O SENHOR TE CHAMA


"Gostaria de dizer àqueles e àquelas que se sentem longe de Deus e da Igreja, aos que têm medo ou aos indiferentes:
O Senhor também te chama para seres parte do seu povo, e o faz com grande respeito e amor!" EG, n.113.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

PRÉ-CATECUMENATO: JOVENS E ADULTOS - Catequeses Bíblicas de apelo a conversão de vida e costumes.

5ª CATEQUESE: A BÍBLIA

"As nações andarão à sua luz, e os reis da terra levar-lhe-ão a sua opulência" (Ap 21,24).

A Bíblia, também denominada como, ou, Sagrada Escritura, é a Palavra de Deus. Possui duas partes: Antigo Testamento (AT) e Novo Testamento (NT), que retratam os acontecimentos desde a Criação até a Segunda vinda de Cristo.

Ao contrário do que se pode parecer à primeira vista, ela não é um livro único e independente, mas uma coleção de 73 livros.

A palavra Bíblia provém do termo grego biblios que significa livros, o que demonstra não ser ela um livro único. Assim, quando usamos hoje a palavra "Bíblia" nos referimos a esse conjunto de 73 livros, sendo 46 do AT e 27 do NT. A Bíblia começou a ser escrita por volta do séc. XV a.C., e somente se encerrou no final do séc. I d.C.

COMO ESTÁ ORGANIZADA A BÍBLIA?

Antigo Testamento - É composto de 46 livros. São todos os livros escritos a partir do séc. XV a.C. até o nascimento de Cristo. Contém a Lei de Deus dada a Moisés, a história do povo de Israel e suas reflexões, bem como as profecias da vinda do Messias, que se deu com a vinda de Jesus Cristo.

Novo Testamento - É composto de 27 livros. São todos os livros escritos após a vinda de Jesus até o final do séc I d.C. Trazem a vida e as obras de Jesus, a criação e a expansão da Igreja, além da formação do povo cristão. E também o Apocalipse (Revelação).

Essas duas grandes divisões estão, ainda, subdivididas de acordo com o conteúdo dos livros. Temos assim, para o Antigo Testamento e Novo Testamento:
AT
Pentateuco - Trata-se dos cinco primeiros livros que abrem a Bíblia, também denominados como livros da Lei. Estes livros falam da Criação de Deus, da Lei e da formação de seu povo eleito: Israel.

Livros Históricos - São os livros que descrevem as guerras de Israel, bem como a história de seus reinos.

Livros Sapienciais - Apresentam a sabedoria e a poesia dos hebreus.

Livros Proféticos - foram escritos por profetas que pregavam o arrependimento e preparavam o povo eleito para a chegada do Messias Salvador.
NT
Livros do Evangelho - A palavra "Evangelho" vem do grego "euangélion" que quer dizer "Boa Nova". A Igreja reconhece como canônicos (inspirados por Deus) quatro Evangelhos: Narrados por Mateus, Marcos, Lucas e João. Os três primeiros são chamados de "sinóticos" porque podem ser lidos em paralelo, apresentando uma sinopse da vida e obra de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Atos dos Apóstolos - Foi escrito por São Lucas, médico e companheiro de São Paulo. O Testemunho mais antigo de que Lucas é o autor dos Atos é o chamado cânon de Muratori, do século II. Os Evangelhos apresentam os feitos do Filho, ao passo que os Atos dos Apóstolos descrevem os feitos do Espírito Santo. E segundo São Jerônimo (348-520) d.C., os Atos foram escritos em roma, na língua grega, quando Lucas estava ao lado de Paulo prisioneiro, por volta do ano 63. Os Atos dos Apóstolos são portanto, o primeiro livro de história da Igreja nascente, escrito por uma testemunha ocular dos fatos, que os narrou de maneira precisa. Aí podemos conhecer o rosto da Igreja no primeiro século e sua organização.

