelhar” uma vez que “amarelar” pelo resto da vida. É melhor um constrangimento do que o amargor de uma negligência. Em cada ocasião, peçamos a Sabedoria que vem do Espírito para sabermos as palavras adequadas e o momento oportuno para ajudarmos os que estejam no erro. Estejamos abertos a que também nos corrijam.

Mt 18,21 – 19,1: “NÃO DEVIAS TU TAMBÉM TER COMPAIXÃO DO TEU COMPANHEIRO?” 

Até quantas vezes? Essa é uma pergunta legalista e não cristã. É da essência do Cristianismo a lei da abundância – Deus é sempre abundante. A busca do limite para fazer o bem, para ficar quite com a regra, é farisaico. O amor ama sempre, pode amar de forma diferente em circunstâncias diferentes, mas nunca se cansa. Na Palavra de hoje, Jesus toca um ponto sensível de nossas relações: o perdão. Todos nós queremos ambientes harmoniosos e relações satisfatórias. Mas há um preço a pagar, que é a dose de mal que cada um tem que se comprometer a sanar com o perdão para purificar as relações. O perdão não é dado porque o outro merece, mas porque todos precisam dele: Quem perdoa, quem é perdoado e o ambiente em torno de nós. A dificuldade de perdoar está ligada à falta de percepção de que somos membros uns dos outros e todos “de barro”, podendo causar males uns aos outros. Cada um tem a responsabilidade de oferecer sua parcela de perdão para o mundo ser menos poluído espiritualmente. Pensemos nisso!

Mt 19,3-12: “NEM TODOS SÃO CAPAZES DE COMPREENDER ESSA PALAVRA.” 

A Palavra de hoje se refere a situações definitivas: casamento e virgindade consagrada. O amor entre duas pessoas, se houver a entrega no casamento, não permite voltar atrás, desistir do outro. As mudanças acontecem, novas situações aparecem, mas o amor deverá sustentar a busca de dar vida ao outro, de acompanhar o outro em todos os momentos, particularmente, nos difíceis. Essa é uma Palavra exigente, porque determina que superemos a tentação de viver como meta do casamento a vida gostosa, para vivê-lo como lugar de santificação, de amor mantido. Este amor tira o casamento da tirania da paixão passageira, das expectativas egocêntricas. Quanto à virgindade pelo Reino, é uma vocação ao lado do casamento. Como toda vocação, ela tem um valor a partilhar com os outros. O valor da vocação virginal é o grito profético do primado de Deus, de que Ele está em primeiro lugar, e a relação com Ele é capaz de plenificar uma vida como o casamento o é, tendo a mesma exigência de fidelidade. Que compreendamos isso!

Mt 19,13-15: “FORAM-LHE TRAZIDAS CRIANÇAS PARA QUE LHES IMPUSESSE AS MÃOS.” 

Jesus é o portador da bênção. Ele mesmo é a grande bênção que o Pai nos deu. Todos acorrem a Ele: as crianças são trazidas para que Ele imponha as mãos sobre elas e lhes faça uma oração. Por que os apóstolos as repreendem? O texto não deixa claro, mas o incômodo causado a Jesus, por se sentirem as crianças demasiadamente à vontade, pode ser o motivo. As crianças desmascaram certa rigidez e formalismo religioso que temos. Certas posturas e linguagens politicamente corretas do nosso jeito religioso são quebradas pelas crianças ou por pessoas que, no coração, se parecem com elas. Ouvi, um dia, uma oração de um jovem dependente químico, que me fez pensar. Primeiramente, pensei na ousadia dele. Depois, pensei na verdade daquelas palavras. Dizia algo como: “Jesus, se você é quem dizem, então, você deve estar muito feliz, pois eu estou aqui e assim você tem alguém que não merece e que você pode amar”. Confesso que não teria este atrevimento, mas até que gostei da oração dele!

Mt 19,16-22: “MESTRE, QUE FAREI DE BOM PARA ENTRAR NA VIDA ETERNA?” 

Essa Palavra testemunha alguém entusiasmado, mas que não conseguiu ver em Jesus o tesouro pelo qual valia a pena abrir mão de tudo. Mais que algo a fazer para ganhar a vida, seria necessário retirar tudo o que impedisse que Deus fizesse a obra na sua vida, tudo que pudesse colocar Deus em segundo lugar. Enquanto estava a vida sob controle, ele aceitou bem as exigências, mas quando lhe foi pedido abrir mão de tudo, ele fracassou. O Cristianismo exige a radicalização da obediência. A pobreza no Cristianismo não é ascese, é dispor-se para Deus, deixar terreno livre no coração para que o querer divino não encontre adversário. Se algo se entrepõe entre nós e a vontade de Deus, precisa ser removido. A Palavra de hoje enfoca um homem cumpridor dos mandamentos, mas não disposto à medida sem medida na obediência. Nós também queremos vida eterna. Nossos critérios de vida justa precisam passar pelo crivo das exigências claras e diretas do Evangelho.

Mt 19,23-30: “UM RICO DIFICILMENTE ENTRARÁ NO REINO DOS CÉUS.” 

