O SENHOR TE CHAMA


"Gostaria de dizer àqueles e àquelas que se sentem longe de Deus e da Igreja, aos que têm medo ou aos indiferentes:
O Senhor também te chama para seres parte do seu povo, e o faz com grande respeito e amor!" EG, n.113.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Nota Doutrinal Sobre Alguns Aspectos da Evangelização

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ
NOTA DOUTRINAL SOBRE ALGUNS ASPECTOS DA EVANGELIZAÇÃO
I. Introdução
1. Enviado pelo Pai a anunciar o Evangelho (cf. Mc 1, 14), Jesus Cristo convida todos os homens à conversão e à fé (cf. Mc 1, 14-15), confiando aos Apóstolos, depois da sua ressurreição, a continuação da sua missão evangelizadora (cf. Mt 28, 19-20; Mc 16, 15; Lc 24, 4-7; Act 1, 3): «como o Pai me enviou também Eu vos envio» (Jo 20, 21; cf. 17, 18). Na verdade, através da Igreja, Ele quer atingir cada época da história, cada lugar da terra e cada âmbito da sociedade, chegar a cada pessoa, para que haja um só rebanho e um só pastor (cf. Jo 10, 16): «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for baptizado será salvo, mas quem não acreditar será condenado» (Mc 16, 15-16).
Com efeito, os Apóstolos, «movidos pelo Espírito, convidavam todos a mudar de vida, a converter-se e a receber o Baptismo»[1], porque a «Igreja peregrinante é necessária à salvação»[2]. É o próprio Senhor Jesus Cristo que, presente na sua Igreja (cf. Mt 28, 20), precede a obra dos evangelizadores, a acompanha e a segue, fazendo frutificar o trabalho. Aquilo que aconteceu nas origens do cristianismo continua ao longo de toda a história.
No início do terceiro milénio, ressoa, ainda no mundo, o convite que Pedro, juntamente com o irmão André e os primeiros discípulos, escutou do próprio Jesus: «faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca» (Lc 5, 4)[3]. E, depois do milagre de uma grande pesca, o Senhor anunciou a Pedro que se tornaria «pescador de homens» (Lc 5, 10).
2. O termo evangelização tem um significado muito rico[4]. Em sentido amplo, esse resume toda a missão da Igreja, porque toda a sua vida consiste em realizar a traditio Evangelii, o anúncio e a transmissão do Evangelho, que é «força salvadora de Deus para todo aquele que acredita» (Rm 1, 16) e que em última essência se identifica com o próprio Cristo (cf. 1 Cor 1, 24). Por isso, assim entendida, a evangelização tem como destinatária toda a humanidade. Em todo o caso,evangelizar significa não só ensinar uma doutrina, mas anunciar Jesus Cristo com palavras e acções, isto é, fazer-se instrumento da sua presença e acção no mundo.
«Toda a pessoa tem o direito de ouvir a ‘boa nova’ de Deus que se revela e se dá em Cristo, para realizar plenamente a sua própria vocação»[5]. Trata-se de um direito conferido pelo próprio Senhor a cada pessoa humana, pelo qual cada homem e cada mulher pode verdadeiramente dizer com São Paulo: Jesus Cristo «amou-me e entregou-se a si mesmo por mim» (Gal 2, 20). A este direito corresponde um dever de evangelizar: «pois, anunciar o evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!» (1 Cor 9, 16; cf. Rom 10, 14). Compreende-se, então, como toda a actividade da Igreja tenha uma essencial dimensão evangelizadora e nunca deve ser separada do compromisso para ajudar a todos a encontrar Cristo na fé, que é o objectivo primário da evangelização: «a questão social e o Evangelho são entre si inseparáveis. Onde dermos aos homens só conhecimentos, habilidades, capacidades técnicas e instrumentos, ali levaremos muito pouco»[6].
3. Todavia, hoje verifica-se uma crescente confusão que induz muitos a deixar inaudível e inoperante o mandato missionário do Senhor (cf. Mt 28, 19). Muitas vezes pensa-se que toda a tentativa de convencer os outros em questões religiosas seja um limite posto à liberdade. Seria lícito somente expor as próprias ideias e convidar as pessoas a agir segundo a consciência, sem favorecer uma conversão a Cristo e à fé católica. Diz-se que basta ajudar os homens a serem mais homens ou mais fiéis à própria religião, que basta construir comunidades capazes de trabalhar pela justiça, a liberdade, a paz, a solidariedade. Além disso, alguns defendem que não se deveria anunciar Cristo a quem O não conhece, nem favorecer a adesão à Igreja, pois seria possível ser salvos mesmo sem um conhecimento explícito de Cristo e sem uma incorporação formal à Igreja.
Perante tais problemáticas, a Congregação para a Doutrina da Fé julgou necessário publicar a presente Nota. Essa, pressupondo o conjunto da doutrina católica sobre a evangelização, amplamente tratada no Magistério de Paulo VI e de João Paulo II, tem a finalidade de esclarecer alguns aspectos da relação entre o mandato missionário do Senhor e o respeito da consciência e da liberdade religiosa de todos. Trata-se de aspectos que têm importantes implicações antropológicas, eclesiológicas e ecuménicas.
II. Algumas implicações antropológicas
4. «Esta é a vida eterna, que te conheçam como o único Deus verdadeiro e aquele que enviaste, Jesus Cristo» (Jo 17, 3): Deus deu aos homens a inteligência e a vontade, para que livremente o pudessem procurar, conhecer e amar. Por isso, a liberdade humana é um recurso e um desafio oferecidos ao homem por Aquele que o criou. Uma oferta dirigida à sua capacidade de conhecer e amar aquilo que é bom e verdadeiro. Nada como a procura do bem e da verdade põe em jogo a liberdade humana, solicitando-a a uma adesão tal que compromete os aspectos fundamentais da vida. De modo particular é o caso da verdade salvífica, que não é só objecto do pensamento, mas algo que afecta toda a pessoa – inteligência, vontade, sentimentos, actividades e projectos – quando essa adere a Cristo. Tal procura do bem e da verdade é já obra do Espírito Santo, que abre e dispõe os corações para o acolhimento da verdade evangélica, segundo a conhecida afirmação de S. Tomás de Aquino: «omne verum a quocumque dicatur a Spiritu Sanctu est»[7]. É, por isso, importante valorizar esta acção do Espírito, que cria afinidade e aproxima os corações à verdade, ajudando a inteligência humana a maturar em sapiência e em abandono confiante ao verdadeiro[8].
Todavia, hoje formulam-se, com maior frequência, interrogações sobre a legitimidade de propor aos outros — a fim que possam aderir por sua vez — aquilo que é verdadeiro para si. Muitas vezes, tal proposta é vista como um atentado à liberdade dos outros. Esta visão da liberdade humana, desvinculada da sua referência inseparável da verdade, é uma das expressões «daquele relativismo que, nada reconhecendo como definitivo, deixa sozinho, como última medida, o próprio eu com as suas decisões, e sob a aparência da liberdade torna-se para cada um uma prisão»[9]. Nas diversas formas de agnosticismo e relativismo presentes no pensamento contemporâneo, «a legítima pluralidade de posições cedeu o lugar a um pluralismo indefinido, fundado no pressuposto de que todas as posições são equivalentes: trata-se de um dos sintomas mais difusos, no contexto actual, de desconfiança na verdade. E esta ressalva vale também para certas concepções de vida originárias do Oriente: é que negam à verdade o seu carácter exclusivo, ao partirem do pressuposto de que ela se manifesta de modo igual em doutrinas diversas ou mesmo contraditórias entre si»[10]. Se o homem nega a sua fundamental capacidade da verdade, se é céptico sobre a sua faculdade de conhecer realmente aquilo que é verdadeiro, ele acaba por perder o que, de facto, pode fascinar a sua inteligência e encantar o seu coração.