Epístolas - São doutrinas e exortações escritas por alguns Apóstolos de Cristo e encaminhadas a comunidades ou fiéis cristãos. As que foram escritas por Paulo foram enviadas para serem lidas em público. Em 1Ts 5,27 há uma alusão a isto. Havia também o intercâmbio das cartas, como se lê em Cl 4,16: "mostrem esta carta para Laodicéia e tragam-a de lá para vocês". Aos poucos as cartas foram colecionadas, e no fim do I século já se tem notícia delas, quando em 2Pd 3,15 se lê "...nosso irmão Paulo vos escreveu conforme o dom que lhe foi dado...". As epístolas católicas (universais) são chamadas assim por se destinarem à Igreja em geral, e não a tal ou qual comunidade, como fizera Paulo. Elas também se originaram da necessidade pastoral, e já no começo do II século estavam incorporada aos outros escritos do Novo Testamento.

Apocalipse - É uma palavra grega que significa Revelação. Este livro foi escrito pelo apóstolo João, que o escreveu no fim de sua vida, mais ou menos no ano 100, sob a forma de uma carta dirigida às Igrejas da Ásia Menor. Este libro é considerado pela maioria dos leitores como o mais difícil de se compreender e o mais misterioso de toda a Bíblia. Com efeito, ele é bastante enigmático, mas sua interpretação pode tornar-se mais clara, ao se levar em conta o gênero literário utilizado pelo autor, e a circunstância em que a obra foi escrita.

Nota: Para melhor entendermos este Livro, sugiro que adquira uma versão atualizada da Bíblia Católica, inclusive para aprender a manusear os seus capítulos, versículos e abreviações dos livros.

PRÉ-CATECUMENATO: JOVENS E ADULTOS - Catequeses Bíblicas de apelo à conversão de vida e costumes.

6ª CATEQUESE: JESUS É A MENSAGEM E O MENSAGEIRO

"Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14,6).

Você sabe o que significa Evangelho? É "BOA NOVA", mensagem alegre, notícia gostosa de ser recebida. Essa mensagem é Jesus Cristo. Evangelho não é um livrinho, parte da Bíblia. É JESUS.

Jesus é, ao mesmo tempo, a mensagem e o mensageiro. Ele mesmo é a boa notícia de Deus para nós.

O REINO DE DEUS CHEGOU.

A vida terrena de Jesus se desenvolve entre dois marcos: ele nasceu no estábulo porque "não havia lugar para ele nas casas" e morreu crucificado "fora da Cidade", onde eram executados os criminosos.

A conduta de Jesus, no transcurso da vida, confirma a opção solidária e preferencial pelos pobres, aflitos, marginalizados e pecadores arrependidos.

Jesus propõe o desprendimento das coisas materiais como caminho para o seu reino. Jesus inaugura sua pregação com estas palavras: "Chegou a hora e o Reino de Deus está perto! Mudem de vida e acreditem no Evangelho".

Este Reino que Jesus anunciou e inaugurou não é uma realidade reservada somente ao céu, na outra vida. O Reino já acontece na terra, em cada ser humano e na sociedade, à medida que os valores do reino prevaleçam sobre outros interesses.

A história da salvação é o fermento que penetra a história humana. Por isso Jesus não fica de fora da vida humana. O Reino de Deus não é, pois, objeto de expectativa passiva. Pelo contrário, anuncia a vontade de Deus, atua na história para mudar a realidade e fazer com que todos nós, seres humanos, vivamos como irmãos.

Vivendo o Evangelho é que vamos descobrir e compreender o Reino de Deus. Encontrar-se com Jesus, no Evangelho, significa participar da inauguração do Reino de Deus.

Jesus diz que a pessoa que descobre o Reino encontra um tesouro, e troca tudo pelo tesouro que encontrou. "O Reino dos Céus é também semelhante a um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra, mas esconde de novo. E, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo" (Mt 13,44; 6,9).

Para seu crescimento procure, leia e reflita:

Lc 2,1-20; 2,8-14; 2,29-32; 4,16-22; 15,1-7;
Mt 2,19-23; 26 ; 27; 28.
Jo 2,1-11; 18,37;
Mc 4,3-32; 4,26-34.