A bênção de Deus pode vir sobre todas as coisas que temos. Em si, os bens não são um mal. Eles podem ser sempre ocasião para a generosidade e para fazer nascer a ação de graças a Deus no coração de quem recebe o dom. Qual é a armadilha da riqueza? É que ela dá a sensação de segurança e estabilidade. De fato, há certa segurança, mas só aparente, pois o ladrão pode roubar, as traças, corroer, ou a morte chegar; nada pode comprar a vida. Esta segurança alimenta no ser humano o sentimento de independência de Deus, de seletividade com as pessoas, pois as vê como potenciais parasitas dos seus bens. Somos convidados a não colocarmos a esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus (cf. 1Tm 6,17). A vida que buscamos nenhuma “coisa” nos pode dar. Os discípulos perguntam a Jesus: Quem pode se salvar? A resposta é: Ninguém, por si mesmo. Ou seja, a vida da qual os bens são um sinal, exige o total desapego deles para ganhá-la. São os últimos a tornarem-se os primeiros, são os não-seguros deste mundo a conseguirem a plena segurança em Deus.

Mt 20,1-16a "Estás com inveja, porque estou sendo bom?”

Jesus está falando do Reino e da sua lógica. As parábolas são inventadas por Jesus para desconcertar os ouvintes/ leitores. A queixa dos que trabalharam o dia todo não é pelo salário, mas porque foram "igualados" aos outros. Essa palavra deve mexer com quem vive de status, mesmo o religioso. Ainda pode causar incômodo a alguns a liberdade de Deus de salvar quem "seja de outra hora" e não faça parte do "nosso grupo". As palavras e ações de Jesus são criadoras de nova mentalidade. Que essa palavra nos faça refletir!

Mt 20,1-16a: “OU ESTÁS COM INVEJA PORQUE ESTOU SENDO BOM?” 

Deus é justo de modo a não caber nos nossos parâmetros de justiça, pois é próprio do amor, sem contrariar o que é devido, ir além. Deus vai além. A queixa de quem trabalhou mais revela o sentimento de insatisfação não pelo que não recebeu, mas pelo dom feito ao outro. No fundo, ele gostaria de ser a regra para o agir do “patrão” generoso, gostaria de dar as cartas. Quão distante está o sentimento dos que murmuram do sentir do “patrão”! Isso o indica a tristeza deles pelo bem feito. Pensemos: Não é tudo graça? A disputa da vida não é com os outros, é com a gente mesmo, com nossos limites por vezes trazidos para tão perto. É contra o ‘homem velho’ presente em nós que devemos lutar. O ‘homem velho’ é aquele que se move por uma mentalidade de disputa, de necessidade de levar vantagem, de que o outro esteja sempre atrás. Nisso não está a vida! A alegria por estar de pé enquanto um outro está caído não é verdadeira e dura pouco. Aprendamos de Deus a ser magnânimos. Tenhamos a alma grande! Alegremo-nos com os que se alegram!

Mt 22,1-14: “COMO ENTRASTE AQUI SEM O TRAJE DE FESTA?” 

Jesus compara a alegria da vida cristã com a alegria dos noivos no dia do casamento. Que estranho haver quem não aceite esse convite festivo! Mas é assim, para ir a essa festa, é preciso renunciar aos ‘banquetes de Herodes’, ou seja, é preciso apostar que aquela é, de longe, a melhor festa. Quem está disposto a renunciar às conveniências? Também é preciso dar crédito a quem nos convida. Mas não para aí. Não se pode ir a essa festa como curioso, ou do tipo “já que não tem nada para fazer...” Não! Essa festa exige uma veste especial. Que veste é essa? É a veste da escolha livre, total, cheia da certeza moral de que não há nada melhor a fazer do que estar nessa festa preparada para o Filho. Aqui está a novidade do Cristianismo: uma festa oferecida de graça (dom). Ninguém vai a essa festa porque fez algo, ou porque tem algum dote prévio. Porém, aos convidados se pede que se vistam adequadamente (fé obediente). Caríssimos, vivamos uma vida cristã intensa, encorpada, mas não pesada, como quem parece mais empregado da festa do que um alegre conviva dela.

Mt 22,34-40: “AMARÁS O SENHOR TEU DEUS DE TODO O TEU CORAÇÃO.” 

Quem ama é o que melhor obedece à Lei. O amor de que se fala aqui não é o sentimento de satisfação por alguma relação. O amor aqui se refere às atitudes voltadas para o que é bem e verdadeiro, na relação com Deus e com o próximo. A essência do que devemos praticar está aqui explicitado: amar a Deus e ao próximo. Como se ama a Deus? Obedecendo a Ele. Daí a necessidade de conhecermos a vontade de Deus. No adequado amor ao próximo, praticamos, de uma só vez, o primeiro e o segundo mandamento: obedecemos a Deus e buscamos o bem do próximo. Amar é querer e realizar o bem verdadeiro para outro. O desejo do bem para outro deve mover as atitudes. Por vezes, não fazemos o mais agradável ou mais desejado pelo outro, mas a motivação é este importar-se que o outro experimente a plenitude de vida. Sem colocarmos Deus em primeiro lugar acabamos por amar de modo errado o outro. Sem amarmos o próximo, nosso pretenso amor a Deus é vazio.