5. A tal respeito, na procura da verdade, quem pensa confiar só nas suas próprias forças, sem reconhecer a necessidade que cada um precisa da ajuda dos outros, engana-se. O homem «desde o seu nascimento aparece integrado em várias tradições; delas recebe não apenas a linguagem e a formação cultural, mas também muitas verdades nas quais acredita quase instintivamente. (...) Na vida duma pessoa, são muito mais numerosas as verdades simplesmente acreditadas que aquelas adquiridas por verificação pessoal»[11]. A necessidade de se fiar nos conhecimentos transmitidos pela própria cultura, ou adquiridos por outros, enriquece o homem tanto com verdades que ele não podia conseguir sozinho, como pelas relações interpessoais e sociais que ele desenvolve. Pelo contrário, o individualismo espiritual isola a pessoa impedindo-a de se abrir com confiança aos outros – e por isso de receber e dar em abundância aqueles bens que nutrem a sua liberdade – e pondo em perigo também o direito de manifestar socialmente as próprias convicções e opiniões[12].
Em particular, a verdade que é capaz de iluminar o sentido da própria vida e de a orientar, atinge-se também mediante o abandono confiante a quem pode garantir a certeza e a autenticidade da própria verdade: «a capacidade e a decisão de confiar o próprio ser e existência a outra pessoa constituem, sem dúvida, um dos actos antropologicamente mais significativos e expressivos»[13]. O acolhimento da Revelação, que se realiza na fé, apesar de acontecer a um nível mais profundo, entra na dinâmica da busca da verdade: «a Deus que revela é devida a «obediência da fé» (Rom16,26; cfr. Rom 1,5; 2 Cor 10, 5-6); pela fé, o homem entrega-se total e livremente a Deus oferecendo “a Deus revelador o obséquio pleno da inteligência e da vontade” e prestando voluntário assentimento à sua revelação»[14]. O Concílio Vaticano II, depois de ter afirmado o dever e o direito de cada homem de buscar a verdade em matéria religiosa, acrescenta: «a verdade deve ser buscada pelo modo que convém à dignidade da pessoa humana e da sua natureza social, isto é, por meio de uma busca livre, com a ajuda do magistério ou ensino, da comunicação e do diálogo, com os quais os homens dão a conhecer uns aos outros a verdade que encontraram ou julgam ter encontrado»[15]. Em todo o caso, a verdade «não se impõe de outro modo senão pela sua própria força»[16]. Por isso, solicitar honestamente a inteligência e a liberdade de uma pessoa, no encontro com Cristo e o seu Evangelho, não é uma indevida intromissão nos seus confrontos, mas uma legítima oferta e um serviço que pode tornar mais fecundo as relações entre os homens.
6. A evangelização, além disso, é uma possibilidade de enriquecimento não apenas para os destinatários mas também para os seus autores e para toda a Igreja. Por exemplo, no processo de inculturação, «a própria Igreja universal se enriquece com novas expressões e valores nos diversos sectores da vida cristã (…); conhece e exprime cada vez melhor o mistério de Cristo, e é estimulada a uma renovação contínua»[17]. A Igreja, de facto, que desde o dia de Pentecostes manifestou a universalidade da sua missão, assume em Cristo as inumeráveis riquezas dos homens de todos os tempos e lugares da história humana[18]. Além do seu valor antropológico intrínseco, cada encontro com uma pessoa ou uma cultura concreta pode despertar potencialidades do Evangelho pouco explicitadas anteriormente, que enriquecem a vida concreta dos cristãos e da Igreja. Mesmo graças a este dinamismo, «a tradição apostólica progride na Igreja sob a assistência do Espírito Santo»[19].
De facto é o Espírito que, após ter realizado a incarnação de Jesus Cristo no ventre virginal de Maria, vivifica a acção materna da Igreja na evangelização das culturas. Mesmo que o Evangelho seja independente de todas as culturas, ele é capaz de as impregnar a todas sem se escravizar a nenhuma delas[20]. Neste sentido, o Espírito Santo é também o protagonista da inculturação do Evangelho, é aquele que preside de modo fecundo ao diálogo entre a Palavra de Deus, revelada em Cristo, e as questões mais profundas que brotam da multidão das pessoas e das culturas. Continua assim na história, na unidade de uma única e mesma fé, o evento do Pentecostes, que se enriquece através da diversidade das linguagens e das culturas.
7. A actividade pela qual o homem comunica aos outros eventos e verdades significativas do ponto de vista religioso, favorecendo o acolhimento, não apenas está em profunda sintonia com a natureza do processo de diálogo, de anúncio e de aprendizagem, mas também responde a uma outra realidade antropológica: é próprio do homem o desejo de tornar participantes os outros dos próprios bens. O acolhimento da Boa Nova na fé, impulsiona por si a tal comunicação. A Verdade que salva a vida acende o coração de quem a recebe com um amor para com o próximo que move a liberdade a voltar a dar aquilo que gratuitamente já se recebeu.
Embora os não cristãos se possam salvar mediante a graça que Deus dá por “caminhos que só Ele sabe”[21], a Igreja não pode não ter conta do facto que a esses falta um grandíssimo bem neste mundo: conhecer o verdadeiro rosto de Deus e a amizade com Jesus Cristo, o Deus connosco. De facto, «não há nada mais belo do que ser alcançados, surpreendidos pelo Evangelho, por Cristo. Não há nada de mais belo do que conhecê-Lo e comunicar com os outros a Sua amizade»[22]. Para qualquer homem a revelação das verdades fundamentais[23] sobre Deus, sobre si mesmo e sobre o mundo são um grande bem; enquanto viver na obscuridade, sem a verdade acerca das questões últimas, é um mal, muitas vezes na origem de sofrimentos e de escravaturas dramáticas. Eis porque S. Paulo não hesita a descrever a conversão à fé cristã com uma libertação «do reino das trevas» e uma entrada «no reino do Filho predilecto, no qual temos a redenção e remissão dos pecados» (Col 1, 13-14). Por isso, a plena adesão a Cristo, que é a Verdade, e o ingresso na sua Igreja não diminuem mas exaltam a liberdade humana e a impulsionam para o seu cumprimento, num amor gratuito e pleno de carinho pelo bem de todos os homens. É um dom inestimável viver no abraço universal dos amigos de Deus, que brota da comunhão com a carne vivificante do Seu Filho, receber Dele a certeza do perdão dos pecados e viver na caridade que nasce da fé. A Igreja quer tornar participantes destes bens todas as pessoas, para que tenham assim a plenitude da verdade e dos meios de salvação, «para entrar na liberdade dos filhos de Deus» (Rom 8, 21).
8. A evangelização comporta também um diálogo sincero, que procura compreender as razões e os sentimentos dos outros. De facto, não se acede ao coração do homem sem gratuidade, caridade e diálogo, de modo que a palavra anunciada não seja só proferida, mas também adequadamente comprovada no coração dos seus destinatários. Isso exige ter em conta as esperanças e sofrimentos das situações concretas aos quais é dirigida. Além disso, através do diálogo, os homens de boa vontade abrem mais livremente o coração e partilham sinceramente as suas experiências espirituais e religiosas. Tal partilha, característica da verdadeira amizade, é uma ocasião preciosa para o testemunho e para o anúncio cristão.
Como em qualquer campo da actividade humana, também no diálogo em matéria religiosa pode entrar o pecado. Algumas vezes, pode acontecer que tal diálogo não seja guiado pelo seu natural fim, mas ceda ao engano, a interesses egoísticos ou à arrogância, faltando ao respeito à dignidade humana e à liberdade religiosa dos interlocutores. Por isso, «a Igreja proíbe severamente obrigar quem quer que seja a abraçar a fé, ou induzi-lo e atraí-lo com processos indiscretos, do mesmo modo que reclama com vigor o direito de ninguém ser afastado da fé por meio de vexações iníquas»[24].
