O SENHOR TE CHAMA


"Gostaria de dizer àqueles e àquelas que se sentem longe de Deus e da Igreja, aos que têm medo ou aos indiferentes:
O Senhor também te chama para seres parte do seu povo, e o faz com grande respeito e amor!" EG, n.113.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Evangelho Jo 9, 1.6-9.13-17.34-38 (4º Domingo da Quaresma)

Jesus abre os olhos ao cego de nascença, pelas águas de Siloé.
Jesus cura um cego, mas a cura só é completa na profissão de fé:
é preciso ver Deus em Jesus Cristo.

O evangelho narra:
1) a cura (9,1-7);
2) o amadurecimento da fé no confronto com a incredulidade e a repressão (9,8-34);
3) a autorevelação de Cristo, como resposta à busca do cego, e a profissão de fé deste (9,35-39).
A autorevelação de Cristo é: "Eu sou a luz do mundo" (cf. 8,12). O cego vê esta luz e torna-se "filho da luz" (cf. 12,36).

Os fariseus dizem que vêem, mas se recusam a ver a luz que veio ao mundo: eles são os verdadeiros cegos. Assim, a luz se transforma, para eles em julgamento e condenação. Eles não querem fazer o que faz o cego: adorar a Deus em Jesus Cristo.

Jesus "unge" os olhos do cego de nascença. (Para a catequese, o fato de ele ser cego de nascença faz pensar no pecado original: uma cegueira que acompanha a vida da gente). Depois de ter untado os olhos do cego, Jesus manda-o lavar-se (o "banho da regeneração"!) no " Siloé, que quer dizer Enviado" (a piscina de Siloé é uma  da luz figura de Cristo). Então, ele recebe a luz dos olhos. O batismo é aqui evocado como unção e iluminação.

O sentido profundo disso tudo é que o batizado deve ser uma testemunha da luz que recebeu. O cego de nascença nos dá o exemplo: ele testemunha o Cristo, com convicção e firmeza sempre crescentes. O batizado é um homem da luz ("filho da luz"), alguém que enxerga com clareza, e que anda na luz. Pois a luz não é só para ser contemplada, mas para caminharmos nela, realizando as obras que ela nos permite enxergar e levar a termo.
"Outrora éreis trevas, mas agora sois luz do Senhor... Desperta, tu que andas dormindo, levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará."

REFLEXÃO:
Como é que se realiza este testemunho cristão hoje?
Quais são as grandes cegueiras que devem ser iluminadas?
Vamos assumir o nosso testemunho, mesmo para aqueles que não querem ver.
fonte: Lit.domin. Ed Vozes.Konnings.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Homilia do 3o. Domingo da Quaresma – Beber água do poço - CATEQUESE E BÍBLIA