Mt 23,23-26: “FILTRAIS O MOSQUITO, MAS ENGOLIS O CAMELO.” 

Essa Palavra hoje é dita a mim e a você. Como nos vemos no espelho dessa Palavra? Ela toca nossos escrúpulos com coisas menos importantes e o pouco zelo com as importantíssimas. O critério de importância é dado por Jesus. O “mosquito” indica coisas pequenas, secundárias; o “camelo” as coisas grandes (justiça, misericórdia e fidelidade). Quem vive o essencial, consegue ser maleável no acidental. Quem é duro nas coisas menos importantes, talvez tenha perdido o foco. Não aconteça que, em nome do que julgamos ser certo, faltemos com o amor! O evangelho requer de nós conversão profunda, para ter a mente de Jesus, os seus critérios de valor. Senhor, dá-nos o conhecimento da verdade e a força do Espírito para vivê-la. Amém!

Mt 23,27-32: “SOIS SEMELHANTES A SEPULCROS CAIADOS.” 

Para a sobrevivência social, para sermos acolhidos no ambiente em que vivemos, somos propensos a criar uma máscara que agrade ao grupo: jeito de vestir, atitudes que se esperam de nós, fuga de reações que destoam. Há um nível natural de adequação do qual ninguém foge. A Palavra de hoje alude a pessoas mal intencionadas, nas quais a máscara funciona como armadilha para o próximo. Elas atraem pelo disfarce, pelas ideias boas; estão até dispostas a condenar o mal feito por outros. Essa Palavra é dirigida a mim e a você neste dia. Como é nosso coração, nosso interior? Como nos percebemos na relação com os outros? O que dizem as pessoas que convivem mais próximas de nós, aquelas que nos conhecem? Você se sente aprovado no seu jeito de ser ou finge uma bondade que não é real? Temos nossas dificuldades, mas ninguém está dispensado para enganar o próximo. Se escolhermos um estilo de vida, sejamos responsáveis, mas não sejamos armadilha para o outro. Que as pessoas se aproximem de nós não pela nossa máscara, mas pelo que somos realmente. Se o que somos não está adequado ao Evangelho, convertamo-nos.

Mt 24,42-51: “VIGIAI, PORQUE NÃO SABEIS O DIA EM QUE CHEGARÁ VOSSO SENHOR.” 

Dormir na vida é cômodo, mas a negligência é também culpável. Vigiar é estar acordado. A vigilância é sobre nós mesmos. São Filipe Neri costumava dizer: “Jesus, cuidado com o Filipe, porque ele pode te trair a qualquer momento.” Somente é vigilante quem percebe a responsabilidade de viver e é consciente do mal que pode fazer a qualquer momento. A vigilância cristã não está voltada para um evento do futuro, ela é cheia de responsabilidade com o momento presente. A incerteza do dia e da hora gera uma tensão moral salutar: somos servos que devem estar atentos; somos administradores de quem se espera fidelidade e dela deveremos prestar contas. Atenção! Aquele que esperamos no futuro é o mesmo que deu a vida por nós, nos amando até o fim e que caminha conosco. Ele investiu em nós o sangue dEle, nos deu talentos e nos sustenta com a graça. É justo que nutra o desejo de que nos encontre vigilantes na vida.


Mt 25,1-13: “VIGIAI, POIS NÃO SABEIS O DIA, NEM A HORA.” 

A imagem da porta que se fecha é eloquente, indica o término da história de cada um. Hoje, a Palavra cita a insensatez e a prudência na vida. A falta de senso se manifesta numa vida superficial e irresponsável. A prudência não tira nada da gostosura da vida, mas lhe acrescenta uma solenidade, uma densidade para cada momento. O que deve ser, seja imediatamente feito. O “óleo” da nossa parábola é algo essencial, do qual não se pode abrir mão e não se improvisa. Existe algo na vida que ninguém pode fazer por nós. Os companheiros de viagem não dispõem daquela sobra de “óleo”. Esse empreendimento faz parte daquelas responsabilidades que se reservam a cada um e ninguém nos substitui. Há tarefas na vida que são feitas com antecedência: o cuidado com a salvação compõe-se de um conjunto de atitudes que nos acompanham na vida, não se improvisa. Temos que treinar nossa vontade rebelde para nos submetermos a Deus e dispor nosso coração egoísta para amar o próximo. A vida não se constrói com o “daqui a um tempo”. Não temos isso à nossa disposição. Que o Esposo nos encontre com as lâmpadas acesas!

Fonte: Pe. José Otácio Oliveira Guedes.