O impulso originário da evangelização é o amor de Cristo pela salvação eterna dos homens. Os autênticos evangelizadores desejam apenas dar gratuitamente quanto já receberam gratuitamente: «Desde os começos da Igreja, os discípulos de Cristo esforçaram-se por converter os homens a Cristo Senhor, não com a coacção ou com artifícios indignos do Evangelho, mas primeiro que tudo com a força da palavra de Deus»[25]. A missão dos apóstolos e a sua continuação na missão da Igreja antiga permanece como modelo fundamental da evangelização para todos os tempos: uma missão frequentemente marcada pelo martírio, como demonstra a história do último século. É o próprio martírio que dá credibilidade aos testemunhos, que não procuram poder ou ganhos mas dão a própria vida por Cristo. Esses manifestam ao mundo a força inerme e cheia de amor pelos homens que é dada a quem segue Cristo até ao dom total da sua existência. Assim, os cristãos, desde os inícios do cristianismo até aos nossos dias, sofreram perseguições por causa do Evangelho, como Jesus anunciara: «Se me perseguiram a mim, perseguir-vos-ão também a vós» (Jo 15, 20).
III. Algumas implicações eclesiológicas
9. Desde o dia de Pentecostes, quem acolhe plenamente a fé é incorporado na comunidade dos crentes: «aqueles que acolheram a sua palavra [de Pedro] foram baptizados e naquele dia uniram-se a eles cerca de trinta mil pessoas» (Act 2, 41). Desde o início o Evangelho, na potência do Espírito, é anunciado a todos os homens, para que acreditem e se tornem discípulos de Cristo e membros da sua Igreja. Também na leitura patrística são constantes as exortações para realizar a missão confiada por Cristo aos discípulos[26]. Geralmente usa-se o temo «conversão» referindo-o à exigência de trazer os pagãos para a Igreja. Todavia, a conversão (metanoia), no seu significado propriamente cristão, é uma mudança de mentalidade e de acção, como expressão da vida novaem Cristo proclamada pela fé: trata-se de uma contínua reforma do pensamento e de obras para uma mais intensa identificação com Cristo (cf. Gal 2, 20), que são chamados primeiro os baptizados. Tal é, em primeiro lugar, o significado do convite formulado por Cristo: «convertei-vos e acreditai no Evangelho» (Mc 1, 15; cf. Mt 4, 17).
O espírito cristão foi sempre animado pela paixão de conduzir toda a humanidade a Cristo na Igreja. De facto, a incorporação de novos membros à Igreja não é a extensão de um grupo de poder, mas o ingresso na rede de amizade com Cristo, que liga o céu e a terra, continentes e épocas diversas. É a entrada no dom da comunhão com Cristo, que é «vida nova» animada pela caridade e pelo empenho pela justiça. A Igreja é instrumento - «gérmen e início»[27]- do Reino de Deus; não é uma utopia política. É já presença de Deus na história e traz em si também o verdadeiro futuro, aquele definitivo no qual Ele será «tudo em todos» (1 Cor 15, 28); uma presença necessária, pois só Deus pode trazer ao mundo verdadeira paz e justiça. O Reino de Deus não é – como alguns hoje sustentam – uma realidade genérica que domina todas as experiências ou as tradições religiosas, e às quais deveriam tender como que a uma universal e indistinta comunhão todos aqueles que procuram Deus, mas é acima de tudo uma pessoa, que tem o rosto e o nome de Jesus de Nazaré, imagem do Deus invisível[28]. Por isso, qualquer apelo do coração humano para Deus e o seu Reino só pode conduzir, pela sua natureza, a Cristo e ser orientado à entrada na sua Igreja, que daquele Reino é sinal eficaz. A Igreja é, então, veículo da presença de Deus e instrumento de uma verdadeira humanização do homem e do mundo. O dilatar-se da Igreja na história, que constitui a finalidade da missão, é um serviço à presença de Deus mediante o seu Reino: de facto não se pode «desligar o Reino da Igreja»[29].
10. Hoje, todavia, o anúncio missionário da Igreja é «posto em causa por teorias de índole relativista, que pretendem justificar o pluralismo religioso, não apenas de facto, mas também de iure (ou de princípio)»[30]. Há muito que se criou uma situação na qual, para muitos fiéis, não é clara a mesma razão de ser da evangelização[31]. Afirma-se mesmo que a pretensão de ter recebido em dom a plenitude da Revelação de Deus esconde uma atitude de intolerância e um perigo para a paz.
Quem raciocina assim ignora que a plenitude do dom da verdade que Deus faz, revelando-se ao homem, respeita esta liberdade que Ele próprio cria como traço indelével da natureza humana: uma liberdade que não é indiferença, mas tensão para o bem. Tal respeito é uma exigência da própria fé católica e da caridade de Cristo, um constitutivo da evangelização e, por isso, um bem a promover inseparavelmente do compromisso de fazer conhecer e abraçar livremente a plenitude de salvação que Deus oferece ao homem na Igreja.
O devido respeito pela liberdade religiosa[32] e a sua promoção «de modo algum nos devem tornar indiferentes perante a verdade e o bem. Pelo contrário, é o próprio amor que incita os discípulos de Cristo a anunciar a todos a verdade salvadora»[33]. Tal amor é o selo precioso do Espírito Santo que, sendo o protagonista da evangelização[34], não cessa de mover os corações para o anúncio do Evangelho, abrindo-os para o seu acolhimento. Um amor que vive no coração da Igreja e daí, como fogo de caridade, se irradia até aos confins da terra, até ao coração de cada homem. Na verdade, o coração do homem espera encontrar Jesus Cristo.
Compreende-se, então, a urgência do convite de Cristo para evangelizar e como a missão, confiada pelo Senhor aos apóstolos, se dirige a todos os baptizados. As palavras de Jesus – «ide e ensinai todas as nações, baptizando-os em nome do Pai e do Filho e do espírito Santo, ensinando-lhes a observar tudo o que vos mandei» (Mt 28, 19-20) – interpelam a todos na Igreja, cada um segundo a sua vocação. E, no momento presente, diante de tantas pessoas que vivem nas diversas formas de deserto, sobretudo no «deserto da escuridão de Deus, do esvaziamento das almas que perderam a consciência da dignidade e do caminho do homem»[35], o Papa Bento XVI recordou ao mundo que «a Igreja no seu conjunto, e os Pastores nela, como Cristo, devem pôr-se a caminho, para conduzir os homens fora do deserto, para lugares da vida, da amizade com o Filho de Deus, para Aquele que dá a vida, a vida em plenitude»[36]. Este dever apostólico é um dever e, ao mesmo tempo, um direito irrenunciável, expressão própria da liberdade religiosa, que tem as suas correspondentes dimensões ético-sociais e ético-políticas[37]. Um direito que, infelizmente, em algumas partes do mundo, não é ainda legalmente reconhecido e em outras, não é respeitado na realidade[38].
11. Quem anuncia o Evangelho participa na caridade de Cristo, que nos amou e se deu a si mesmo por todos nós (cf. Ef 5, 2), é seu embaixador e suplica em nome de Cristo: deixai-vos reconciliar com Deus! (cf. 2 Cor 5, 20). Uma caridade que é expressão daquela gratidão que nasce do coração humano quando se abre ao amor dado por Jesus Cristo, aquele Amor «que pelo universo se difunde»[39]. Isto explica o ardor, a confiança e a liberdade de palavra (parrhesia) que se manifestavam na pregação dos Apóstolos (cf. Act 4, 31; 9, 27-28; 26, 26; etc.) e que o rei Agripa experimentou ao escutar Paulo: «por pouco não me convenci a fazer-me cristão» (Act 26, 28).