A água é um elemento vital para o ser humano, assim como a comida. Quando Jesus utiliza estas imagens, comunica-nos algo muito além do visível, do palpável. O mais importante não é o pão de trigo ou a água do poço, mas o alimento e a bebida da vida eterna. A água é o sentido da vida, é a graça divina, o dom da salvação, o Espírito...
O Senhor nos deseja dar da água viva, mas nem sempre estamos abertos para receber este dom. Somos resistentes. No AT, o povo quer voltar para trás, duvida do êxodo, deixa morrer a esperança no Deus que salva, pois percebe que o deserto é árido. A consequência é a murmuração. Hoje também murmuramos diante das circunstâncias, deixamos a fé e a esperança morrer, com facilidade. Deus, por sua vez, convida-nos a arriscar. A samaritana também manifesta sua descrença: “é você que me dará de beber?” Deus nos concede a água viva como um dom genuíno. Mesmo diante de nossas resistências e murmurações, Ele quer nos saciar. Mas fica o alerta: sem o consentimento humano, a graça não pode acontecer.
O Evangelho deste domingo revela muitas riquezas. Apresenta um encontro entre Jesus e uma mulher samaritana. Primeiramente, observamos que se trata de um encontro que acontece no cotidiano da vida. Estavam à beira de um poço para beber água. Jesus se manifesta no comum da vida. Para encontrar o Senhor, não podemos ficar preso às regras, ao lugar correto para o culto, aos preconceitos em relação à mulher ou ao estrangeiro. É preciso assumir o verdadeiro culto “em espírito e verdade”, superando os ritualismos vazios.
A samaritana fez um conhecimento gradual de Jesus: considerado inicialmente como um desconhecido, passa a judeu inimigo, depois um homem desconcertante, mais tarde um profeta e, por fim, o Messias. Somos convidados a avançar no conhecimento do Senhor, acolhendo o dom da água viva. Não o conhecemos de uma vez só, mas ao longo de toda a nossa existência, por um processo de conversão constante.
O encontro transforma a vida da pessoa. A samaritana não seria a mesma depois do diálogo com Jesus. Quando encontramos o Senhor, a nossa vida ganha novo sentido, passa a ser uma nova vida, somos “nova criatura”. O encontro afetivo proporciona uma nova visão do mundo, da realidade... O encontro também leva à missão, por isso, a samaritana se vê impelida a ir ao encontro dos demais para proclamar que ela viu o Messias. Quem encontra o Senhor não o guarda para si, não se satisfaz com algumas experiências de satisfação espiritual, não se contenta com a prática de ritos. O encontro necessariamente nos leva à adesão do seu Reino, da missão. Quem encontrou o Senhor, deseja, sem proselitismos, fazer com que outros também o encontrem.
Junto com os catecúmenos que se preparam para os sacramentos da iniciação, recebemos o convite para escrutinar nosso coração, ou seja, olhar para dentro de si mesmo à luz do projeto divino, percebendo se estamos vivendo de acordo com a proposta do Evangelho: acolhemos a água viva e deixamos de lado as resistências? O nosso encontro com o Cristo é profundo e verdadeiro? Somos conduzidos à missão?
Quem tiver sede, venha a mim e beba. Do seu interior brotará fontes de água viva!

Pe. Roberto Nentwig
Em Catequese e Bíblia.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Evangelho Jo 4,5-42 - JESUS E A SAMARITANA - 3º Domingo da Quaresma

Jesus e a Samaritana, S.Petersburg Autor: Vitor Toniolo
A temática da água, transforma-se em um fio condutor com que se descreve o itinerário do homem, desde sua sede até a fonte que contém água viva, a Vida.
A finalidade desse texto é quebrar as barreiras que impedem os homens de se relacionarem. Essas barreiras podem ser de ordem religiosa, política e econômica ou de qualquer outra ordem.

A samaritana somos todos nós, sedentos em busca da fonte de onde podemos "tirar água". Ela conhece o dom de Deus, acolhe a água viva, tem fé em Jesus, tem o amor de Deus derramado em seu coração na medida em que passa por uma transformação e conversão profunda.
Do diálogo de Jesus com a samaritana, brotam afirmações básicas para quem quer segui-lo de perto:

a) Jesus é novidade absoluta. Não veio apenas para aperfeiçoar ou corrigir o que existia, mas proclamar o início de uma relação nova e profunda entre Deus e o homem;

b) Jesus traz a verdade, isto é, a realidade anunciada por essa figura. O culto autêntico e definitivo revela-se na pessoa de Jesus;

c) o primeiro passo da fé é reconhecer a superioridade de Jesus sobre leis, patriarcas e profetas de ontem e de hoje.

Essa presença de Jesus perto do homem é viva e até incômoda, porque ele questiona a vida humana e não permite que o homem pergunte por Deus sem se interrogar sobre o próprio modo de viver.

A samaritana optou pelo dom de Deus, pela vida, experiência que a marcou a ponto de transformá-la em testemunha e missionária dessa mesma vida junto de seus concidadãos.

Para refletir:
Jesus não tem distinção de pessoas. Ama e serve a todos. Não é fácil amar os inimigos, mas o Evangelho nos pede. Como me comporto diante daqueles que me são de difícil convivência?