Reflexão do Evangelho de João 3,13-17 e João 19,25-27

Jo 3,13-17 "Assim Deus amou o mundo: a ponto de dar o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna". Jesus nos é dado pelo Pai como sinal de um amor generoso. Na mesma linha de amor até o fim, Jesus chega ao dom da vida na cruz por nós. É nesse dinamismo de amor que o discípulo é convidado a entrar. Isso só é possível se comermos o fruto da árvore da cruz: o amor que redime nosso coração ferido. Sintamo-nos amados, queridos por Deus. Sem esse amor-fonte que nos precede, cansaremos logo. Pensar no movente de fundo das escolhas de Jesus, pode nos ajudar a sairmos da estreiteza de um amor cheio de medidas para amar mais. O "mundo", amado por Deus, continua necessitando ser ajudado a reconhecer-se amado. Esse amor chegará ao mundo mediado pelo coração dos discípulos, aqueles que aceitam viver uma existência cruciforme.


Jo 19,25-27: "JUNTO À CRUZ DE JESUS ESTAVA DE PÉ SUA MÃE". Este fato é cheio de significado. Quem tem coragem de ficar ‘junto à cruz de Jesus’? Não há como ficar ‘junto’ sem completar na carne algo dessa entrega. Ficar “junto à cruz de Jesus” não é somente ficar num lugar físico, é uma escolha de vida plena de consequências. Nossa natural fuga da dor encontra nesse ícone formado pela Mãe, o Filho e o discípulo um quadro impactante. O que está acontecendo ali? Pessoas cuja confiança vai além da dor; bebedores do “cálice” que o Pai preparou. O discípulo está ali pra receber tudo que o seu Senhor Crucificado lhe deixar como legado. O que deixa? Deixa o sangue redentor, deixa o testemunho de ser consequente com a entrega, deixa a Mãe; ele deixa a Mãe para o discípulo! Por que a confia ao discípulo? A Mãe é a crente que, em estágio máximo, vive a co-entrega. Eis a nossa missão: entregar-nos com Cristo, por Cristo e em Cristo ao Pai em favor de seu Corpo, a Igreja; isso a Virgem Maria já viveu.

Fonte: Pe. José Otácio Oliveira Guedes.

Reflexão do Evangelho de Lucas de 1,26-38 à Lucas 10,38-42

Lc 1,26-38 “EIS A SERVA DO SENHOR!”. A docilidade da criatura ao Criador é a essência da fé. Na vontade de Deus está a palavra que sustenta o sentido da existência humana. No sim de Maria está sustentada nossa salvação. Se nenhuma criatura disser um sim incondicional a Deus, não há encarnação e toda a criação continua a gemer sem a esperança da páscoa. No sim da criatura Maria, o sim de amor eterno de Deus se ancora na nossa história e se torna a chance aberta para nós. Senhor, pela tua encarnação, dá-nos a força interior para dizer e sustentar nosso sim à vontade de Deus. Amém!

Lc 4,16-30: “NENHUM PROFETA É ACEITO NA SUA PRÓPRIA TERRA”. Jesus veio para os Seus, mas eles não O acolheram. Isso vale para os nazarenos, mas vale também para a humanidade que vive o terrível drama da recusa de Deus. O jeito de Deus ser em Jesus não é acolhido. Jesus não atendeu às expectativas, porque na raiz delas estava o encurtamento da esperança: “Faça o que fez!” Dois erros cometem os nazarenos: dar ordens a Deus e querer que seja repetitivo. O Inimigo é repetitivo, Deus é criativo! A profecia é grávida de uma perspicácia divina: no coração de uma assembleia atenta – olhos fixos -, encontra-se o germe da idolatria. Por quê? A quem podemos manipular e, ao mesmo tempo, chamar de “Deus“? A um ídolo. O ídolo é o deus que criamos, adequado às nossas exigências do momento. Louvemos a Deus por essa Palavra, palavra profética que nos mostra, na tranquilidade do sistema, a ponta do fio que desenovela nossa disposição tão interesseira na relação com Deus. Jesus defende a liberdade de Deus para que sejamos livres da nossa mesquinhez. Acolher Deus tal como Ele vem, nos fatos e pessoas, exige conversão. Jesus mostra como a idolatria está perto de nós, como o que é útil, conveniente e prazeroso nos conquista e nos faz rejeitar tudo o que possa destoar dessa expectativa. A tentação do “bezerro de ouro” está sempre à espreita do coração humano.

Lc 4,31-37: “ELE DÁ ORDENS COM AUTORIDADE E PODER AOS ESPÍRITOS IMPUROS E ELES SAEM.” Ontem, encontramos Jesus na sinagoga em Nazaré e Ele nos disse que veio “para proclamar o ano da graça de Senhor”. Hoje, Ele começa a mostrar em que consiste esse ano jubilar: o poder do espírito do mal é silenciado e retirado da vida de uma pessoa. Esse poder do Maligno estava na Sinagoga, lugar de oração. Isso nos ensina que nenhum lugar, por si mesmo, é limite para a ação do Mal. Só em um lugar Satanás não tem poder: em Cristo. O Mal não tem poder sobre Jesus. O Espírito Santo, com o qual Jesus foi ungido, é a força do Bem e de Luz diante da qual o mal e as trevas dissipam-se. Ocupemo-nos de estarmos “em Cristo”, na obediência à palavra escutada, na comunhão do Corpo de Cristo eclesial e sacramental. Não nos preocupemos com Satanás, pois ele não terá poder sobre nós. Senhor, cremos que em Ti somos mais que vencedores e aquele que tem o poder da morte não resistirá à Tua fonte de vida que jorra em nós que cremos em Ti. Amém!