A evangelização não se realiza só através da pregação pública do Evangelho, nem unicamente através de obras de relevância pública, mas também por meio do testemunho pessoal, que é sempre uma via de grande eficácia evangelizadora. De facto, «ao lado da proclamação geral para todos do Evangelho, uma outra forma da sua transmissão, de pessoa a pessoa, continua a ser válida e importante. O mesmo Senhor a pôs em prática muitas vezes, por exemplo as conversas com Nicodemos, com Zaqueu, com a Samaritana, com Simão, o fariseu, e com outros, atestam-no bem, assim como os apóstolos. E vistas bem as coisas, haveria uma outra forma melhor de transmitir o Evangelho, para além da que consiste em comunicar a outrem a sua própria experiência de fé? Importaria, pois, que a urgência de anunciar a Boa Nova às multidões de homens, nunca fizesse esquecer esta forma de anúncio, pela qual a consciência pessoal de um homem é atingida, tocada por uma palavra realmente extraordinária que ele recebe de outro»[40].
De qualquer modo, recorda-se que na transmissão do Evangelho a palavra e o testemunho da vida caminham juntos[41]. Para que a luz da verdade se irradie a todos os homens, é necessário, antes de mais, o testemunho da santidade.
Se a palavra é contrária ao comportamento, dificilmente é acolhida. Mas, nem sequer o testemunho é suficiente, porque «ainda o mais belo testemunho virá a demonstrar-se impotente com o andar do tempo, se ele não vier a ser esclarecido, justificado, aquilo que São Pedro chamava dar "a razão da própria esperança" (1Pd 3,15) explicitado por um anúncio claro e inelutável do Senhor Jesus»[42].
IV. Algumas implicações ecuménicas
12. Desde os inícios o movimento ecuménico esteve intimamente ligado à evangelização. A unidade é, de facto, a marca da credibilidade da missão e o Concílio Vaticano II manifestou com pesar que o escândalo da divisão «prejudica a santíssima causa da pregação»[43]. O próprio Jesus, na vigília da sua morte, rezou: «para que todos sejam uma só coisa… para que o mundo acredite» (Jo 17, 21).
A missão da Igreja é universal e não está limitada a determinadas regiões da terra. A evangelização, no entanto, realiza-se de um modo diferente, segundo as diversas situações em que acontece. Num sentido próprio é a «missio ad gentes» dirigida àqueles que não conhecem Cristo. Num sentido mais lato fala-se de «evangelização», relativo ao aspecto ordinário da pastoral, e de «nova evangelização», relativo àqueles que deixaram a praxis cristã[44]. Além disso, há evangelização em países onde vivem cristãos não católicos, sobretudo em países de antiga tradição e cultura cristã. Aqui requer-se tanto um verdadeiro respeito pela sua tradição e riquezas espirituais, bem como um sincero espírito de cooperação. «Banindo toda a aparência de indiferentismo, de confusionismo e odiosa rivalidade, os católicos colaborem com os irmãos separados, em conformidade com as disposições do decreto sobre o Ecumenismo, por meio da comum profissão de fé em Deus e em Jesus Cristo diante dos gentios, na medida do possível, e pela cooperação em questões sociais e técnicas, culturais e religiosas»[45].
No compromisso ecuménico, podem-se distinguir várias dimensões: primeiro a escuta, como condição fundamental de qualquer diálogo; depois vem a discussão teológica, pela qual, procurando compreender as confissões, tradições e as certezas dos outros, se pode encontrar a concórdia, por vezes escondida na discórdia. E inseparável destas duas, não pode faltar outra essencial dimensão do trabalho ecuménico: o testemunho e o anúncio dos elementos que não são tradições particulares ou nuances teológicas mas pertencem à Tradição da própria fé.
Mas o ecumenismo não tem apenas uma dimensão institucional que procura «fazer crescer a comunhão parcial existente entre os cristãos até à plena comunhão na verdade e na caridade»[46]: essa é tarefa de todo o fiel, principalmente através da oração, da penitência, do estudo e da colaboração. Sempre e em toda a parte, cada fiel católico tem o direito e o dever de dar testemunho e anunciar totalmente a sua fé. Com os cristãos não católicos, o católico deve entrar em diálogo respeitoso da caridade e da verdade: um diálogo que não é apenas uma troca de ideias mas de dons[47], de modo a ser-lhes oferecida a plenitude dos meios da salvação[48]. Assim se é conduzido sempre a uma mais profunda conversão a Cristo.
A este respeito é de realçar que se um cristão não católico, por razões de consciência e convencido das verdades católicas, pede para entrar em plena comunhão na Igreja católica, isso é respeitado como obra do Espírito Santo e como expressão da liberdade de consciência e de religião. Neste caso não se trata de proselitismo, no sentido negativo atribuído a este termo[49]. Como reconheceu explicitamente o Decreto sobre o Ecumenismo do Concílio Vaticano II, «é evidente que o trabalho de preparação e reconciliação dos indivíduos que desejam a plena comunhão católica é, por sua natureza, distinto da empresa ecuménica: Entretanto, não existe nenhuma oposição entre as duas, pois ambas procedem da admirável Providência divina»[50]. Logo, tal iniciativa não priva do direito nem exime da responsabilidade de anunciar em plenitude a fé católica aos outros cristãos, que livremente aceitam acolhê-la.
Esta perspectiva requer naturalmente evitar qualquer indevida pressão: «na difusão da fé religiosa e na introdução de novas práticas, deve sempre evitar-se todo o modo de agir que tenha visos de coacção, persuasão desonesta ou simplesmente menos leal, sobretudo quando se trata de gente rude ou sem recursos. Tal modo de agir deve ser considerado como um abuso do próprio direito e lesão do direito alheio»[51]. O testemunho da verdade não procura impor algo pela força, nem por uma acção coerciva ou artifícios contrários ao Evangelho. O próprio exercício da caridade é gratuito[52]. O amor e o testemunho da verdade procuram acima de tudo convencer pela força da palavra de Deus (cf. 1 Cor 2,3-5; 1 Tes 2,3-5)[53]. A missão cristã reside na potência do Espírito Santo e na própria verdade proclamada.
V. Conclusão
13. A acção evangelizadora da Igreja não pode ser menor, pois nunca lhe faltará a presença do Senhor Jesus na força do Espírito Santo, segundo a sua própria promessa: «Eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20).
Os relativismos e irenismos de hoje em âmbito religioso não são um motivo válido para descurar este trabalhoso mas fascinante compromisso, que pertence à própria natureza da Igreja e é «sua tarefa primária»[54]. «Caritas Christi urget nos – o amor de Cristo nos impele» (2 Cor 5, 14): testemunha-o um grande número de fiéis que, levados pelo amor de Jesus tiveram, ao longo da sua história, iniciativas e obras várias para anunciar o Evangelho, a todas as pessoas e em todos os âmbitos da sociedade, como aviso e convite perene a todas as gerações cristãs a cumprirem com generosidade o mandato de Cristo. Por isso, como recorda o Papa Bento XVI, «o anúncio e o testemunho do Evangelho são o primeiro serviço que os cristãos podem dar às pessoas e à humanidade, chamados a comunicar a todos o amor de Deus, que se manifestou plenamente no único Redentor do mundo, Jesus Cristo»[55]. O amor que vem de Deus une-nos a Ele e «transforma-nos em um Nós, que supera as nossas divisões e nos faz ser um só, até que, no fim, Deus seja “tudo em todos” (1 Cor 15, 28)»[56].
O Sumo Pontífice Bento XVI, na Audiência concedida ao Cardeal Prefeito, no dia 6 de Outubro de 2007, aprovou a presente Nota doutrinal, decidida na Sessão Ordinária desta Congregação, e ordenou a sua publicação.
Dado em Roma, na sede da Congregação para a Doutrina da Fé, a 3 de Dezembro de 2007, memória litúrgica de S. Francisco Xavier, Padroeiro das Missões.
William Cardeal LevadaPrefeito
Angelo Amato, sdbArcebispo titular de SilaSecretário