Para refletir em Grupos:

Pesquisar sobre Jesus de Nazaré. Cada grupo lê os textos do Evangelho e debate com base na seguinte pergunta: "O que diz o texto sobre a personalidade de Jesus?".

GRUPO 1: Jesus e seu povo: Mt 9,35-36; Jo 6,1-11; Lc 12,1; Lc 19,47-48.

GRUPO 2: Jesus e seus discípulos: Jo 11,32-36; Jo 13,12-15; Jo 15,15.

GRUPO 3: Jesus e os doentes: Mc 10,46-52; Lc 6,20-23; Lc 18,15-16.

GRUPO 4: Jesus e os pecadores: Mt 9,11-13; Lc 7,36-50; 15,1-7; Jo 8,1-11.

GRUPO 5: Jesus é cheio do Espírito de Deus: Mt 3,16-17; 4,1; Mt 12,28; Lc 4,14-18; Lc 10,21.

Responda em seus caderno de estudos:

1- Fale sobre o significado do Evangelho.

2- Jesus é ao mesmo tempo, a mensagem e o mensageiro. Fale sobre esta afirmação.

3- Fale sobre a opção solidária e preferencial de Jesus. Dê exemplos de como imitá-lo.

4- Ao propor para nós o desprendimento das coisas materiais, o que Jesus quer nos dizer?

"Só tenho de olhar o santo Evangelho, logo respiro os perfumes da vida de Jesus e sei para que lado correr"
(Sta Teresinha do Menino Jesus)

PRÉ-CATECUMENATO: JOVENS E ADULTOS Catequeses Bíblicas de apelo à conversão de vida e costumes.

IV. ENSINAMENTOS (DISCURSOS DE JESUS)

7ª CATEQUESE - AS BEM AVENTURANÇAS
(Mt 5,1-11); CIC 1716-1724.

As bem-aventuranças estão no centro da pregação de Jesus. Seu anúncio retoma as promessas feitas ao povo eleito desde Abraão. Jesus completa, ordenando-as não mais ao simples bem estar gozoso na terra, mas no Reino dos Céus (Lc 6,20-38).

As bem-aventuranças traçam a imagem de Cristo e descrevem sua caridade. Elas exprimem a vocação dos fiéis associados à glória de sua Paixão e Ressurreição, iluminam as ações e atitudes características da vida cristã; são promessas paradoxais que sustentam a esperança nas tribulações; anunciam as bênçãos e recompensas já obscuramente adquiridas pelos discípulos; são inauguradas na vida da Virgem Maria e de todos os santos (CIC, § 1716-1717).

As bem-aventuranças respondem ao desejo natural de felicidade. Este desejo é de origem divina. O homem naturalmente deseja ser feliz, e este desejo foi colocado no coração do homem pelo próprio Deus, a fim de atraí-lo para si, visto que só Ele ode satisfazê-lo.

Deus nos colocou no mundo para conhecê-lo, servi-lo e amá-lo e assim, chegarmos ao paraíso. As bem-aventuranças desvendam o objetivo da existência humana, o fim último dos atos humanos. Deus nos chama à sua própria bem-aventurança.

A bem-aventurança nos faz participar da natureza divina e da vida eterna. Com ela, o homem entra na Glória de Cristo e no gozo da vida trinitária.

O decálogo, o Sermão da Montanha e a Catequese apostólica nos descrevem os caminhos que levam ao Reino dos Céus. Neles nos empenhamos passo a passo pelas ações de todos os dias, sustentados pela graça do Espírito Santo. Fecundados pela Palavra de Cristo, daremos, aos poucos, frutos na Igreja para a glória de Deus.

As bem-aventuranças retomam e completam as promessas de Deus desde Abraão, ordenando-as para o reino dos Céus. Respondem ao desejo de felicidade que Deus colocou no coração do homem. Elas nos ensinam o fim último ao qual Deus nos chama: o Reino, a visão de Deus, a participação na natureza divina, a vida eterna, a filiação, o repouso em Deus.

A bem-aventurança da vida eterna é um dom gratuito de Deus; ela é sobrenatural como a graça que a ela conduz.