Lc 4,38-44: “ELE IMPUNHA AS MÃOS E OS CURAVA.” A enfermidade mostra a ausência de um bem: a saúde. Jesus veio oferecer a vida plena e os doentes deverão receber o toque de Jesus para serem curados. Jesus cura o ser humano na sua totalidade. A fé é necessária para a cura, de outro modo não haveria a cura total, a cura do coração ferido. “O ano da graça do Senhor” que Jesus inaugura durará eternamente. Já agora podemos experimentar algo da Sua plenitude. Deixemos que Jesus nos toque e levemos muitos outros para que sejam tocados por Ele. Jesus continua nos tocando nos sacramentos vivenciados com fé. Não há nada de mágico, mas há tudo de sobrenatural na vida de quem vive de fé. Amigo, desejo que Jesus te toque hoje. Boa tarde!

Lc 5,1-11: “NA TUA PALAVRA LANÇAREI AS REDES.” Isso quer dizer: em obediência a Ti voltarei a lançar as redes, quantas vezes for pedido. “Pescamos a noite toda” indica toda luta e esforço do ser humano fora da obediência. Quantos projetos de felicidade, quantas estratégias de sucesso, tudo fadado ao falimento. A abundância que interessa vem da obediência. Os objetivos que contam e a felicidade que pacifica o coração não vêm da labuta, mas são dons. Adão pensou que a sabedoria que o igualaria a Deus viria de ‘colher’ o fruto. Jesus ensina que vem de ‘acolher’ como graça a vida. Senhor, dá-nos a graça de um entendimento profundo de quem somos nós e de quem és Tu. Amém!

Lc 5,33-39: “PODEIS OBRIGAR OS CONVIDADOS DO CASAMENTO A JEJUAR, ENQUANTO O NOIVO ESTÁ COM ELES?” O que era velho passou... Que é o vinho novo, senão Jesus e o movimento formado por Ele? O “velho” são as estruturas religiosas e de vida criadas a partir de corações estreitados pela perda da escuta de Deus que é sempre novo. Que sentido tem o jejum para nós? Cremos que o Esposo/Noivo está conosco, mas existem dimensões na nossa vida ainda não ‘casadas’ com Ele. São aqueles espaços em nós que devem ser submetidos ao senhorio de Jesus. Afinal de contas, devemos fazer todo esforço para não impedirmos que Deus nos tome e nos faça santos. O trecho nos lembra de que somos todos convidados para o banquete de núpcias, o Céu. Deste banquete, a Eucaristia é sacramento, que, de modo sacramental, antecipa a alegria da festa que, no céu, nunca mais vai acabar. Alegremo-nos, mas não sozinhos, desejemos que todos participem desta reserva de contentamento. As dores são passageiras, a alegria prometida é duradoura.

Lc 6,1-5: “O FILHO DO HOMEM É SENHOR DO SÁBADO.” Para Jesus, o que interessa não é colher ou deixar de colher espigas, mas se o coração está ou não sob o senhorio de Deus. Ninguém é mais livre que um cristão, pois pela união com Cristo, ele participa da liberdade de Deus. O Cristão vive do essencial, do que gera vida plena. Nossa liberdade está ligada ao senhorio de Jesus. Nossa liberdade só será autêntica se nela se manifestar o senhorio de Jesus. Esta liberdade interior é gerada em nós pela união com Cristo, não por uma superficial subordinação. As muitas exigências podem dar ares de maior religiosidade, mas, na verdade, transfere-se para as práticas uma concepção de Deus como Quem restringe o espaço de liberdade do ser humano. Quem vive a fé seria, então, menos livre. Mas é justamente o contrário o que propõe Jesus: a fé abre um espaço de liberdade em relação ao mundo; as pessoas são parceiras; a criação foi feita boa para nosso bem e Deus é o mais envolvido na nossa felicidade plena. Não nos oprimamos com leis que nós mesmos damos a nós e que não levam à vida, mas expressam nossas doenças espirituais que nos castram.

Lc 6,6-11: “LEVANTA-TE E FICA AQUI NO MEIO!” O homem tinha-se acostumado a se sentar no cantinho, talvez até mesmo grato por estar ali na sinagoga. Porém, é possível que certo constrangimento levasse aquele homem a esconder a mão. Causa sempre um mal-estar que as pessoas descubram alguma imperfeição em nós. Nossa insegurança e medo de que não nos aceitem se descobrirem nosso segredo, nos faz viver na penumbra. De repente, Jesus aparece e diz: “Fica de pé no meio!” Aquelas pessoas nada fizeram pelo homem e estavam a espreitar se Jesus faria algo no dia de sábado. Eram mais zelosos da lei do sábado do que da lei do amor, do bem que aquele homem poderia receber. Nós podemos ser o homem com a mão atrofiada, ou mesmo os zelosos do sábado. Somos propensos a suspender as leis, quando isso nos favorece, ou quando a situação melhor se adequa à nossa cabeça. Quando o zelo perde sua relação direta com Deus, ele tende a se endurecer e a funcionar como uma ideologia. Aqueles homens defendiam o sábado, mas perderam a sensibilidade do bem maior. Mesmo que haja as leis, não estamos dispensados do devido discernimento para verificarmos onde está, realmente, a vontade de Deus. A lei máxima sempre será o amor, o amor que gera mais vida.