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Estudos - Batismo

CATEQUESE DE INICIAÇÃO CRISTÃ DE ADULTOS
PALESTRA – BATISMO
O BATISMO NOS FAZ FILHOS DE DEUS E MEMBROS DA IGREJA
INTRODUÇÃO:

"Depois de oitenta anos de paganismo, um ancião encontrou a luz da fé, se converteu e recebeu o batismo. Dois anos depois caiu gravemente enfermo; todos se deram conta de que tinha chegado para ele o momento da morte. Alguém lhe perguntou quantos anos tinha, e respondeu: Tenho só dois anos de vida. Ninguém encontrava explicação para sua resposta, mas o ancião acrescentou: Não é assim tão difícil de se entender, pois comecei a viver ao receber o batismo; minha vida antes disso é como se não existisse".

Este testemunho pode servir-nos para a introdução ao estudo do batismo, "sacramento da fé", "porta dos sacramentos", ou "porta da Igreja", como é chamado desde o início da Igreja, e para que saibamos dar a devida importância ao fato de termos sido batizados.

IDÉIAS PRINCIPAIS:

1. Os sacramentos da iniciação cristã

Os sacramentos da Iniciação Cristã são: o Batismo, que é o início da vida em Cristo; a Confirmação, que dá fortaleza e plenitude a esta vida, e a Eucaristia, que nos alimenta com o Corpo e o Sangue de Cristo para nos unir a Ele, transformando-nos até nos identificar-nos com Ele.

2. O Sacramento do batismo - Sentido do batismo

São Paulo explica que pelo batismo morremos ao pecado e ressuscitamos para a vida nova da graça (cf. Romanos 6,3-11). Esta realidade se entende mais facilmente quando o sacramento é administrado por imersão, que é o entrar e o sair da água, significando a morte e a ressurreição do Senhor. De fato, todos nós nascemos com o pecado herdado de nossos primeiros pais, e como conseqüência, privados da graça; mas Cristo nos livrou com sua morte e ressurreição. Sua morte nos limpa do pecado e nos faz morrer ao pecado; sua ressurreição nos faz renascer e viver a vida nova de Cristo. O batismo é o sacramento que aplica a cada batizado os frutos da Redenção, para que morramos ao pecado e ressuscitemos para a vida sobrenatural da graça.

3. O que é o batismo: Morte ao pecado, nascimento para vida nova em Cristo.

Quando Cristo enviou a seus Apóstolos por todo o mundo, disse- lhes: "Ide, pois, e fazei discípulos a todas as gentes, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mateus 28,19). "O que crer e for batizado, será salvo; mas o que não crer, será condenado" (Marcos 16,16). O batismo é o sacramento instituído por Jesus Cristo, que nos faz seus discípulos e nos regenera para a vida da graça, mediante a ablução com água natural e a invocação das três Pessoas divinas. O batismo é o fundamento de toda a vida cristã, o pórtico da vida no espírito e a porta que abre o acesso aos outros sacramentos. Regeneração pela água e pelo Espírito (1Pd 3,21). A matéria deste sacramento é a ablução com água natural, e a forma são as palavras: "Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo".

4. Os efeitos do batismo

a) Apaga o pecado original. O batismo perdoa e destrói o pecado original com o qual nascemos todos; quando aquele que é batizado é adulto, apaga também todos os pecados pessoais assim como a pena por eles devida, de tal maneira que se o recém batizado morresse, iria diretamente para o céu.

b) Infunde a graça santificante. Pelo sacramento do batismo Deus infunde na alma a graça santificante que é uma participação na natureza divina, junto com as virtudes teologais (fé, esperança e caridade) e os dons do Espírito Santo. Com estes dons a alma faz-se dócil e pronta aos impulsos do Espírito Santo. Pela graça, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo estabelecem sua morada na alma, que é templo do Espírito Santo.

c) Confere caráter sacramental. O outro efeito do batismo é o caráter, ou seja, certo sinal espiritual e indelével, que explica o fato de que este sacramento só possa ser recebido uma vez. O caráter batismal configura a Cristo, dá uma participação em seu sacerdócio, capacita para continuar no mundo sua missão como fiéis discípulos seus, e nos distingue dos infiéis.

d) Incorpora a Jesus Cristo. Tanto a graça como o caráter são efeitos sobrenaturais do batismo, que nos unem a Cristo como se unem os membros do corpo com a cabeça. Cristo é nossa Cabeça e o caráter nos vincula a Ele para sempre, enquanto que a graça nos faz membros vivos.

e) Incorpora à Igreja. Pelo batismo nos convertemos em membros da Igreja, com direito a participar na Sagrada Eucaristia e a receber os demais sacramentos; sem ser batizado não se pode receber nenhum outro sacramento. A Igreja é o Corpo Místico de Cristo, e o batismo nos incorpora a Cristo, que é a Cabeça, e à seu Corpo, que é a Igreja.

5. Necessidade do batismo

O batismo é absolutamente necessário para a salvação, como declarou Nosso Senhor a Nicodemos: "Em verdade, em verdade te digo, que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no Reino dos céus" (João 3,5).

Quando não é possível receber o sacramento do batismo, pode-se alcançar a graça para salvar-se pelo chamado batismo de desejo um ato de perfeito amor a Deus, ou a contrição dos pecados com o voto explícito ou implícito do sacramento e pelo batismo de sangue ou martírio, que é dar a vida por Cristo. Posto que quando crianças nascemos já com a natureza humana decaída e manchada pelo pecado original, é necessário que recebamos o batismo. É o maior presente que se lhes pode dar, já que desde este momento são "para sempre membros de Cristo, sacerdote, profeta e rei" (Ritual do Batismo).

6. Quem pode administrar o batismo

Normalmente, quem batiza é o pároco ou outro sacerdote ou diácono, com a permissão do pároco, mas em caso de necessidade qualquer pessoa pode fazê-lo. Dada a importância e a necessidade do batismo, Deus deu todas as facilidades na administração deste sacramento; e assim, inclusive, uma pessoa não batizada, com tal que tenha a intenção de fazer o que faz a Igreja e o faça corretamente, batiza de verdade. A razão está em que sempre é Cristo quem batiza, como observa Santo Agostinho: "Batiza Pedro? Cristo batiza. Batiza João? Cristo batiza. Batiza Judas? Cristo batiza".

7. Modo de administrar o batismo

Ao administrar o batismo se derrama água natural sobre a cabeça dizendo, com intenção de batizar: Nome..."Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". Na cerimônia do batismo existem diversos ritos, mas o essencial é o que já dissemos: derramar a água e, ao mesmo tempo, pronunciar as palavras.

8. Obrigações que o batismo impõe

Quando o batismo é administrado a crianças, respondem pelo neófito seus pais e padrinhos; mas o cristão adulto sabedor dos efeitos do sacramento na alma deve responder por si mesmo e estar firmemente disposto a viver como batizado. Esta resposta pode se concretizar em fazer atos explícitos de fé (recitando o Credo, por exemplo), propondo-se a guardar a Lei de Jesus Cristo e de sua Igreja e renunciando para sempre ao demônio e às suas obras, como se faz na Vigília Pascal, ao renovar as promessas do batismo.
Compromisso Missionário: Mt 28,19 - “Ide pois, fazei que todos os povos se tornem meus discípulos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”

9. Propósitos de vida cristã

• Agradecer a Deus o dom do batismo. Inteirar-se do dia em que foi batizado, e celebrá-lo.
• Nunca esquecer que o batismo impõe a exigência cristã de conservar a fé e crescer na vida da graça, cumprindo fielmente os mandamentos da lei de Deus e os da Igreja.
A vida de fé é um caminho a ser percorrido. É um compromisso de vida com a comunidade que os acolheu. Mas, é também a alegria de viver uma Vocação – Vocação de filhos de Deus. (Tt 3,4-5).

10. O batismo na economia da salvação

Prefigurado na Antiga Aliança e nova Aliança: Simbolismo da água como fonte de vida:
Mar vermelho – Ex 14,21: A saída dos israelitas (escravos) no Egito, conduzidos por Moisés. A tradição cristã considera este milagre como uma figura de salvação, e mais especialmente do batismo.