Salmo 94(95),8 - Vinde, manifestemos nossa alegria no Senhor, aclamemos o rochedo de nossa salvação.
Fonte: Diário Bíblico 2014. Ed.AM.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

EVANGELHOS DA QUARESMA - REFLEXÕES

Mt 4,1-11 - 09.03.2014. 1º Domingo da Quaresma

Muita paz e alegria a você que está vivenciando esta Quaresma, conosco e a toda a sua família! No 1º domingo da quaresma. Nesses quarenta dias que precedem a Páscoa, recordamos os quarenta anos do povo hebreu no deserto e os quarenta dias em que Jesus fez a experiência de deserto, preparando-se para sua missão.
O mais importante da quaresma é a Páscoa: a festa central do cristianismo e o ponto alto do tempo litúrgico. Mais do que simples preparação da Páscoa, a quaresma constitui ensaio de vida nova no Espírito.
Quaresma é tempo de deixar tudo o que é velho em nós, tempo de abrir-nos à vida sempre nova que brota da cruz, tempo de converter-nos ao projeto de Deus, ouvindo e acolhendo sua Palavra, que nos propõe buscar primeiro o Reino de Deus e sua justiça, retomando a opção fundamental de nossa fé, feita no Batismo.
O Evangelho deste domingo, em Mateus, capítulo 4, versículos de 1 a 11, fala das tentações de Jesus. Mais do que tentações, o que acontece com Jesus nesta passagem deve ser chamado de provações.
Tal como o povo de Israel que, saindo do Egito e sendo guiado por Moisés, é posto à prova por quarenta anos, assim Jesus, guiado pelo Espírito, enfrenta as provações do deserto por quarenta dias.
No entanto, ao contrário do povo, que tantas vezes sucumbiu às murmurações e aos ídolos, Jesus supera e vence todas as provas.
A cada proposta do demônio, Jesus responde citando a Escritura e manifestando sua total e plena adesão e obediência a ela.
Este é o caminho oferecido para esta quaresma: tornar a Palavra de Deus o critério fundamental que nos orienta e nos firma no meio dos confrontos entre o Reino de Deus e o que o ameaça. Portanto,, ser discípulo de Jesus é aprender da Palavra e ser sustentado por ela.
Oração
Ó Deus, escuta as preces de teus filhos e filhas que iniciam a caminhada quaresmal. Dá-nos a graça de estarmos mais atentos aos teus desígnios de amor, para que possamos celebrar, na alegria do Espírito Santo, a santa Páscoa de Jesus Cristo. Amém.
(Salmo 50) Piedade, ó Senhor, tende piedade, pois pequei contra vós.

2º DOMINGO DA QUARESMA - ANO A - REFLEXÃO Mt 17,1-9 - 16.03.2014.

Celebramos nesta data o domingo da Transfiguração do Senhor. Em nossa caminhada em preparação à Páscoa, vamos subir a montanha com Jesus e três de seus discípulos, para fazermos a experiência da intimidade com ele, recebermos a visão de sua glória e o mandamento de escutar sua Palavra.
O trecho de Mateus, capítulo 17, versículos de 1 a 9, lido na liturgia deste segundo domingo da quaresma, tem como objetivo nos ensinar que a Transfiguração de Jesus serve para nos mostrar que ele é o novo Moisés, o Servo de Javé e o Profeta por meio do qual chega a nós o Reino da Justiça.
O texto afirma que o rosto de Jesus brilhou como o sol e as suas roupas ficaram brancas como a luz. Isso significa que a Justiça do Reino vai triunfar: "Os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai".
Moisés e Elias representam, respectivamente, a Lei e os Profetas; foram pessoas que falaram diretamente com Deus no monte Sinai. Agora estão falando com Jesus.
A Transfiguração de Jesus é sinal de sua ressurreição, vencendo a morte e a sociedade violenta que o matou. Ela se torna, assim, anúncio da vitória da justiça sobre a injustiça.
A reação dos discípulos é de medo: "Eles ficaram muito assustados e caíram com o rosto em terra". Na Bíblia, essa é a reação característica dos que receberam grandes revelações divinas.
Em nossa vida, carregada de nuvens e sofrimentos, não faltam momentos de transfiguração, nos quais sentimos a presença amorosa de Deus e experimentamos seu convívio.
Estes momentos de experiência viva de Deus não são ilusão. Tornam-se possíveis particularmente quando os entregamos à oração, como o foi para Jesus que subiu ao monte para rezar.
ORAÇÃO:
Ó Deus de toda luz, tu manifestaste tua glória no rosto transfigurado do teu Filho Jesus, tua presença para sempre no meio de nós. Escuta nossas preces e cobra-nos com o mesmo Espírito que o animava. Amém.
(Salmo 32: Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça, venha a nossa salvação.