Lc 6,20-26: “FELIZES VÓS QUE AGORA PASSAIS FOME, PORQUE SEREIS SACIADOS.” Há uma reserva de insatisfação com o mundo que define o discípulo de Jesus: o mundo não sacia sua fome. Jesus pede para deixarmos tudo e O seguirmos. Ele pede para não levarmos duas túnicas, nem nada que possa dar uma falsa sensação de segurança. O coração humano é escravo e, por vezes, se coloca a serviço de senhores mais variados. Uma vida simples, despojada, não é privilégio para algum asceta sobre-humano, mas é um convite inerente ao discipulado. No Cristianismo, a pobreza não é ascese, é disposição para o Reino. “Ai de vós, ricos!” Jesus não pretende ser politicamente correto. Ele vai logo às questões mais profundas do coração humano: a busca da segurança e da vida tranquila. Em si, a riqueza não é um problema, mas os bens se aproveitam do nosso ‘coração escravo’ e tomam o lugar do amor a Deus e da liberdade que precisamos para amar o próximo e servi-lo. Temos um coração livre? Pensemos nisso!

Lc 6,27-38: “SEDE MISERICORDIOSOS!” Em Deus, misericórdia e justiça se identificam, pois Deus é simples. O que nos permite um juízo duro com os outros? Nossa pretensão de sermos melhores; de sermos pessoas boas, que se não fazem o bem, o mal jamais; querer que a cabeça do outro seja como a nossa. Ah, se tivéssemos espelho! Então, Jesus nos diz hoje: “Sede misericordiosos, não julgueis, não condeneis, dai com generosidade”. Estas são atitudes fortes para com o próximo. A misericórdia é profundamente realista, pois se funda sobre a realidade de que todo ser humano traz na raiz mais profunda do seu ser a imagem e semelhança de Deus. A reserva de bem da pessoa humana é sempre maior que o mal que ela manifesta. A marca de amor que Deus imprimiu só está empoeirada – por vezes muito empoeirada! –, podendo sempre ser reativada. Saímos das mãos de Deus como fonte límpida. Já a rede de humanidade que nos acolhe não é íntegra; e nós mesmos nos encarregamos de colocar lixo nessa fonte com as escolhas que vamos fazendo ao longo da nossa história. Não subestimemos a força da Luz que penetra nas frestas de generosidade, a força dos pequenos gestos gratuitos.

Lc 6,39-42: “TIRA PRIMEIRO A TRAVE QUE ESTÁ NO TEU OLHO.” Essa Palavra nos convida a ver as pessoas como Jesus as via, na sua verdade mais profunda. Não um olhar ‘moral’, apressado em dar um juízo, mas um olhar naquilo que mais profundamente a pessoa é: imagem e semelhança de Deus. Jesus pede que nos ocupemos da nossa cegueira, de que percebamos que somos todos de barro, podendo acontecer que, o que quero corrigir no outro não passe de um cisco em comparação com a gravidade do que não estou percebendo em mim. Superemos a tentação de sermos verificadores da moralidade dos outros. Ocupemo-nos em amar as pessoas, pois isso as ajudará mais. Quem não se ocupa verdadeiramente com o caminho da própria santificação, dificilmente, terá condições de ajudar os outros naquilo que importa para o crescimento delas; quando muito será um “chato de plantão” a apontar para o mal que está fora de si, não percebendo a porção de mal que está dentro de si. Sejamos como o Mestre, que via as pessoas com a lente de Deus.

Lc 6,43-49 “NÃO HÁ ÁRVORE BOA QUE DÊ FRUTO MAU”. A metáfora da árvore é forte. O coração deve ser trabalhado, transformado. É um nível muito profundo, muito difícil. Seremos sempre tentados a desistir e a deixar tudo como está. Mas todos somos chamados ao empenho pela vida plena, pela busca do projeto originário de Deus sobre nós, sem nossas máscaras. Não há na Palavra de Jesus um determinismo, como se a árvore má estivesse determinada a ser sempre má. De modo algum! Jesus aposta na nossa conversão, por isso deu a vida por nós. Mas nossas atitudes mostram nosso coração, pois “o agir segue o ser". Que árvore somos? Como está nosso centro existencial? De outra parte, a metáfora da construção da casa ilustra nossas escolhas, o que valorizamos na vida. Uma vida superficial não subsiste às tempestades e nós nos desesperamos, pois as colunas rasas, que, num determinado momento, foram cômodas, se mostram insuficientes. Mas é sempre tempo de retomar e redimensionar a vida. Não deixemos para depois. Façamos hoje escolhas fortes e generosas. Quais? Aquelas simples e bem concretas que Deus nos pede no momento presente.