Arca de Noé – Gn 6,5s: O dilúvio.
Rio Jordão – Js 3,14: passagem de Josué e os israelitas pelas águas do Jordão conduzindo a Arca da Aliança.
Jesus se submeteu ao batismo destinado aos pecadores – Jo 1,25s; Mt 3,16-17.
Deus nos conhece e nos chama pelo nome – Is 43,1: “não temas, porque te resgatei, chamei-te pelo teu nome: tu és meu.”

A partir de Pentecostes, a Igreja administrou o batismo. E o batismo aparece ligado à fé em Jesus – At 16,31-33: Paulo e Silas com o carcereiro dos missionários – O carcereiro pergunta: “Que preciso fazer para ser salvo?” Paulo responde: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, Tu e tua casa” – [anunciavam a palavra; acolhia-os; lavava-os e batizava-os todos os da casa].

CELEBRAÇÃO: RICA PÁG 193
ORAÇÃO SOBRE A ÁGUA: Fontes do Senhor, bendizei o Senhor.
RENÚNCIA: Renuncio.
PROFISSÃO DE FÉ: Creio.
BANHO BATISMAL: por infusão – Nome:... “Eu te batizo...” – Amém.
UNÇÃO DEPOIS DO BATISMO: (óleo da salvação) – Amém.
VESTE BATISMAL: (Vida nova na graça). Amém.
ENTREGA DA LUZ: (Deus te tornou luz em Cristo) - Amém.

quarta-feira, 8 de junho de 2011


Verbum Domini – A PALVRA DE DEUS NA VIDA E NA MISSÃO DA IGREJA

Introdução: "Desejo assim indicar algumas linhas fundamentais para uma redescoberta, na vida da Igreja, da Palavra divina, fonte de constante renovação, com a esperança de que a mesma se torne cada vez mais o coração de toda a atividade eclesial." (n. 1)

Religião da Palavra, não do livro: "A fé cristã não é uma 'religião do Livro': o cristianismo é a 'religião da Palavra de Deus', não de 'uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo'." (7)

Tradição e Escritura: "É a Tradição viva da Igreja que nos faz compreender adequadamente a Sagrada Escritura como Palavra de Deus." (17)

Sagrada Escritura, inspiração e verdade: "A Sagrada Escritura é 'Palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração do Espírito de Deus'. Deste modo se reconhece toda a importância do autor humano que escreveu os textos inspirados e, ao mesmo tempo, do próprio Deus como verdadeiro autor." (19)

Deus escuta o homem: "É decisivo, do ponto de vista pastoral, apresentar a Palavra de Deus na sua capacidade de dialogar com os problemas que o homem deve enfrentar na vida diária. (...) A pastoral da Igreja deve ilustrar claramente como Deus ouve a necessidade do homem e o seu apelo." (23)

Exegese: "No seu trabalho de interpretação, os exegetas católicos jamais devem esquecer que interpretam a Palavra de Deus. A sua tarefa não termina depois que distinguiram as fontes, definiram as formas ou explicaram os processos literários. O objectivo do seu trabalho só está alcançado quando tiverem esclarecido o significado do texto bíblico como Palavra atual de Deus." (33)

Antigo Testamento e judaísmo: "A compreensão judaica da Bíblia pode ajudar a inteligência e o estudo das Escrituras por parte dos cristãos. (...) O Novo Testamento está oculto no Antigo e o Antigo está patente no Novo. (...) Desejo afirmar uma vez mais quão precioso é para a Igreja o diálogo com os judeus." (41/43)

Bíblia e ecumenismo: "Na certeza de que a Igreja tem o seu fundamento em Cristo, Verbo de Deus feito carne, o Sínodo quis sublinhar a centralidade dos estudos bíblicos no diálogo ecumênico, que visa a plena expressão da unidade de todos os crentes em Cristo." (46)

Traduções, serviço ao ecumenismo: "A promoção das traduções comuns da Bíblia faz parte do trabalho ecumênico. Desejo aqui agradecer a todos os que estão comprometidos nesta importante tarefa e encorajá-los a continuarem na sua obra." (46)

Escritura e Liturgia: "Exorto os Pastores da Igreja e os agentes pastorais a fazer com que todos os fiéis sejam educados para saborear o sentido profundo da Palavra de Deus que está distribuída ao longo do ano na liturgia, mostrando os mistérios fundamentais da nossa fé." (52)

A homilia: "É preciso que os pregadores tenham familiaridade e contato assíduo com o texto sagrado; preparem-se para a homilia na meditação e na oração, a fim de pregarem com convicção e paixão." (59)

Celebrações da Palavra de Deus: "Os Padres sinodais exortaram todos os Pastores a difundir, nas comunidades a eles confiadas, os momentos de celebração da Palavra. (...) Tal prática não pode deixar de trazer grande proveito aos fiéis, e deve considerar-se um elemento importante da pastoral litúrgica." (65)

Acústica: "Para favorecer a escuta da Palavra de Deus, não se devem menosprezar os meios que possam ajudar os fiéis a prestar maior atenção. Neste sentido, é necessário que, nos edifícios sagrados, nunca se descuide a acústica, no respeito das normas litúrgicas e arquitetônicas." (68)

Canto litúrgico: "No âmbito da valorização da Palavra de Deus durante a celebração litúrgica, tenha-se presente também o canto nos momentos previstos pelo próprio rito, favorecendo o canto de clara inspiração bíblica capaz de exprimir a beleza da Palavra divina por meio de um harmonioso acordo entre as palavras e a música. Neste sentido, é bom valorizar aqueles cânticos que a tradição da Igreja nos legou e que respeitam este critério; penso particularmente na importância do canto gregoriano." (70)

Atenção aos portadores de deficiência: "O Sínodo recomendou uma atenção particular àqueles que, por causa da própria condição, sentem dificuldade em participar ativamente na liturgia, como por exemplo os cegos e os surdos." (71)

A animação bíblica da pastoral: "O Sínodo convidou a um esforço pastoral particular para que a Palavra de Deus apareça em lugar central na vida da Igreja, recomendando que 'se incremente a pastoral bíblica, não em justaposição com outras formas da pastoral mas como animação bíblica da pastoral inteira'." (73)

Dimensão bíblica da catequese: "A atividade catequética implica sempre abeirar-se das Escrituras na fé e na Tradição da Igreja, de modo que aquelas palavras sejam sentidas vivas, como Cristo está vivo hoje onde duas ou três pessoas se reúnem em seu nome." (74).

Lectio Divina: "Nos documentos que prepararam e acompanharam o Sínodo, falou-se dos vários métodos para se abeirar, com fruto e na fé, das Sagradas Escrituras. Todavia prestou-se maior atenção à lectio divina, que 'é verdadeiramente capaz não só de desvendar ao fiel o tesouro da Palavra de Deus, mas também de criar o encontro com Cristo, Palavra divina viva'." (87)

Palavra de Deus e Terra Santa: "Os Padres sinodais lembraram a expressão feliz dada à Terra Santa: 'o quinto Evangelho'. Como é importante a existência de comunidades cristãs naqueles lugares, apesar das inúmeras dificuldades! O Sínodo dos Bispos exprime profunda solidariedade a todos os cristãos que vivem na Terra de Jesus, dando testemunho da fé no Ressuscitado." (89)

Anúncio e nova evangelização: "Há muitos irmãos que são 'batizados mas não suficientemente evangelizados'. É frequente ver nações, outrora ricas de fé e de vocações, que vão perdendo a própria identidade, sob a influência de uma cultura secularizada. A exigência de uma nova evangelização, tão sentida pelo meu venerado Predecessor, deve-se reafirmar sem medo, na certeza da eficácia da Palavra divina." (96)

Testemunho: "A Palavra de Deus alcança os homens através do encontro com testemunhas que a tornam presente e viva." (97)