3º DOMINGO DA QUARESMA - Jo 4,5-15.19b-26.39a.40-42 ou Jo 4,5-42 - 23.03.2014

Na narrativa do evangelho de João capítulo 4, versículos de 5 a 42, temos o encontro de Jesus com uma mulher samaritana. Tudo começa ao redor de um poço. O poço recorda muitos fatos do Antigo Testamento, entre eles o poço em que o servo de Abraão encontrou Rebeca, futura esposa de Isaac; o poço onde Jacó se encontrou com Raquel etc. O poço de Sicar é, pois, o lugar onde a humanidade encontra seu esposo e líder.
Uma mulher sem nome se aproxima, ao meio-dia, para buscar água. Ela não tem nome porque é a própria humanidade que está procurando, no sufoco do calor, algo que sacie, de uma vez por todas, sua sede.
Jesus tem sede como qualquer ser humano, e pede de beber. Com isso está começando a quebrar o preconceito racial.
Judeus e samaritanos se detestavam mutuamente. Os judeus mais radicais haviam decretado o estado permanente de impureza das mulheres samaritanas.
Jesus está com sede, mas quem pede água é a mulher, pois ele tem água capaz de saciar para sempre a sede de todos: "Se você conhecesse o dom de Deus e quem é que está lhe dizendo: Dê-me de beber, você é que lhe pediria... Aquele que beber da água que eu vou lhe dar nunca mais terá sede".
Jesus é o presente de Deus que a humanidade precisa conhecer. Os judeus acreditavam se aproximar de Deus mediante o conhecimento e a prática da Lei. Jesus, aquele que revela o Pai, mostra que Deus está presente nas relações de fraternidade e gratuidade.
A água que Jesus dá é o Espírito, a força que vem de dentro  e jorra para a vida eterna. A mulher-humanidade tem sede dessa água, e por isso pede: "Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede...".
Os samaritanos aguardavam um messias diferente do esperado pelos judeus. Além do preconceito racial, tinham também preconceito religioso. Jesus acaba com esses preconceitos.
ORAÇÃO:
Ó DEUS, FONTE DE ÁGUA VIVA, FAZE QUE DEDIQUEMOS ESTE TEMPO QUARESMAL À FRATERNIDADE E À ORAÇÃO, PARA QUE SEJAMOS RECRIADOS PARA UMA VIDA NOVA. AMÉM.
Salmo 94: Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor!

4º DOMINGO DA QUARESMA - Jo 9,1.6-9.13-17.34-38 ou Jo 9,1-41 - 30.03.2014

Que o Deus da misericórdia nos dê a graça de crescer, ao longo desta quaresma, no seguimento de Jesus Cristo, e de corresponder ao seu amor com uma vida digna, vivendo os valores do Evangelho.
No evangelho de hoje, em João, capítulo 9, versículos de 1 a 41, temos a cura do cego de nascença; é o chamado domingo da alegria. Somos convidados a deixar para trás qualquer atitude de tristeza e assumir uma atitude de alegria, pela consolação que nos vem do amor de Deus.
No tempo de Jesus, os doentes eram considerados pecadores e impuros. No dia de sábado, havia a proibição de fazer qualquer trabalho. Essa ideologia reforçava a dominação sobre os mais pobres.
O contexto deste milagre da cura do cego é o da festa das Tendas, ocasião em que o povo recordava o tempo que Israel passou no deserto. Era um acontecimento festivo que suscitava esperança de vida aos sofredores. Nesse dia o sacerdote ia tirar água da piscina de Siloé para purificar o altar. À noite acendiam-se tochas sobre os muros do templo a fim de iluminar a cidade.  
A cura do cego de nascença mostra que Jesus é a água que nos lava das cegueiras da alienação e a luz que faz brilhar os olhos da fé.
A cegueira lembra a alienação e o pecado, e o lavar-se na piscina recorda a imersão na água, sendo a luz símbolo da fé. Na Igreja primitiva o batismo era conhecido como iluminação. De fato, a cura do cego tornou-se uma parábola da iluminação batismal.
A iluminação é progressiva: primeiro, o cego chama Jesus de homem; depois, de profeta; finalmente, de Senhor. O Batismo não é um título, mas um caminho. Na experiência do cego, essa evolução coincide com o processo de iniciação no caminho de Jesus.
O texto descreve as dificuldades que a pessoa deve enfrentar até proferir a fé de modo pessoal e profundo; e mostra que a libertação não acontece sem a nossa efetiva participação, deixando as obras das trevas e assumindo gradativamente as obras da luz.
ORAÇÃO:
Deus, luz da vida, tu partilhas conosco tua claridade. Olha teu povo reunido nesta quaresma, atende nossas preces e unge-nos com o teu Espírito. Amém.
Salmo 22: O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma.