Lc 7,31-35: “TOCAMOS FLAUTA PARA VÓS E NÃO DANÇASTES!” Jesus alude às pessoas que não se comprometem com a verdade mais profunda da vida, encontram sempre seus motivos para administrarem uma vidinha medíocre. Parecem crianças pirracentas que querem tudo do seu jeito; às vezes nem têm um jeito e se queixam de tudo. João Batista é o ícone da dimensão exigente da vida religiosa e Jesus é o ícone do dom, da graça, do fardo leve. Jesus é a ‘flauta’; João, o ‘canto de luto’. O dom, quando acolhido, exige comprometimento vivencial. O problema de não acolher a vontade de Deus dada é querer inventar um evangelho na própria medida, mas que não nos salva. O Evangelho se coloca diante de nós como uma proposta oferecida, somos convidados a segui-lo. A fé tem luz suficiente para quem quer ver; mas há trevas suficientes para quem não quer ver. As “coisas” de Deus são sempre respeitosas da liberdade humana. Fiquemos atentos a não justificarmos escolhas não cristãs, pois quem não vive como pensa acaba por pensar como vive, ou seja, justifica a própria prática. Que acolhamos e “dancemos” de acordo com a “música” que Deus tocar para nossa vida!

Lc 7,36-50: “ELA DEMONSTROU MUITO AMOR.” Há pessoas que, envenenadas pela sua condição social, não se permitem ser agradecidas; não há espaço para gestos gratuitos, sentindo-se sempre enaltecido diante de outra pessoa. Quem se acha importante, confiando em si, amará pouco, pois julgará desnecessário algo mais que sua ilibada pessoa já seja. Não é assim que agiu Simão, o fariseu? Há pessoas, por outro lado, que acham que nada merecem, e não há nem queixa se lhes falta atenção, afinal de contas, ninguém a elas deve nada. Por se perceberem não merecedoras, desdobram-se em iniciativas para agradarem. Não foi isso o que fez a pecadora? Ela não confiou na sua moralidade para chamar a atenção do Mestre. O que pode fazer? Amá-lO! Essa passagem interroga a mim e a você sobre os nossos detalhes de amor por Jesus, sobre o zelo com as “coisas” dEle, a começar pelos pobres dEle. Como está nosso trato com Ele na oração? Que lugar tem a reflexão sobre o que é eterno em nossa vida? Amemos muito, pois no amor está o vínculo da perfeição.

Lc 8,1-3: “OS DOZE ESTAVAM COM ELE, ASSIM COMO ALGUMAS MULHERES.” Às mulheres, como aos homens, Jesus concedeu a graça de poder acompanhá-lO. Aqui não há espaço para disputa de “direitos”, mas novamente de gratidão por tal dom. Jesus aceitou os dons das mulheres como expressão da providência do Pai que cuida de seu Filho que não há onde reclinar a cabeça. Jesus graciosamente acolhe o gênio masculino e o feminino entre seus seguidores. Se a todos esta palavra fala, particularmente às mulheres cabe, com coração agradecido, refletir sobre sua participação na família e na comunidade cristã. As mulheres são sacramento da Igreja, porque no “sim” da mulher Maria está a essência da Igreja. A essência da Igreja é sua abertura a ser fecundada por Deus para continuar gerando no mundo a Palavra eterna. Maria é mais que Pedro na Igreja. Pedro simboliza o que não é: a sólida pedra da unidade. Maria, com sua atitude de total disposição à vontade de Deus, é realidade simbólica de toda a Igreja.

Lc 8,4-15: “OUVINDO A PALAVRA COM CORAÇÃO NOBRE E GENEROSO, CONSERVAM-NA.” Essa Palavra ilustra as possíveis atitudes das pessoas na relação com Jesus, a Palavra de Deus. Mas também pode se referir a momentos da nossa vida. Há momentos de superficialidade, quando trocamos a primogenitura por um prato de lentilhas. Há momentos em que a euforia de um encontro, de um retiro espiritual ou uma pregação nos fazem pensar que somos totalmente de Deus e aí, vem uma situação adversa e vemos que nossos fundamentos não eram tão profundos assim, que não éramos aquele “cristãozão” todo que acreditávamos ser. Outras vezes, nós nos vemos tirando Deus do centro da nossa vida, pois as “coisas” ou afetos não nos permitem chegar à maturidade cristã. Estamos sempre de novo encontrando Deus na periferia da nossa vida. Temos que admitir que há tempos, quando a generosidade com Deus encontra maior espaço em nossa vida e aí produzimos muito para a glória de Deus. Sem dúvida, não é saudável espiritualmente estarmos sempre relaxados, vivendo momentos de instabilidade. É preciso que paremos e tomemos decisões sérias, se, de fato, queremos ser discípulos de Jesus, conscientes de Suas exigências. Senhor, queremos sempre produzir frutos pela perseverança. Amém!