Compromisso pela justiça: "A Palavra de Deus impele o homem para relações animadas pela rectidão e pela justiça, confirma o valor precioso aos olhos de Deus de todas as fadigas do homem para tornar o mundo mais justo e mais habitável." (100)

Direitos humanos: "Quero chamar a atenção geral para a importância de defender e promover os direitos humanos de toda a pessoa (...). A difusão da Palavra de Deus não pode deixar de reforçar a consolidação e o respeito dos direitos humanos de cada pessoa." (101)

Palavra de Deus e paz: "No contexto atual, é grande a necessidade de descobrir a Palavra de Deus como fonte de reconciliação e de paz, porque nela Deus reconcilia em Si todas as coisas (cf. 2 Cor 5, 18-20; Ef 1, 10): Cristo 'é a nossa paz' (Ef 2, 14), Aquele que derruba os muros de divisão." (102)

Palavra de Deus e proteção da criação: "O compromisso no mundo requerido pela Palavra divina impele-nos a ver com olhos novos todo o universo criado por Deus e que traz já em si os vestígios do Verbo, por Quem tudo foi feito (...). A arrogância do homem que vive como se Deus não existisse, leva a explorar e deturpar a natureza, não a reconhecendo como uma obra da Palavra criadora." (108)

Internet: "No mundo da internet, que permite que bilhões de imagens apareçam sobre milhões de monitores em todo o mundo, deverá sobressair o rosto de Cristo e ouvir-se a sua voz, porque, 'se não há espaço para Cristo, não há espaço para o homem'." (113)

Diálogo inter-religioso: "A Igreja reconhece como parte essencial do anúncio da Palavra o encontro, o diálogo e a colaboração com todos os homens de boa vontade, particularmente com as pessoas pertencentes às diversas tradições religiosas da humanidade, evitando formas de sincretismo e de relativismo." (117)

Diálogo e liberdade religiosa: "O respeito e o diálogo exigem a reciprocidade em todos os campos, sobretudo no que diz respeito às liberdades fundamentais e, de modo muito particular, à liberdade religiosa. Tal respeito e diálogo favorecem a paz e a harmonia entre os povos." (120).

Fonte: Verbum Domini- A Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja.

domingo, 29 de maio de 2011

Para que a nossa alegria seja perfeita

"Nós vos anunciamos a vida eterna, que estava no Pai e que nos foi manifestada - o que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco. Quanto à nossa comunhão, ela é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo" (1 Jo 1,2-3).

O Apóstolo fala-nos de ouvir, ver, tocar e contemplar (cf. 1 Jo 1,1) o Verbo da Vida, já que a Vida mesma se manifestou em Cristo.

A Igreja exorta todos os fiéis a redescobrirem o encontro pessoal e comunitário com Cristo, Verbo da Vida que Se tornou visível, a fazerem-se seus anunciadores para que o dom da vida divina, a comunhão, se dilate cada vez mais pelo mundo inteiro.

Não existe prioridade maior que que esta: reabrir ao homem atual o acesso a Deus, a Deus que fala e nos comunica o seu amor para que tenhamos vida em abundância.(cf.Jo 10,10).

V.D. nº 2

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A Palavra do Senhor

" A Palavra do Senhor permanece eternamente. E esta é a palavra do Evangelho que vos foi anunciada" (1Pd 1,25; cf.Is 40,8). Com esta citação da 1ª Carta de São Pedro, que retoma as palavras do profeta Isaías, vemo-nos colocados diante do mistério de Deus que Se comunica a Si mesmo por meio do dom da sua Palavra. Esta Palavra, que permanece eternamente, entrou no tempo. Deus pronunciou a sua Palavra eterna de modo humano; o seu Verbo "fez-Se carne" (Jo 1,14).
Esta é a Boa Nova. Este é o anúncio que atravessa os séculos, tendo chegado até aos nossos dias.


Introdução Verbum Domini n.1

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Acordei hoje pensando nesta passagem. " Não choreis por Mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos"


Jesus encontra as mulheres de Jerusalém
que choram por Ele


Jesus fixa em nós o olhar e suscita o pranto da conversão

Do Evangelho segundo Lucas 23, 27-31
Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres que batiam no peito e se lamentavam por Ele. Jesus voltou-Se para elas e disse-lhes: «Filhas de Jerusalém, não choreis por Mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos; pois virão dias em que se dirá: “Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram”. Hão-de, então, dizer aos montes: “Caí sobre nós!” E às colinas: “Cobri-nos!” Porque, se tratam assim a madeira verde, o que não acontecerá à seca?».
Jesus Mestre, ao longo do Caminho do Calvário, continua a instruir a nossa humanidade. Com o seu olhar de verdade e misericórdia, ao encontrar as mulheres de Jerusalém, recolhe as lágrimas de compaixão derramadas por Ele. Ele, o Deus que chorou e Se lamentou sobre Jerusalém[1], educa agora o pranto daquelas mulheres para que não fique estéril lamentação externa. Convida-as a reconhecerem n’Ele a sorte do Inocente injustamente condenado e queimado, como madeira verde, pelo «castigo que nos salva»[2]. Ajuda-as a interrogarem a madeira seca do próprio coração para sentirem a dor benéfica da compunção.
Aqui brota o pranto autêntico, quando os olhos confessam com as lágrimas não só o pecado, mas também a dor do coração. São lágrimas abençoadas, como as de Pedro, sinal de arrependimento e penhor de conversão, que renovam em nós a graça do Batismo.
Humilde Jesus,
no vosso corpo sofredor e maltratado
insultado e escarnecido,
não sabemos reconhecer
as feridas das nossas infidelidades e das nossas ambições,
das nossas traições e das nossas rebeldias.
São feridas que clamam
e invocam o bálsamo da nossa conversão,
quando hoje já não sabemos chorar pelos nossos pecados.
Vinde, Espírito de Verdade,
mandai sobre nós o dom da Sabedoria!
Na luz do Amor que salva,
dai-nos o conhecimento da nossa miséria,
«as lágrimas que dissolvem a culpa,
o pranto que merece o perdão»[3]!
________________________________________
[1] Cf. Lc 19, 41.
[2] Is 53, 5.
[3] Cf. S. Ambrósio, Exposição do Evangelho segundo Lucas 10, 90.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

Advento – compreende os quatro domingos que antecedem o Natal. O que quer dizer advento? Iniciar o processo de educação da fé, criando condições para que os catequizandos entendam, sintam e conheçam o Tempo do Advento, fazendo a experiência nesta preparação.
* Realizar pesquisa sobre o Advento. Entrevistar pessoas da comunidade, para saber o que significa Advento; trazendo um apanhado de informações sobre o tema, para serem analisadas, discutidas e escritas pelos catequizandos.
* Preparar a coroa do Advento com as quatro velas e explicando o seu significado, e, onde vemos esta coroa exposta, trabalhar o significado das cores.

SÌMBOLOS E SINAIS DO NATAL
O homem não vive sem sinais e símbolos.
Seu pensar, seu conhecer, seu expressar o real e o espiritual é realizado através de símbolos. Ele transforma tudo em símbolos para ser entendido pelos outros. Assim a língua falada e escrita e as artes nas suas diversas expressões (pintura, escultura, música, dança ...) são os símbolos mais comuns.

O homem se expressa simbolicamente também através da fé e da cultura, e o natal é uma expressão de fé e de cultura.

Conheça melhor a grandeza dos significados dos símbolos do Natal:

Árvore de Natal:

No mundo, milhões de famílias celebram o Natal ao redor de uma árvore. A árvore, símbolo da vida, é uma tradição mais antiga do que o próprio Cristianismo, e não é exclusiva de uma só religião.

Muito antes de existir o Natal, os egípcios traziam galhos verdes de palmeiras para dentro de suas casas no dia mais curto do ano em dezembro como um símbolo de triunfo da vida sobre a morte.