5º DOMINGO DA QUARESMA - REFLEXÃO - Jo 11,1-45

Neste evangelho, vamos refletir sobre a ressurreição de Lázaro, conforme o livro de João, capítulo 11, versículos de 1 a 45. Junto com Marta e Maria, professamos nossa fé em Jesus, ressurreição e vida, fazendo, com Lázaro, a experiência de sermos arrancados do túmulo, conduzidos à vida e desamarrados de tudo o que nos prende.
A ressurreição de Lázaro é um sinal que aponta para uma realidade maior e mais profunda: a vitória de Jesus sobre a morte e sua glorificação. Este é o sentido do texto: "Esta doença não é para a morte, mas para a glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela".
Lázaro, Marta e Maria são a própria humanidade envolta em situações de morte. A doença é a doença do mundo; suas amarras são as amarras de todas as pessoas impossibilitadas de andar e viver.
Para todos eles Jesus dá a mesma ordem: "Desamarrem-no e deixem que ele ande!..." Marta e Maria recordam o sofrimento, a esperança e a fé de todos os sofredores de hoje.
Entre Jesus, Lázaro, Marta e Maria, isto é, entre ele e a comunidade cristã, vigoram relações de amor e fraternidade. Maria foi aquela que ungiu o Senhor com perfume e que tinha enxugado os pés dele com seus cabelos. Ungir com perfume é gesto de amor.
O texto sublinha ainda que Lázaro é amigo de Jesus e que Jesus ama Lázaro! Amor gera confiança e solidariedade em situações difíceis.
A ressurreição de Lázaro é apenas um sinal que aponta para a realidade profunda do Evangelho, isto é, a revelação de que a morte-ressurreição de Jesus é a prova maior do amor que Deus tem pelos seus.
Jesus vai à Judeia a fim de ressuscitar seu amigo. Isso acarretará a morte de Jesus, que é expressão máxima da solidariedade com os sofrimentos humanos. Mas o Pai o ressuscitará, e sua ressurreição é a prova definitiva de que a vida vence a morte.
ORAÇÃO:
Deus da vida, por quem tudo existe, tu não deixas morrer em nós a vida que nos ofereces. Tu, que fizeste Lázaro sair do túmulo, atende a nossa prece e devolve a vida aos teus filhos e filhas do mundo inteiro. Amém.