"A prometida bem-aventurança nos coloca diante de escolhas morais decisivas para que aprendamos a amar a Deus sobre todas as coisas: " O temor do Senho é o começo da sabedoria; sábios são aqueles que o adoram.

Sua glória subsiste eternamente." (Sl 110,10). Convida-nos a purificar nosso coração de seus maus instintos e a procurar o amor de Deus acima de tudo. Ensina que a verdadeira felicidade não está nas riquezas ou no bem-estar, nem na glória humana ou no poder, nem em qualquer obra humana, por mais útil que seja, como as ciências, a técnica e as artes, nem em outra criatura qualquer, mas apenas em Deus, fonte de todo o bem e de todo amor". (CIC.17823).

Para seu crescimento procure, leia e reflita: Mt 5,1-12
Quantas são as bem-aventuranças?
Fale sobre uma das bem-aventuranças?
Qual o fim último das bem-aventuranças?

As bem-aventuranças nos ensinam: "Para mim acho que a perfeição é fácil de se praticar, porque compreendi que basta pegar Jesus pelo coração..." (Sta Teresinha do Menino Jesus)






quinta-feira, 25 de outubro de 2012

VISITA AO SANTÍSSIMO SACRAMENTO

Meu Senhor Jesus Cristo, que pelo amor que tendes aos homens, permaneceis noite e dia nesse Sacramento, todo cheio de bondade e de misericórdia, chamando, esperando e acolhendo a todos os que vêm visitar-vos: eu creio que estais realmente presente no Sacramento do Altar; adoro-vos do abismo do meu nada e vos agradeço todas as graças que me tendes dispensado até hoje, especialmente a de vos terdes dado a mim nesse Sacramento, de me terdes concedido por advogada vossa Mãe Santíssima e de me haverdes chamado para visitar-vos nesta igreja.

Adoro e saúdo o vosso Coração amantíssimo e o faço por três fins:

primeiro para vos agradecer tão grande dom;
segundo, para reparar as injúrias que recebeis de vossos inimigos nesse Sacramento de Amor;
terceiro, para adorar-vos em todos os lugares da terra, onde permaneceis menos honrado e mais abandonado.

Meu Jesus, amo-vos de todo o meu coração. Arrependo-me de ter ofendido tantas vezes a vossa bondade infinita.

Proponho, com o auxílio da vossa divina graça, nunca mais vos ofender. E agora, miserável como sou, consagro-me inteiramente a vós e vos ofereço o meu coração, a minha vontade, tudo o que possuo.
De agora em diante, fazei de mim o que for do vosso agrado.
Eu não vos peço e não quero senão o vosso amor, a perseverança final e o cumprimento perfeito da vossa vontade.

Recomendo-vos as almas do purgatório, particularmente as que foram mais devotas do SS.Sacramento e de Maria Santíssima.
Recomendo-vos também todos os pobres pecadores.
Finalmente, ó meu amado Salvador, uno todos os meus afetos aos de vosso Coração amantíssimo e, assim, unidos, ofereço-os ao amor, queira aceita-los e atendê-los. Amém.




terça-feira, 23 de outubro de 2012

"A PALAVRA DO SENHOR AVANCE E SEJA GLORIFICADA" (2Ts 3,1)

"Que 'a Palavra do senhor avance e seja glorificada' (2Ts 3,1)! Possa este Ano da Fé tornar cada vez mais firme a relação com Cristo Senhor, dado que só n'Ele temos a certeza para olhar o futuro e a garantia dum amor autêntico e duradouro.

As seguintes palavras do apóstolo Pedro lançam um último jorro de luz sobre a fé: "É por isso que exultais de alegria, se bem que, por algum tempo, tenhais de andar aflitos por diversas provações; deste modo, a qualidade genuína da vossa fé - muito mais preciosa do que o ouro perecível, por certo também provado pelo fogo - será achada digna de louvor, de glória e de honra, na altura da manifestação de Jesus Cristo.