Lc 8,19-21: “MEUS IRMÃOS SÃO OS QUE OUVEM A PALAVRA DE DEUS E A PÕEM EM PRÁTICA.” O vínculo mais forte que nos une a Jesus é a obediência à vontade de Deus. Qualquer pretensão de ‘ser salvo’ que não passe pela renúncia da própria vontade é ainda vanglória e presunção. Louvo a Deus pelo testemunho de uma multidão de pessoas que, com a vida, nos diz que é possível obedecer. Neste grupo, destaca-se a Virgem Maria, cujo título de honra é o de ser serva do Senhor. Sua maternidade divina não seria possível sem sua acolhida irrestrita à Palavra de Deus na sua vida: a Palavra só foi gerada no seu ventre, porque, antes, foi gerada no seu coração de mulher de fé. Renovemos nosso desejo de sermos obedientes a Deus; confiemos à Sua misericórdia nosso passado, ao Seu amor nosso presente, e à Sua providência nosso futuro (cf. São Padre Pio). Obrigado, Senhor, por estar no mesmo Corpo em que estão os santos e santas, do qual és a Cabeça. Amém.

Lc 9,1-6: “DEU-LHES PODER E AUTORIDADE SOBRE TODOS OS DEMÔNIOS.” Jesus dá aos apóstolos autoridade para expulsar demônios e curar doenças. São assistidos na luta contra o Mal e os males. A existência do demônio faz parte de um conjunto de elementos apreendidos pela revelação bíblica e que dá razoável sentido ao que experimentamos. Nessas verdades estão: a bondade da criação, o pecado original, a existência dos demônios e o desejo do céu. Dos textos bíblicos, colhemos que os demônios são seres espirituais, cuja missão é se entrepor entre nós e Deus, entre nós e o projeto de vida plena de Deus para nós. Isso é possível? A experiência mostra pessoas que fazem escolhas contrárias à vida plena. Mas, não bastaria o livre arbítrio para explicar essas escolhas erradas? Às vezes, parece que sim, mas há fatos que saem do nível do razoável. Essa não é a essência da fé, mas é sempre bom saber que, pela nossa união com Jesus, dEle recebemos autoridade espiritual sobre qualquer mal. Continuemos a suplicar: "livra-nos do Mal!", sabendo que nada, por si mesmo, pode nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Lc 9,7-9: “QUEM É ESSE, DE QUEM OUÇO TAIS COISAS?” Este é Jesus, Aquele que se tornou nosso Irmão na carne e no sangue para que fôssemos irmãos dEle segundo o Espírito. A pergunta supõe margens estreitas, apresentando dificuldade para reconhecer Deus na humanidade de Jesus de Nazaré. Ele é nosso Deus! NEle há a realização plena do humano, o caminho adequado para agradar ao Pai, o desabrochar do sentido da vida como dom de si. Em Jesus, está nosso ambiente vital. Fora dEle, o deserto e a morte; nEle, fontes de água viva que fecundam nossas experiências, fazendo com que passemos do vazio da morte para a plenitude pascal. Quem é esse? Ele é o único capaz de dar uma resposta razoável ao enigma que somos e que vivemos. Fora dEle, criamos soluções capengas, porque não verdadeiras. Jesus é o Senhor para a glória de Deus Pai. Amém!

Lc 9,18-22: “E VÓS, QUE DIZEIS QUE EU SOU?” Quem é Jesus? Da resposta a essa pergunta depende nosso estilo de vida. Não respondê-la, não resolve, pois não responder é dar vivencialmente um retorno, do tipo: não me interessa. Neste caso, o silêncio não é desculpável. A vida de muitas pessoas mudou pela relação com Jesus. Como imaginar um fenômeno como a vida dos santos sem uma clara resposta a essa pergunta? Seria uma insanidade! O conhecimento da fé vai além de informações recebidas. Hoje, fala-se de um conhecimento “performativo”, que marca a vida na sua estrutura mais fundamental, nos valores mesmos. A resposta de Pedro – “Cristo de Deus” – é regra para nossa resposta. Essa resposta é pessoal, mas não inventada pela pessoa. Ela é recebida de outras que creram antes de nós. Sem este vínculo com outros crentes, não há propriamente fé cristã. A proibição do anúncio foi até sua ressurreição. Hoje, somos exortados a anunciar. O que anunciar? Que Jesus é o Messias, morto por nós e confirmado pelo Pai na ressurreição que nos justifica, estabelecendo uma relação adequada entre nós e Deus, pela nossa fé.


Lc 10,38-42: “UNICUM NECESSARIUM.” Talvez, a grande liberdade interior se consiga quando se experimenta essa “única coisa necessária”. Marta é o paradigma da pessoa que não encontrou o “único necessário”. Ela pensa que a vida vem da sua luta, do muito agitar e do corre-corre. Maria está sentada e ela sabe que aquilo de que mais necessitamos nos é dado de graça. No caso dela, está ali diante de si: Deus. Não temos que cruzar os braços, mas não podemos deixar o ranço de ‘Babel’ nos tomar. “Se o Senhor não construir a casa, em vão trabalham os construtores. Se o Senhor não vigiar nossa cidade, em vão vigia a sentinela” (Sl 127,1). Que o Espírito Santo nos permita entender e vivenciar esta Palavra. Amém!

Fonte: Pe. José Otácio Oliveira Guedes