SACRAMENTO DA UNÇÃO DOS ENFERMOS - Papa Francisco

PAPA FRANCISCO
AUDIÊNCIA GERAL
Praça de São Pedro
Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2014
Amados irmãos e irmãs, bom dia!
Gostaria de vos falar hoje do Sacramento da Unção dos enfermos, que nos permite ver concretamente a compaixão de Deus pelo homem. No passado era chamado «Extrema Unção», porque era entendido como conforto espiritual na iminência da morte. Ao contrário, falar de «Unção dos enfermos» ajuda-nos a alargar o olhar para a experiência da doença e do sofrimento, no horizonte da misericórdia de Deus.
1. Há um ícone bíblico que expressa em toda a sua profundidade o mistério que transparece na Unção dos enfermos: é a parábola do «bom samaritano», no Evangelho de Lucas (10, 30-35). Todas as vezes que celebramos este Sacramento, o Senhor Jesus, na pessoa do sacerdote, torna-se próximo de quem sofre e está gravemente doente, ou é idoso. Diz a parábola que o bom samaritano se ocupa do homem sofredor derramando sobre as suas feridas óleo e vinho. O óleo faz-nos pensar no que é abençoado pelos bispos todos os anos, na Missa crismal da Quinta-Feira Santa, precisamente em vista da Unção dos enfermos. O vinho, ao contrário, é sinal do amor e da graça de Cristo que brota do dom da sua vida por nós e expressam em toda a sua riqueza na vida sacramental da Igreja. Por fim, a pessoa sofredora é confiada a um hoteleiro, a fim de que continue a ocupar-se dela, sem se preocupar com a despesa. Mas, quem é este hoteleiro? É a Igreja, a comunidade cristã, somos nós, aos quais todos os dias o Senhor Jesus confia aqueles que estão aflitos, no corpo e no espírito, para que possamos continuar a derramar sobre eles, sem medida, toda a sua misericórdia e salvação.
2. Este mandato é reafirmado de maneira explícita e clara na Carta de Tiago, na qual se recomenda: «Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados» (5, 14-15). Por conseguinte, trata-se de uma prática que já se usava na época dos Apóstolos. Com efeito, Jesus ensinou aos seus discípulos a ter a sua mesma predilecção pelos doentes e pelos sofredores e transmitiu-lhes a capacidade e a tarefa de continuar a conceder no seu nome e segundo o seu coração alívio e paz, através da graça especial deste Sacramento. Mas isto não nos deve fazer cair na busca obstinada do milagre ou na presunção de poder obter sempre e apesar de tudo a cura. Mas é a certeza da proximidade de Jesus ao doente e também ao idoso, porque cada idoso, cada pessoa com mais de 65 anos, pode receber este Sacramento, mediante o qual é o próprio Jesus que se aproxima.
Mas na presença de um doente, por vezes pensa-se: «chamemos o sacerdote para que venha»; «Não, dá azar, não o chamemos», ou então, «o doente assusta-se». Por que se pensa assim? Porque um pouco há a ideia de que depois do sacerdote venha a agência funerária. E isto não é verdade. O sacerdote vem para ajudar o doente ou o idoso; por isto é tão importante a visita dos sacerdotes aos doentes. É preciso chamar o sacerdote para junto do doente e dizer: «venha, dê-lhe a unção, abençoe-o». 
É o próprio Jesus que chega para aliviar o doente, para lhe dar força, para lhe dar esperança, para o ajudar; também para lhe perdoar os pecados. E isto é muito bonito! E não se deve pensar que isto seja um tabu, porque é sempre bom saber que no momento da dor e da doença não estamos sós: com efeito, o sacerdote e quantos estão presentes durante a Unção dos enfermos representam toda a comunidade cristã que, como um único corpo se estreita em volta de quem sofre e dos familiares, alimentando neles a fé e a esperança, e apoiando-os com a oração e com o calor fraterno. Mas o maior conforto provém do fato de que quem está presente no Sacramento é o próprio Senhor Jesus, que nos guia pela mão, nos acaricia como fazia com os doentes e nos recorda que já lhe pertencemos e que nada — nem sequer o mal nem a morte — jamais nos poderá separar d’Ele. Temos este hábito de chamar o sacerdote para que aos nossos doentes — não digo doentes de gripe, uma doença de 3-4 dias, mas quando é uma doença séria — e também para os nossos idosos, venha lhes conferir este Sacramento, este conforto, esta força de Jesus para ir em frente? Façamo-lo!


Saudações
Sigo com particular apreensão quanto está a acontecer nestes dias na Venezuela. Desejo vivamente que cessem quanto antes as violências e as hostilidades e que todo o Povo venezuelano, a partir dos responsáveis políticos e institucionais, se comprometam para favorecer a reconciliação, através do perdão recíproco e de um diálogo sincero, respeitador da verdade e da justiça, capaz de enfrentar temas concretos para o bem comum. Ao garantir a minha constante e fervorosa oração, em particular por quantos perderam a vida nos confrontos e pelas suas famílias, convido todos os crentes a elevar súplicas a Deus, pela materna intercessão de Nossa Senhora de Coromoto, para que o país reencontre imediatamente paz e concórdia.

Queridos peregrinos de língua portuguesa: sede bem vindos! Em cada um dos sacramentos da Igreja, Jesus está presente e nos faz participar da sua vida e da sua misericórdia. Procurem conhecê-Lo sempre mais, para poderem servi-Lo nos irmãos, especialmente nos doentes. Sobre vós e sobre vossas comunidades, desça a benção do Senhor!
 Fonte: Libreria Editrice Vaticana