Sem O terdes visto, vós O amais; sem O ver ainda, credes n'Ele e vos alegrais com uma alegria indescritível e irradiante, alcançando assim a meta da vossa fé: a salvação das almas" (1Pd 1,6-9).

A vida dos cristãos conhece a experiência da alegria e a do sofrimento.

Quantos antos viveram na solidão! Quantos crentes, mesmo em nossos dias, provados pelo silêncio de Deus, cuja voz consoladora queriam ouvir! As provas de vida, ao mesmo tempo em que permitem compreender o mistério da Cruz e participar nos sofrimentos de Cristo (cf. Cl 1,24), são prelúdio da alegria e da esperança a que a fé conduz:

"Quando sou fraco, então é que sou forte! (2Cor 12,10).

Com firme certeza, acreditamos que o Senhor Jesus derrotou o mal e a morte. Com esta confiança segura, confiamo-nos a Ele:

Ele, presente no meio de nós, vence o poder do maligno (cf. Lc 11,20); e a Igreja, comunidade visível da sua misericórdia, permanece n'Ele como sinal da reconciliação definitiva com o Pai.

À Mãe de Deus, proclamada "feliz porque acreditou" (cf. Lc 1,45), confiamos este tempo de graça.

Fonte: Porta Fidei, Bento XVI, n.15 § 2.


"PROCURE A FÉ" (Cf.2 Tm 2,22)

"Já no termo da sua vida, o Apóstolo Paulo pede ao discípulo Timóteo que "procure a fé" (cf. 2Tm 2,22) com a mesma constância de quando era novo (cf. 2Tm 3,15).

Sintamos este convite dirigido a cada um de nós, para que ninguém se torne indolente na fé.

Esta é companheira de vida, que permite perceber, com um olhar sempre novo, as maravilhas que Deus realiza por nós.

Solícita a identificar os sinais dos tempos no hoje da história, a fé obriga cada um de nós a tornar-se sinal viva da presença do Ressuscitado no mundo.

Aquilo que o mundo tem hoje particular necessidade é o testemunho credível de quantos, iluminados na mente e no coração pela Palavra do Senhor, são capazes de abrir o coração e a mente de muitos outros ao desejo de Deus e da vida verdadeira, aquela que não tem fim.

Fonte: Porta Fidei, Bento XVI, n.15 § 1.


" AGORA PERMANECEM ESTAS TRÊS COISAS: A FÉ, A ESPERANÇA E A CARIDADE " (Cor 13,13)

"O Ano da Fé será uma ocasião propícia também para intensificar o testemunho da caridade.

Recorda São Paulo: "Agora permanecem estas três coisas: a Fé, a Esperança e a Caridade; mas a maior de todas é a Caridade" (1Cor 13,13).

Com palavras ainda mais incisivas - que não cessam de emprenhar os cristãos - afirmava o apóstolo Tiago: "De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento cotidiano, e um de vós lhes disser: 'Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome', mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, d que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda! Poderá alguém alegar sensatamente: 'Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé'" (Tg 2,14-18).

A fé sem a caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente a mercê da dúvida. Fé e caridade reclaman-se mutuamente, de tal modo que uma consente à outra de realizar o seu caminho.

De fato, não poucos cristãos dedicam amorosamente a sua vida a quem vive sozinho, marginalizado ou excluído, considerando-o como o primeiro a quem atender e o mais importante a socorrer, porque é precisamente nele que se espelha o próprio rosto de Cristo.

Em virtude da fé, podemos reconhecer naqueles que pedem o nosso amor o rosto do Senhor ressuscitado.

"Sempre que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes" (Mt 45,40): estas palavras de Jesus são uma advertência que não se deve esquecer e um convite perene a desenvolvermos aquele amor com que Ele cuida de nós.

É a fé que permite reconhecer Cristo, e o seu próprio amor que impele a socorrê-Lo sempre que Se faz próximo nosso no caminho da vida.

Sustentados pela fé, olhamos com esperança o nosso serviço no mundo, aguardando "novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça" (2Pd 3,13; cf. Ap 21,1).

Fonte: Porta Fidei, Bento XVI, n.14