Já o costume de ornamentar a árvore pode ter surgido do hábito que os druidas tinham de decorar velhos carvalhos com maçãs douradas para as festividades deste mesmo dia do ano.A primeira referência a uma " Árvore de Natal" é do século XVI. Na Alemanha, famílias ricas e pobres decoravam árvores com papel colorido, frutas e doces. Esta tradição se espalhou pela Europa e chegou aos Estados Unidos pelos colonizadores alemães. Logo, a árvore de Natal passou a ser popular em todo mundo.

Pinheiro

É a única árvore que não perde suas folhas durante o ano todo. Permanece sempre viva e verde.
Foi usado pela primeira vez pela rainha da Inglaterra Elizabete e por ocasião do dia 25 de Dezembro , quando oferecia uma grande festa e recebia muitos presentes .

Não podendo recebê-los a todos pessoalmente pediu que fossem depositados em baixo de uma árvore no jardim.

Origina-se daí, igualmente, o costume depositar os presentes em baixo da árvore.
Árvore verde também trás a esperança , a alegria e a vida nova .
O verde constante do pinheiro, a vida permanente e plena que Jesus Cristo aparece.

Bolas coloridas que enfeitam as árvores.

Simbolizam os frutos da "árvore vida" ou seja, Jesus Cristo.

O Presépio:

Um dos símbolos mais comuns no Natal dos países
católicos é a reprodução do cenário onde Jesus Cristo nasceu: uma manjedoura, animais, pastores, os três reis magos, Maria, José e o Menino Jesus.

O costume de montar presépios surgiu com São Francisco de Assis, que pediu a um homem chamado Giovanni Villita que criasse o primeiro presépio para visualizar, sensibilizar, facilitar a meditação da mensagem evangélica, do, conteúdo, do mistério de Jesus Cristo que nasce na pobreza, na simplicidade.

São Francisco, então, celebrou uma missa em frente deste presépio, inspirando devoção a todos que o assistiam.

Papai Noel

Ele foi inspirado no bispo Nicolau, que viveu e pontificou na cidade de Myra, Turquia, no século IV. Nicolau costumava ajudar, anonimamente, quem estivesse em dificuldades financeiras. Colocava o saco com moedas de ouro a ser ofertado na chaminé das casas. Foi declarado santo depois que muitos milagres lhe foram atribuídos.

Sua transformação em símbolo natalino aconteceu na Alemanha e daí correu o mundo. Nos Estados Unidos, a tradição do velhinho de barba comprida e roupas vermelhas que anda num trenó puxado por renas ganhou força.A figura do Papai Noel que conhecemos hoje foi obra do cartunista Thomas Nast, na revista Harper's Weeklys, em 1881.

O cartão de Natal:

A prática de enviar cartões de Natal surgiu na Inglaterra no ano de 1843. Em 1849 os primeiros cartões populares de Natal começaram a ser vendidos por um artista inglês chamado William Egly.
Independentemente da sofisticação, beleza e simplicidade, os cartões são símbolos do inter-relacionamento do homem. O ser humano é comunicação, é relacionamento. A dimensão dialogal, de comunhão, de empatia vem expresso pela palavra escrita. Ao falarmos em palavra, nos vem à mente o prólogo do evangelho de São João: Cristo é o Verbo, a Palavra criadora, unificadora e salvadora de Deus (Jo 1,1-5).

Os presentes

Existem muitas origens para este símbolo. Uma delas conta que São Nicolau, um anônimo benfeitor, presenteava as pessoas no período natalino. Outra tradição mais antiga, lembra os três reis magos que presentearam Jesus. O dia e o motivo de dar e receber presentes varia de país para país.
A origem dos presentes por ocasião do final do ano tem origem pagã e que a tradição cristã foi aos poucos assimilando.

Os romanos, há mais de 1500 anos, tinham o costume de enviar presentes aos amigos no início do ano novo. Tal hábito coincidia aos festejos ao deus Janus (um deus bifronte, que olhava para o ano que terminava e para o que começava) e, talvez as origens do nosso reveillon e outras comemorações de fim de ano. Esta festa complementava a festa do sol (25 de dezembro).

Com o crescimento do cristianismo essas festas foram ganhando sentido cristão: Cristo é o Sol que ilumina o caminho dos homens; Ele é o Senhor da História; é o grande presente de Deus à humanidade.

Dar presente é uma maneira muito palpável de demonstrar a solidariedade e bondade humana em dar sem interesse de receber. É vivenciar de maneira simples e ínfima a imensa e infinita bondade de Deus.

Canções de Natal:

A Igreja católica sempre deu muita importância para o valor da música. As primeiras canções natalinas datam do século IV e são cantadas até hoje na véspera de Natal.

A Comida:

O Natal significa comida na maior parte do mundo cristão. O simbolismo que o alimento tem na mesa no dia de Natal vem das sociedades antigas que passavam muita fome e encontravam em algum tipo de carne - o mais importante prato - uma forma de referenciar a Deus e à Jesus. Geralmente era servido porco, ganso - mais tarde substituído por peru, e peixe. Uma série de bolos e massas são preparados somente para o Natal e são conhecidos por todo mundo.

A ESTRELA

A estrela na sociedade humana esteve sempre ligada como "bússolas naturais" das pessoas. Hoje os aparelhos de navegação evoluíram de tal forma que as estrelas se tornaram apenas ornamentos no céu, objeto de estudo. Contudo durante milhares de anos eram elas as responsáveis em guiar os navegadores pelos mares e os viajantes pelos desertos. Eram elas que indicavam a direção, o sentido, o porto seguro.

A estrela guiou os três reis magros Baltazar, Gaspar, Melchíor - desde o oriente até local onde nasceu Jesus para que pudessem presenteá-lo com ouro, incenso e mirra , é lembrada hoje pelo enfeite que é colocado no topo da árvore de Natal. E Jesus Cristo é a Estrela Guia da humanidade. Ele é o caminho, o Sentido, a Verdade e a Vida.

OS MAGOS

" Eis que uns magos chegaram do Oriente a Jerusalém perguntando: 'onde está o rei dos Judeus, que acaba de nascer? ... viemos adorá-lo, '... Eis que a estrela que tinham visto no Oriente, ia-lhes à frente até parar sobre o lugar onde estava o menino ... e o adoraram. Abriram seus cofres e lhe ofereceram ouro, incenso e mirra "(Mt 2,1-12).

Não eram reis e sim sábios, estudiosos, mas o que isto importa? A mensagem é mais forte que esse detalhe. Esta narração tão plástica e viva, enriquecida posteriormente com aspectos lendários, como o nome dos três (Melchior, Gaspar e Baltazar), traz duas grandes mensagens teológicas:

- Cristo não veio apenas para os Judeus, mas para redimir toda a humanidade, Ele é o polo para o qual convergem todas as raças.

- A segunda grande mensagem está relacionada aos presentes oferecidos pelos magos: ouro, incenso e mirra. O evangelista Mateus expressa por esses símbolos a fé vivenciada pelos primeiros cristãos: Cristo é Rei dos Reis (daí o ouro), é filho Deus (o incenso) encarnado (a mirra).

A VELA

Por milhares de anos, até a descoberta da energia elétrica há 100 anos, a vela, a lamparina ou lampião a óleo, as tochas foram as fontes de luz nas trevas noturnas. A minúscula chama afugentava as trevas, a escuridão dando segurança e calor. Por isso na antigüidade alguns povos chegaram a cultuar o fogo como divindade. Jesus Cristo é a luz que ilumina nosso caminho: "Eu sou a luz do mundo, quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida" (Jo 8,12). E "vós sois a luz do mundo ... não se acende uma candeia para se pôr debaixo de uma vasilha, mas num candelabro para que ilumine todos os da casa. É assim que deve brilha vossa luz" (MT 5,14-16).

Sinos

Servem para enviar mensagens, com sons festivos