O templo existe «para adorar Deus». Exatamente por isso é «ponto de referência da comunidade», composta por pessoas que são elas mesmas «um templo espiritual onde reside o Espírito Santo». Foi uma meditação sobre o «sentido verdadeiro do templo» que o Papa Francisco propôs na homilia da missa celebrada na manhã de sexta-feira, 22 de Novembro, na capela da Casa Santa Marta.
Como acontece habitualmente, a reflexão do Pontífice inspirou-se na liturgia da Palavra, em particular no trecho tirado do primeiro Livro dos Macabeus (4, 36-37.52-59) – que fala da reconsagração do templo realizada por Judas – e do trecho evangélico de Lucas que narra a expulsão dos mercantes do templo (19, 45-48).
A reconsagração e purificação do templo por parte de Judas Macabeu – explicou – não foi a primeira que, nas vicissitudes da história; ele foi «destruído» inclusive durante as guerras pois «recordamos também que Neemias realiza a reconstrução do templo». E assim Judas Macabeu, depois da vitória, pensa no templo: «Eis que foram derrotados os nossos inimigos: vamos reconstruir e reconsagrar o santuário». Uma purificação e reconsagração necessárias «porque os pagãos tinham utilizado o santuário para o seu culto». Portanto, «deviam purificar e reconsagrar».
Para o Papa Francisco a mensagem de fundo «é muito importante: o templo como lugar de referência da comunidade, lugar de referência do povo de Deus». E nesta perspectiva o Pontífice fez reviver «o percurso do templo na história», que «tem início com a arca: depois Salomão edifica-o e em seguida torna-se o templo vivo: Jesus Cristo, o templo. E acabará na glória, na Jerusalém celeste».
«Reconsagrar o templo para que ali seja dada glória a Deus» é portanto o sentido essencial do gesto de Judas Macabeu, precisamente porque «o templo é o lugar onde a comunidade vai rezar, louvar o Senhor e dar graças, mas sobretudo adorar». De facto, «no templo adoramos o Senhor». Este é o ponto mais importante», afirmou o Papa. E esta verdade é válida para todos os templos e cerimônias litúrgicas, onde o «mais importante é a adoração» e não «os cânticos e ritos», por mais bonitos que sejam. «Toda a comunidade reunida – explicou – olha para o altar onde se celebra o sacrifício e adora. Mas penso, humildemente digo, que talvez nós cristãos tenhamos perdido um pouco o sentido da adoração. E pensamos: vamos ao templo, reunamo-nos como irmãos, é bom, é bonito. Mas o centro é ali onde está Deus. E nós adoramos Deus».
Portanto, o Papa Francisco convidou a aproveitar a ocasião para reconsiderar a atitude que devemos ter: «Os nossos templos – perguntou – são lugares de adoração? Favorecem a adoração? As nossas celebrações favorecem a adoração?». Judas Macabeu e o povo «zelavam pelo templo de Deus porque é a casa de Deus, a morada de Deus, E eles reuniam-se em comunidade para ali se encontrar com Deus, para o adorar».
Como narra o evangelista Lucas «também Jesus purifica o templo», fazendo-o com o «chicote na mão». Põe-se a expulsar «os comportamentos pagãos, neste caso dos mercantes que vendiam e tinham transformado o templo em pequenas lojas para vender, trocar moedas e dinheiro». Jesus purifica o templo, advertindo: «Está escrito: a minha casa será casa de oração» e «não de outra coisa. O templo é um lugar sagrado. E devemos entrar nele, na sacralidade que nos leva à adoração. Nada mais».
Além disso, continuou o Pontífice, «são Paulo diz-nos que somos templos do Espírito Santo: eu sou um templo, o espírito de Deus habita em mim. E diz-nos também: não entristeçais o espírito do Senhor que está dentro de vós». Neste caso, frisou, podemos falar de «uma espécie de adoração, que é o coração que procura o espírito do Senhor dentro de si. E sabe que Deus está dentro de si, que o Espírito Santo está dentro de si, que o escuta e segue. Também nós – afirmou – devemos purificar-nos continuamente porque somos pecadores: purificar-nos com a oração, com a penitência, com o sacramento da reconciliação, com a Eucaristia».
E assim, explicou o Santo Padre, «nestes dois templos – o templo material, lugar de adoração, e o templo espiritual dentro de mim, onde habita o Espírito Santo – a nossa atitude deve ser a piedade que adora e escuta; que reza e pede perdão; que louva o Senhor». «Quando se fala da alegria do templo, fala-se disto: toda a comunidade em adoração, em oração de ação de graças, em louvor. Eu em oração com o Senhor que está dentro de mim, porque sou templo; eu à escuta; eu disponível».
O Papa Francisco concluiu a homilia exortando a orar para que «o Senhor nos conceda este sentido verdadeiro do templo para poder ir em frente na nossa vida de adoração e de escuta da palavra de Deus».
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